segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Com bronca do português


Texto sobre trabalho vira exemplo do abismo 
entre a variante europeia e a nossa.

O trabalho é sagrado


Original Lusitano

O chefe estava bera comigo, já há uns dias que não punha os butes na redacção e ele não andava em maré de me aparar mais golpadas. Verdade seja que não era costume baldar-me muito, mas uma coisa é o que nós pensamos, outra o que os outros pensam, sobretudo quando os outros fazem parte dessa espécie que responde à palavra chefe. Ia a subir o Chiado a morder com os botões e a manejar a cabeça com mais ou menos perícia, a ver como me havia de livrar do certo raspanete. Era pior que uma ressaca de licores com algumas cervejolas pelo meio. Pensava ir a uma bica na Brasileira para animar os ânimos e entusiasmar a polémica que, de certeza, certezinha, era fatal, lá tinha de ser, estava à minha espera. Com uma tão bela manhã era chato não estar muito virado para a apreciar.



Versão Nacional

O chefe estava uma arara comigo, já há alguns dias que eu não eu dava as caras na redação e ele não estava a fim de me segurar mais a barra. É bem verdade que não mera meu costume voar muito, mas uma coisa é o que nós pensamos, outra o que os outros pensam, principalmente quando os outros fazem parte dessa espécie que atende pela palavra chefe. Ia subindo o Chiado a ruminar com os meus botões e a dar tratos à bola com mais ou menos criatividade, para ver como ia me livrar da bronca garantida. Era pior do que uma ressaca de licor com algumas cervejotas no meio. Pensava em ir tomar um cafezinho na Brasileira para criar ânimo e enfrentar a discussão que, com certeza, certíssima, era fatal, garantido, estava à minha espera. Com uma manhã tão bonita era chato não estar muito a fim de apreciá-la





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