quinta-feira, 16 de junho de 2016

Conselho às Marias


Eu tenho falado em minhas crônicas em uma dona chamada Maria e tenho dito que, se tivesse que dividir meus direitos com minhas inspiradoras, essa levaria uma grande parte. Porque foram muitas as músicas que ela me inspirou. Uma das que eu fiz para ela, há mais de vinte anos, continua fazendo sucesso até hoje. Esta música chama-se Maria Rosa. Eu exagerei um pouco quando fiz esta letra, pois aquela parte onde eu digo que a encontrei nas portas pedindo pedaços de pão foi para dar força ao meu verso, mas a maioria das palavras que eu digo é a pura realidade, e vou contar o porquê. Pouco tempo depois de havermos brigado, Maria foi acometida de uma doença que lhe fez cair os cabelos e o pouco que ficou em sua cabeça embranqueceu. Aquela beleza de mulher de uma hora para outra ficou que parecia uma velha e, como sempre acontece nesses casos, seus apaixonados sumiram e ela começou a sentir o efeito de seus deslizes. Não podia me procurar naquele estado, porque seria humilhante. Por isso encarregou uma de suas amigas para fazê-lo. Eu deixei de aproveitar a ocasião para dizer-lhe algumas verdade e perguntar por seus admiradores, que tanto me incomodavam. Graças a Deus ela ficou boa, apesar de nunca mais ter voltado à sua forma ideal. E foi para exemplo das outras Marias, que se julgam adoradas por todos os homens, que eu fiz esta música, juntamente com Alcides Gonçalves, e que gosto de cantar para todas as mulheres que usam demais a sua vaidade. 

Lupicínio Rodrigues


Maria Rosa

Vocês estão vendo
aquela mulher de cabelos brancos,
vestindo farrapos,
calçando tamancos,
pedindo nas portas
pedaços de pão.

A conheci quando moça,
era um anjo de formosa.
Seu nome é Maria Rosa,
seu sobrenome, Paixão.
Os trapos de suas vestes
não é só necessidade
cada um representa pra ela
uma saudade:
De um vestido de baile,
ou de presente talvez
que um de seus apaixonados lhe fez.

Quis certo dia Maria
pôr a fantasia de tempos passados,
ter em sua galeria
novos apaixonados.
Essa mulher que outrora,
a tanta gente encantou
nem um olhar teve agora,
nem um sorriso encontrou,
e então dos velhos vestidos
que foram outrora sua predileção
mandou fazer uma capa de recordação.

Vocês Marias de agora
amem somente uma vez
pra que mais tarde esta capa
não sirva em vocês. (bis)

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