sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Como um engenheiro conta história para o filho dormir



O filho quer dormir e pede ao pai (engenheiro) para contar uma história, e ele conta a dos três porquinhos.

 Meu Filho, era uma vez três porquinhos, P1, P2 e P3, e um Lobo Mau, por definição, LM, que os vivia atormentando.

P1 era sabido e já era formado em Engenharia.

P2 era arquiteto e vivia em fúteis devaneios estéticos, absolutamente desprovidos de cálculos rigorosos.

P3 fazia Estilismo e Moda na ECA.

LM também era um megainvestidor imobiliário sem escrúpulos e cobiçava a propriedade que pertencia aos Pn (porquinhos), visto que o terreno era de boa conformidade geológica e configuração topográfica, localizado próximo à Granja Viana.

Mas, nesse promissor perímetro, P1 construiu uma casa de tijolos, sensata e logicamente planejada, toda protegida e com mecanismos automáticos.

P2 montou uma casa de blocos articulados feitos de mogno, que mais parecia um castelo lego.

Enquanto P3 planejou no Autocad e montou ele mesmo, com barbantes e isopor como fundamentos, uma cabana com teto solar, e achava aquilo “o máximo”.

Um dia, LM foi até a propriedade dos suínos e disse, encontrando P3:

 Uahahhahaha, corra, P3, porque vou gritar e vou gritar e chamar o CREA para denunciar sua casa de isopor e palha projetada por um formando em Comunicação e Expressão Visual!

Ao que P3 correu para sua amada cabana, mas, quando chegou lá, os fiscais do CREA já havia posto tudo abaixo.

Então P3 correu para a casa de P2.

Chegando lá, encontrou LM à porta, batendo com força e gritando:

 Abra essa porta, P2, ou vou gritar, gritar e gritar e chamar o Greenpeace para denunciar que você usou madeira nobre de áreas não-reflorestadas e areia de praia para misturar no concreto.

Antes que P2 alcançasse a porta, esta foi posta abaixo por uma multidão ensandecida de ecochatos maconheiros que invadiram o ambiente, vandalizaram tudo e ocuparam os destroços, pixando e entoando palavras de ordem.

Ao que segue, P3 e P2 correram para a casa de P1. Quando chegaram à casa de P1, este os recebe, e os dois caem ofegantes na sala de entrada.

P1: ‒ O que houve?

P2: ‒ LM destruiu nossas casas e desapropriou os terrenos.

P3: ‒ Não temos para onde ir. E agora, que eu farei? Sou apenas um formando em Estilismo e Moda!

Enquanto isto, LM grita:

LM: ‒ P1, abra essa porta e assine este contrato de transferência de posse de imóvel, ou eu vou gritar e gritar e chamar os fiscais do CREA em cima de você! E, se for preciso, até aquele tal de CONFEA.

Como P1 não abria (apesar da insistência covarde do porco arquiteto e do... do... estilista), LM chamou os fiscais. Quando estes lá chegaram, encontraram todas as obrigações e taxas pagas e saíram sem nada arguir. Então, LM gritou e gritou pela segunda vez, e veio Greenpeace, mas todo o projeto e implementação da casa de P1 era ecologicamente correta.

Cansado e esbaforido, o vilão lupino resolveu agir de forma irracional (porém supercomum nos contos de fada).

Ele, pessoalmente, escalou a casa de P1 pela parede, subiu até a chaminé e resolveu entrar por esta para invadi-la. Mas, quando ele pulou para dentro da chaminé, um dispositivo instalado por P1, ativou uma catapulta que impulsionou com uma força de 33.300 N (Newtons) LM para cima com uma inclinação de 32,3 em relação ao solo.

Este subiu aos céus, numa trajetória parabólica estreita, alcançando o ápice, onde sua velocidade vertical chegou a zero, a 1.200 metros do chão.

Agora, meu filho, antes que você pegue num repouso gostoso e o papai te cubra com este edredom macio e quente, admitindo que a gravidade vale 9,8 m/s, calcule:

a) a massa corporal do lobo;

b) o deslocamento no eixo 'x' do lobo, tomando como referencial a chaminé;

c) a velocidade de queda de LM quando este tocou o chão (considere o atrito pela resistência do ar).



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