quinta-feira, 12 de maio de 2016

Manuel Luis de Osorio


(General de Guerra)

1808-1879


Embora de acordo com as regras do português a palavra “Osorio” deva ser acentuada, você deve ter observado que aqui o acento agudo não é utilizado ao nos referirmos ao Marquês de Herval. É que se adotou na Fundação e no 3º RCG a ortografia utilizada pela família Osorio, ou seja, sem acento, como se pode observar na fotografia de Osorio extraída do livro História do General Osorio, vol. 1, de autoria de seu filho e maior biógrafo, Fernando Luis Osorio.

General de Guerra, brasileiro, herói da Guerra do Paraguai; nasceu no dia 10 de maio de 1808, em Nossa Senhora da Conceição do Arroio, atual Osório, Rio Grande do Sul, e faleceu no dia 4 de outubro de 1879. Iniciou sua carreira militar aos 14 anos quando lutou contra as forças portuguesas da Província Cisplatina (Uruguai). Tomou parte ativa no cerco de Montevidéu e em muitas outras ocasiões de guerra. Era filho de pais humildes, sua instrução não foi realizada de modo regular. Combateu a Guerra dos Farrapos, no período de 1835 a 1845; lutou contra Rosas em 1851. Teve início a Guerra do Paraguai em 1865. A Osorio foi confiado o comando do Exército Brasileiro em ação. As dificuldades logo foram superadas e o Exército Brasileiro começou a somar significativas vitórias. O maior combate registrado em toda Guerra do Paraguai foi o que se travou em Tuiuti. Coube a glória a Osorio de haver planejado a batalha da qual participou com impressionante heroísmo. A partir desta vitória, melhorou a posição dos brasileiros, em cooperação com os uruguaios. Com apoio da esquadra, o Exército Brasileiro iniciou a invasão do Paraguai. Depois disso Osorio foi substituído pelo General Polidoro Jordão. Como a luta prosseguia, Osorio passou a Comandar o III Corpo do Exército, organizado no Rio Grande do Sul. Dirigiu a Marcha de Flanco de Tuiuti e Tuiucuê, que passou de forma decisiva do desfecho da campanha. Em 1866, recebeu o nome de Barão; em 1869, Marquês de Herval e, em 1877, Marechal de Exército. Foi eleito Senador pelo Rio Grande do Sul, e, finalmente, foi nomeado para a Pasta da Guerra Nacional. Seu nome completo é Manuel Luis Osorio. É o Patrono da Arma de Cavalaria do Exército Brasileiro.

Frases do General Osorio

“Quero a ordem e a liberdade, mas quando esta perigar, minha espada estará pronta para defendê-la. As dificuldades não me quebrantam o ânimo”.

“Ainda uma vez mostremos que as legiões brasileiras, no Prata, só combatem o despotismo, confraternizando com os povos”.

“Deve-se, antes de tudo, servir à Pátria, qualquer que seja seu governo”.

“A data mais feliz da minha vida seria aquela em que dessem a notícia de que os povos civilizados festejam sua confraternização queimando seus arsenais”.

“O bom soldado sabe aproveitar o tempo. A guerra não se faz com ofícios, dúvidas e consultas”.

“A farda não abafa o cidadão no peito do soldado”.

“Ser-me-á mais fácil morrer do que assinar uma parte dando ao meu governo a notícia de uma derrota”.

“A força moral do soldado aumenta quando é bem comandado”.

“Quem escreve, deve fazê-lo pela Pátria”.

“Nunca se deve descuidar de manter a capacidade de movimento de um Exército e, muito menos, enfraquecê-lo na sua Cavalaria”.

“É fácil a missão de comandar homens livres – basta mostrar-lhes o caminho do dever”.

“A glória é a mais preciosa recompensa dos bravos”. 


Estátua do Marechal Osório e o escultor Bernardelli

Tudo o que cerca a estátua do marechal Osório nos faz ter certeza de que ele foi um herói de guerra: os quadros que reproduzem grandes batalhas, as lanças, as balas e os canhões que compõem o gradil – estes, confiscados dos países derrotados pelas tropas brasileiras, quase sempre lideradas pelo marechal Manoel Luís Osório, gaúcho, que morreu em 1879, no Rio.

A homenagem a um dos maiores estrategistas do nosso Exército foi o monumento erguido na Praça XV, no Rio de Janeiro. A obra foi possível depois de uma campanha de coleta de fundos que durou 14 anos. Daí a expectativa que havia no dia da inauguração, a 12 de novembro de 1894. Com o Paço Imperial lotado, uma lona cobria o monumento. E qual não foi a surpresa da multidão que estava no local naquele dia quando a estátua foi inaugurada?

Para os dias de hoje, é um detalhe pequeno, mas naquela época foi um escândalo.

Seria o chapéu? O jeito de montar? Não, eram os sapatos. Ele não está com botas de montaria, e sim com um sapato comum (foto abaixo).


Apenas a espora o identifica como um cavaleiro. Em outras estátuas de figuras históricas na cidade isso não acontece. Dom João VI, em frente à estação das barcas, usa botas; Dom Pedro I, na Praça Tiradentes, usa botas. Como podia um marechal, um herói de guerra, montar de sapatos? O escultor teve que se explicar à filha do Osório que no projeto original ele estava de botas. Mas ela rejeitou. Disse que o pai não usava botas. Ele sofrera um ferimento na perna, que infeccionara, e ele só usava calçados em recepções oficiais.

Ele lutou toda a Guerra do Paraguai descalço, conta o historiador Milton Teixeira.

Como retratar um herói de guerra descalço? Não ficaria bem. Mas o escultor Rodolfo Bernardelli, nascido no México, usou a liberdade de criação do artista, que por aqui ganhou outro nome. “Usou-se o jeitinho brasileiro e colocaram-no de mocassim”, revela Teixeira.

E assim o marechal Osório foi homenageado com uma estátua única.


Histórias do Rio - Reportagem:

Márcio Gomes 



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