segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Boca de Matildes

Boca de Matildes é uma expressão bem antiga originada e muito empregada no Rio de Janeiro. Resumindo, quem está com o nome na Boca de Matildes está literalmente ferrado!


Mexericos da Candinha? Boca de Matildes? Essas expressões já podem se aposentar. A fofoca atual não escolhe gênero, ao contrário do que ocorria no passado, quando o campo de atuação da maioria das mulheres se limitava ao lar e as Amélias de plantão comentavam os últimos escândalos com as vizinhas. Hoje, com boa parte delas trabalhando fora, os dois sexos se valem do diz-que-diz-que para bisbilhotar a vida alheia, destruir reputações e até subir na carreira.

Esse último aspecto é primordial para entender a continuidade da futrica como prática cultural. Ela é um mecanismo de sobrevivência comprovado e bem-sucedido. Um dia, ajudou as pessoas a se proteger do arbítrio dos poderosos e representou uma arma contra eles. Agora, sob a forma de lendas urbanas, esses comentários alertam para os perigos do modo de vida contemporâneo. A longa trajetória da fofoca, tão antiga quanto os homens das cavernas.

Não vá em boca de Matildes

Aí, hein?
(Lamartine Babo e Paulo Valença)

Aí, hein, pensas que eu não sei?
Toma cuidado, pois um dia
Eu fiz o mesmo e me estrepei.
Aí, hein, pensas que eu não sei?
Sou camarada, faz de conta que eu não sei.

Menina que chega em casa
Às quatro da madrugada,
E quanto mais a escada vai subindo,
Na boca do vizinho vai caindo...

Aí, hein, pensas que eu não sei?
Toma cuidado, pois um dia
Eu fiz o mesmo e me estrepei.
Aí, hein, pensas que eu não sei?
Sou camarada, faz de conta que eu não sei.

Velhota, dos seus sessenta,
Na praia, toda inocente,
Brincando com as crianças lá na areia
Vai pondo areia nos olhos da gente!



Nenhum comentário:

Postar um comentário