quarta-feira, 11 de maio de 2016

Meu Internacional


Por Fabrício Carpinejar



→ Raça é perder o jogo, o campeonato, mas não perder a torcida.

→ Um jogador que não desiste de ganhar sempre é perdoado. Poderá ser aplaudido no desastre, abraçado no velório, recompensado no drama.

→ É que sobrevive ao fim.

→ A raça converte insistência em heroísmo; disciplina, em obstinação.

→ Raçudo não é qualquer um, é lutar para não ser qualquer um. É o primeiro jogador a chegar ao treinamento, o último a deixar o vestiário.

→ É o que conversa com os pés antes de bater uma falta, e cobra empenho dos colegas com gestos de regente.

→ Nem respira, todo sopro é suspiro, toda loucura é respeito pelo sonho.

→ É o chato, o esperançoso, o ingênuo; o que apressa o coração do tempo, e não obedece ao placar. Só acredita na bola, em mais ninguém. Surdo a Deus, ao Diabo, aos matemáticos.

→ Raçudo: aquele que confunde a partida com sua vida, e ressuscita por teimosia. Por orgulho. Porque não aceita se entregar à fatalidade.

→ O que vai suar enquanto os demais descansam; o que vai sangrar enquanto o mundo recém acorda; o que vai morrer para mostrar que é possível estar de volta.

→ Leva qualquer resultado como pessoal. Uma derrota é ofender sua família. Gosta de cair para voar mais rápido. Não há como tirá-lo do campo, contundi-lo, não aceita substituição, reclama da lentidão de seu próprio anjo da guarda, não abandona o time na mais absoluta desvantagem, é o que buscará a bola dentro das traves para recomeçar a luta no meio de campo.

→ É mítico por se expor à fraqueza. Foi provado pelo destino e não sucumbe às adversidades. Tudo fracassou e ele corre para a glória.

→ Será o goleiro que falha durante os noventa minutos e se redime nas cobranças de pênaltis.

→ Será o atacante que erra um gol feito e exorciza as redes nos acréscimos.

→ Será o reserva que entra no segundo tempo, sob vaias, e nos conduz à euforia de urros.

→ Um jogador não se torna ídolo por ser craque, mas pela raça.

→ A raça é quando o jogador torce e a torcida joga. É a admiração eterna da arquibancada,

(Revista do Inter – 2016 – Edição 115)



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