sexta-feira, 20 de maio de 2016

Histórias de Paraquedistas XX


Primeira Zona de Lançamento de Paraquedistas Militares no Brasil



Gramacho e seu perigoso canal*

A ZL de Gramacho, no Estado do Rio de Janeiro, foi a primeira Zona de Lançamento de paraquedistas militares no Brasil, tendo sido implantada pelo 1° Tenente Engenheiro Celso Nathan Guaraná de Barros, primeiro Precursor brasileiro, com curso realizado em abril de 1948, nos Estados Unidos da América.


Dois Precs antigos; Edgard Cordeiro e Celso Guaraná (falecido)

A inauguração ocorreu em 20 de janeiro de 1949, com salto de 27 dos 47 militares brasileiros Pioneiros, que foram brevetados paraquedistas em “Fort Benning-USA”, respectivamente de 1944 a 1946 e 1948.

A referida ZL foi utilizada até 20 de outubro de 1971, portanto 22 anos e nove meses de ininterruptos e intensos trabalhos de instrução diurna e noturna. A desativação decorreu de imposição técnica, em face das rotas de aproximação para pousos e decolagens do Aeroporto Internacional do Galeão.

A seguir, nossa homenagem à pioneira e saudosa ZL de Gramacho:


Gramacho

Gramacho... Marco heroico de um passado
de bravura, de glórias e de conquistas!...
– Pouso seguro do guerreiro alado;
– Vede rima de amor de um saudosista!

Na plana vastidão de que és dotado,
longe, bem longe, onde se perde a vista,
és um quadro a pincel, talvez pintado
pela mão de algum Deus paraquedista!

Gramacho... Teu capim bem verde e alto
era o pouso perfeito para o salto
de tantos bravos que douraste a fama...

E todos eles que em eu céu saltaram,
todas as vezes que o teu chão pisaram,
deram graças a Deus por tua lama.

Cap Pqdt Edson Xavier de Almeida

Primeiros Paraquedistas militares formados no Brasil 
 1949/1 – Cbas Pqdt

48       Cap Nestor Penha Brasil
49       Cap Onaldo da Cunha Raposo
50   1° Ten João Pires Teixeira
51   1° Ten Edgardo Sarmento e Silva
52   2° Sgt Joaquim Fernandes
53   2° Sgt Odir Garcia
54   2° Sgt Cícero da Gama Leite
55   2° Sgt José Ramos Munhós
56   2° Sgt Pedro Oswaldo Pagano
57   3° Sgt Daniel de Oliveira Lima
58   3° Sgt Plínio Bezerra
59   3° Sgt João Nunes de Souza
60   3° Sgt Hermógenes Tessis
61   3° Sgt Morlais de Araújo Guterres
62   3° Sgt João Camilo da Silva Filho
63   3° Sgt Roldão Soares Gayer

(Fonte: Almanaque PQDT – Francimá Máximo e Luiz Fagundes)

*O próprio Gen Santa Rosa, comandante do Núcleo da Divisão Aeroterrestre, caiu no canal num salto comemorativo. Veja foto baixo:


Que ZL era essa, já desativada, que tinha um perigoso canal ao seu lado. Era fofa, lamacenta e muito perigosa, mas suave para aterrar?


Casemiro Scepaniuk, pioneiro 44, em Gramacho


Salto do general Penha Brasil em Gramacho

Depoimentos de quem saltou nessa ZL

Meu nobre amigo Nilo, dei dezenas de saltos nesse tapete macio, chamado Gramacho, inclusive muitos saltos noturnos também, e que me traz grandes recordações, como no salto noturno no mesmo dia que morreu o Ten Wilson Arantes Bongiovani.

Resail Carmelo de Castro

Nilo, procura saber do soldado Oliveira da 2º Cia do 26º, que teve que ir para o HCE para fazer lavagem no intestino, pois engoliu lama, na época era o Cap Mota Mendes; verifica nos anais da Brigada e procura saber desse salto da força tarefa e procura saber da perda de um FAL do Cb Rosalvo.

José Carlos da Silva

Guerreiro alado Nilo! Como eu poderia deixar de saber o nome de minha ZL de Formação aeroterrestre? “GRAMACHO”. Ela foi desativada porque passou a ser rota dos voos da aviação comercial civil. Ralei muito participando da equipe terra no resgate de paraquedista que viesse cair no Arroio (ou rio Gramacho). Essa ZL era o quebra-galho dos subtenentes encarregados de carga da época, no descarrego de materiais, tais como, fuzil, capacete etc...

Nilo, certa vez, anos depois de minha formação, em um salto de instrução equipado, um pqdt por voação deixou cair ainda no ar o seu armamento, (na época o mosquetão era de madeira), todos saltadores foram colocados em linha de uma fileira, para fazermos o famoso pente-fino e tentar encontrar o dito cujo. Após certo tempo, o MS do avião, que não me lembro nome, desistiu da procura. Lá se foi mais uma descarga justificável de material.

A propósito, audaz Nilo, foi muito oportuno você citar o nome do pqdt que caiu no canal. Agora já posso contar a minha história:

Em um dos meus saltos de formação, não podendo precisar qual foi, mas... enfim, vai o fato. Já estava no solo, após a aterragem perfeita de pé-preto: pé, bunda e cabeça. Comecei a olhar para o alto e admirar os restantes dos saltadores, observei que um dos saltantes estava com as pernas abertas e, eu todo metido a entendido de aterragem, aos berros, gritei: “Fecha as pernas, babaca, senão você vai se fuder!” Para meu espanto, o referido saltante era nada mais, nada menos, que o Comandante do Núcleo da Divisão Aeroterrestre, Cel Santa Rosa. Gelei e fiquei aguardando o esporro e a consequente punição, e qual foi a minha surpresa? Ele olhou para mim e disse: “Obrigado, guerreiro, pela dica”, e seguiu o seu caminho para o ponto de reorganização dos aviões.

Assim somos nós, os irmãos dos condores. Eu um simples recruta e ele, o Comandante.

Geraldo Gomes da Silva – pqdt 6741 – turno 1960/5 – MS 1667

Capacetes quantos desapareciam nos charcos de Gramacho! Era um colchão, mas cheio de guaiamuns e cobras. O salto noturno era temido. Se o cara caísse num daqueles canais; na certa haveria perda de material. O Subten Paixão chiava pra caramba. Vou parar, se não fico a noite toda falando no saudoso Gramacho.

Grande Abraço em todos os irmãos de armas.

Vanderlei Bilhalva Duarte – pqdt 6455 – turno 1960/3

São marcos em nossas vidas. Nessa ZL realizei os meus primeiros saltos. 12, 13 e 14 de abril de 1961. 3ª Cia Fzo/BSD. Que saudades!

Robens Fonseca Pedrosa – pqdt 7593 – 1961/4 – SL 403


(Do Almanaque Paraquedista, capa abaixo)


“Você pode ficar apenas um ano dentro da
Brigada de Infantaria Paraquedista,
mas a Brigada ficará por toda a vida dentro de você.”


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