sexta-feira, 6 de maio de 2016

No ar, o Repórter Esso




O mais famoso noticiário de todos os tempos, o Repórter Esso, estreou no rádio no dia 28 de agosto de 1941. Foi o primeiro noticiário de radiojornalismo do Brasil, comandado pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Patrocinado pela empresa norte-americana sediada no Brasil, Standard Oil Company of Brazil, o Repórter Esso se especializou em divulgar, principalmente, notícias sobre a evolução das guerras travadas pelos Estados Unidos em todo o mundo.

O locutor


→ O locutor Heron Domingues apresentou o programa durante 18 anos. Os slogans “Repórter Esso, o testemunha ocular da história” e “Repórter Esso, o primeiro a dar as últimas” ficaram famosos em sua voz.

→ Heron Domingues nasceu na cidade de São Gabriel no estado do Rio Grande do Sul e aos 16 anos teve a ideia de ser cantor e foi participar de um concurso de calouros na Rádio Gaúcha, em Porto Alegre.

→ Era um domingo do mês de dezembro de 1941, dia escolhido pelos japoneses para bombardear Pearl Harbour, no Havaí.

→ Na ausência do locutor da rádio, Domingues foi lançado às pressas aos microfones e deu a notícia em primeira mão.

→ Não participou do concurso, mas saiu da rádio empregado.

→ Em 1944, mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a trabalhar na Rádio Nacional, onde, no programa “Repórter Esso”, transmitia a informação “como se estivesse numa trincheira”, como costumava dizer.

→ Ele mesmo relataria: “Trabalhei no Repórter Esso de 1944 a 1962, sem um dia de folga. Levantava-me ás 6 h 45 min e voltava para casa à 1 h 30 min da madrugada.

→ Nos períodos críticos, dormia na rádio, que tinha uma cama na redação.

→ Para se ter uma ideia da época conturbada em que vivíamos, no período em que fui locutor do Esso, houve no Brasil dez presidentes da república.

→ Durante a guerra, dormia na Rádio Nacional com um fone no ouvido, diretamente ligado a UPI.

→ Sempre que havia uma notícia importante, eles me despertavam, eu mesmo colocava a emissora no ar e transmitia a notícia.

→ Para o fim da guerra, preparamos uma audição especial do Repórter Esso, em que a notícia seria dada fundida com o repicar de sinos.

 → Com medo de me emocionar muito diante do microfone, gravei o início da transmissão: “Atenção! Atenção! Acabou a guerra”.

→ Acampado no estúdio da carioca Rádio Nacional, Heron Domingues, o Repórter Esso, aguardava sôfrego pelo telegrama que confirmaria o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

→ Deveria fazer jus ao apelido a ele atribuído, “o primeiro a dar as últimas” e não arredaria pé da rádio até que anunciasse as boas novas.

→ Após passar Natal, Ano-Novo e Páscoa em alerta, os colegas insistiam para que ele fosse descansar em casa.

→ Aceitou o conselho a contragosto e, para sua decepção, foi em casa que o radialista soube do fim do armistício, pela emissora concorrente.

→ Para consolo, sua credibilidade ressoou: “Se o Repórter Esso ainda não deu, não deve ser verdade”, comentava-se pelo País.

→ Só depois que empostou sua inconfundível voz ao microfone é que a notícia ganhou veracidade.

→ A notícia foi ao ar às onze horas da manhã do dia 7 de maio de 1945.

→ Heron era a própria testemunha ocular da história, do slogan utilizado pelo famoso jornal.

→ Em 1962, já no Rio, foi comentarista internacional de “A Imprensa” e de “A Noite”, redator da United Press e locutor dos jornais cinematográficos da Atlântida.

→ Estagiou durante três anos nas grandes redes de TV americanas.

→ Uma das melhores vozes do rádio, quando transferiu-se para a televisão fez um regime para perder 20 quilos, mudou o guarda-roupa e o corte do cabelo, tudo para aprimorar o visual.

→ Tinha o costume de ligar para as embaixadas a fim de confirmar a pronúncia de nomes estrangeiros e retificava os textos entregues pelos redatores para que ele os apresentasse.

→ Cinco notícias que lhe causaram maior emoção:
- o lançamento do primeiro satélite artificial em órbita terrestre;
- o fim da II Guerra;
- a conquista pelo Brasil da Copa do Mundo de 1958;
- o lançamento da bomba atômica em Hiroshima;
- o suicídio do presidente Vargas que, segundo suas palavras, o levou às lágrimas.

→ O jornalista faleceu aos 50 anos, em 9 de agosto de 1974.

→ Acreditava que a voz era dádiva de Deus e não se preocupava em preservá-la.

→ Boêmio, ele bebia e fumava em excesso.

→ Depois do expediente, era comum lotar a casa de amigos para notívagos bate-papos.

→ Quando as visitas partiam, virava-se para a esposa, a jornalista Jacyra Domingues, e dizia: “Já faz muito tempo que estou em casa, vamos sair para dançar.”

→ Uma equipe médica estudou a voz de Domingues por dez anos e nenhuma alteração foi observada, um fenômeno.
“Bebo e fumo em excesso”, disse ele.
“Pois continue bebendo e fumando”, teriam lhe aconselhado os médicos.

→ Foi o primeiro apresentador de tevê, quando ingressou na TV Tupi, em 1961.

→ Desde 1972, estava na TV Globo, eufórico para anunciar com exclusividade a renúncia do ex-presidente americano Richard Nixon, sem imaginar que seria seu último noticiário.

→ Poucas horas depois, amigos acreditam que Domingues foi vencido pela emoção e por isso morreu dormindo, vítima de um ataque cardíaco, em 09 de agosto de 1974.

→ Causa da Morte: Heron Domingues morreu dormindo em 09/08/1974 com 50 anos de idade em sua residência no Rio de Janeiro, devido à ocorrência de infarto.

→ Sepultamento: O corpo de Heron Domingues foi sepultado no dia 10/08/1974 no Cemitério São João Batista no Rio de Janeiro. Rua General Polidoro, s/n - Botafogo. Cidade do Rio de Janeiro - RJ - Brasil.

(Do Blog Obituário da Fama)


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