sábado, 7 de maio de 2016

Larry, um centroavante colorado



3 de novembro de 1932 – 6 de maio de 2016

Ídolo do Inter, Larry Pinto de Faria morre aos 83 anos
Ex-jogador atuou no clube entre 1954 e 1961


Morreu o ex-atacante do Inter Larry Pinto de Faria. O ex-jogador e ex-deputado estadual tinha 83 anos e faleceu devido a uma pneumonia. Larry deixou a mulher, Maria Luiza, os filhos Marcelo, Larry Júnior (que foi diretor de futebol do Inter, em 1996) e Zilda Maria, além de seis netos e uma bisneta.

Larry estava com pneumonia desde dezembro do ano passado, quando foi internado na Santa Casa. Desde o dia 29 do último mês, estava no Santa Clara. Às 6h15min desta sexta, o ex-jogador teve uma parada cardíaca e morreu. A direção do Inter ofereceu a Capela Nossa Senhora das Vitórias, no Beira-Rio, para velar o ex-atacante. O velório acontecerá das 15h desta sexta às 15h de sábado. O funeral acontecerá às 16h de sábado no Crematório Metropolitano Saint Hilaire, em Viamão. A bandeira colorada no estádio está a meio mastro, e já foi enviado o pedido à Federação Gaúcha de Futebol para realizar um minuto de silêncio antes da final do Gauchão no próximo domingo, contra o Juventude.

Fluminense de Nova Friburgo, Larry Pinto de Faria foi um dos grandes atacantes da história do Inter. Formou o ataque do segundo Rolo Compressor, nos anos 1950, ao lado de Bodinho. Juntos, eles estão entre os maiores goleadores do clube. Larry é o sexto artilheiro do Inter, com 176 gols, enquanto que Bodinho é o segundo, com 244 gols  – o principal goleador do clube é Carlitos, com insuperáveis 485 gols vestindo vermelho.

Larry começou a carreira no Fluminense. Jogou lá de 1951 até 1954, sem grande destaque, quando foi emprestado ao Inter. Veio para Porto Alegre para criar raízes, fazer gols e para não mais sair da cidade. Defendeu o Inter até 1961.

Em 1959, ainda como atacante colorado, foi eleito vereador pela União Democrática Nacional (UDN). Em 1962, já aposentado do futebol, candidatou-se a deputado estadual, ficando na primeira suplência. Larry assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa em 1964, com a saída de Poty Medeiros. Ao final do mandato, voltou a ser eleito vereador por mais três gestões. Foi secretário do Meio Ambiente e da Indústria e Comércio, durante a gestão de Guilherme Socias Villela, entre 1975 e 1983.

Jogador com estilo elegante e técnico, que preferia o drible em vez de a trombada com os zagueiros – em um tempo no qual o centroavante era quase obrigado a trombar com os defensores para ser bem quisto pela torcida –, Larry conquistou o coração dos colorados logo em seu primeiro Gre-Nal: o de 1954, no festival de inauguração do Estádio Olímpico. A histórica goleada por 6 a 2 teve Larry como o autor de quatro gols. Um feito até hoje único nos clássicos.

– Ligou para falar do Gre-Nal de 54?* – costumava perguntar Dona Maria Luiza, viúva de Larry, quando atendia o telefone no apartamento do casal, no Menino Deus.

(Texto jornal Zero Hora)


*Gre-Nal de 28 de setembro de 1954, ano da inauguração do Estádio Olímpico. O Internacional ganhou de 6 X 2, com Larry fazendo 4 gols, Jerônimo e Canhotinha, com 1 gol cada um. Pelo Grêmio marcaram  Sarará e Zunino. O jogo foi apitado pelo árbrito do Rio de Janeiro Mário Vianna.

Fotos de Larry



Acima, Larry em foto de Assis Hoffmann





Bodinho, à esqueda; Larry, à direita, tabelando no Olímpico.



Time campeão de 1955*

Em pé: Oreco, Florindo, Lapaz, Lindoberto, Odorico e Mossoró;
Agachados: Luizinho, Bodinho, Larry, Jerônimo e Chinesinho.

P.S. O time do primeiro Gre-Nal que assisti na minha vida, nos Eucaliptos, em 1955, eu com 10 anos.

Nilo da Silva Moraes



Larry, um fã e Bodinho num jogo em Lajeado-RS*


*No início deste mês, quando morreu o craque colorado Larry Pinto de Faria (1932-2016), o nosso leitor Carli Reinoldo Rucker resgatou de seu arquivo pessoal uma foto feita por seu pai há quase seis décadas. Albano Rucker era fotógrafo em Estrela, e, quando o Inter foi jogar em Lajeado, em 1958, ele fez questão de levar ao estádio, além da câmera, seu filho de nove anos de idade. Albano não poderia perder a oportunidade de fotografar o filho ao lado da dupla de atacantes que mais infernizava os adversários naquela época. E, assim, o garoto Carli, hoje um senhor de mais de 60 anos, posou ao lado de Larry (esquerda) e Bodinho (Nílton Coelho da Costa, 1928-2007), para a imagem histórica. Quando vejo fotos como essa, penso sempre na indiferença de grande parte dos jogadores de hoje com os torcedores. Mesmo alguns que não têm a metade do futebol que Larry e Bodinho tiveram transitam com seus fones nas orelhas sem dar ouvidos ou sequer um aceno aos “meninos” (torcedores de todas as idades), de cuja paixão dependem o futebol e os altos salários que muitas vezes recebem sem merecer. Muita máscara, muita tatuagem, e, infelizmente, pouca sensibilidade, especialmente para com os pequenos.


(Do Almanaque Gaúcho de Zero Hora)


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