terça-feira, 11 de outubro de 2016

Cortes Marciais Famosas



Alfred Dreyfus (1839-1935)

“Ser um homem honesto não consiste apenas em ser incapaz de roubar uns tostões do bolso do vizinho; ser um homem honesto, eu digo, é poder sempre olhar-se no espelho, que não esquece, que tudo vê, que tudo conhece, é poder encarar, numa palavra, a própria consciência, com a certeza de ter cumprido com seu dever, sempre e em qualquer lugar. Esta certeza eu a tenho.”

Alfred Dreyfus


Para um judeu francês de origem camponesa, Dreyfus era uma raridade. Superara grandes obstáculos para tornar-se um oficial de carreira, no Estado-Maior do Exército. A França, de 1890, fervilhava de agitação interna. E foi nesse caldeirão de incerteza que Martin Brucker, um espião para a seção de estatística do Estado-Maior, lançou uma tremenda bomba: uma carta assinada com a inicial “D” e roubada da Embaixada Alemã. O documento indicava claramente que havia um espião operando dentro do próprio Estado-Maior Francês.

Do Ministro da Guerra, General Auguste Mercier, aos oficiais de patente mais baixa, ninguém tinha a menor ideia da identidade do espião. E era inconcebível procurar o espião entre os oficiais franceses, bem-nascidos. Assim, Alfred Dreyfus era o perfeito bode expiatório. Era um estranho, um judeu... e seu nome começava com a letra “D”.

A Corte Marcial

O julgamento começou a 19 de dezembro de 1894, num velho palácio de iluminação a gás, na Rue Cherche-Midi. Estavam presentes sete oficiais superiores, atuando como juízes, além do General Charles Gonse, Subchefe do Estado-Major, Major Du Paty de Clam, Major Georges Picquart, observador para Auguste Mercier, Alfred Dreyfus e seu advogado, Edgar Demange. A acusação: alta traição. A prova: mentiras, rumores e uma carta supostamente escrita por Dreyfus.

Picquart advertiu a Mercier que as provas da acusação não resistiriam à contestação. Mercier ficou preocupado. A seção estatística começou a trabalhar. Foi preparado um “arquivo secreto”, que continha provas irrefutáveis de homens em altos postos no governo, cujos nomes não podiam ser revelados, por uma questão de segurança nacional. O documento forjado era tão bem feito e foi tão dramaticamente apresentado no julgamento que a decisão dos juízes foi unânime, Alfred Dreyfus foi declarado culpado e condenado à prisão na Ilha do Diabo.

Os jornais ficaram deliciados. Pelas ruas de Paris, ecoavam as vozes do povo francês:

 Traidor! Covarde! Morte ao judeu nojento!

Depois de 12 anos de incessantes esforços da esposa de Dreyfus, Lucy, do irmão dele, Mathieu, do político francês Georges Clemenceau, do escritor Èmile Zola (Eu Acuso) e de outros, Dreyfus foi finalmente absolvido.

O Significado

A corte marcial de Alfred Dreyfus demonstrou o poder dos militares de condenar injustamente. Apesar de muitas reformas terem sido efetuadas desde então, as palavras famosas de Clemenceau ainda são válidas:

“A justiça militar é para a justiça o que a música militar é para a música.”



(Do livro “Almanaque Para Todos”,
de Irving Wallace & Davi Wallechinsky)



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