quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O primeiro golpe da gravidez no governo do Brasil




D. Pedro I  por William Medeiros



Nos últimos anos, a imprensa em geral tem dado grande destaque a uma série de escândalos particulares de diversas personalidades no Brasil e no mundo.

Um desses descalabros prediletos pela mídia é o chamado “golpe da gravidez”, que é praticado basicamente por belas jovens de amplos dotes físicos, mas de estreita moral, e que procuram dormir com atores, artistas, desportistas, enfim, qualquer figura endinheirada, com o fito dela engravidar e cobrar na justiça milionárias pensões para seus rebentos, claro, tudo devidamente amparado cientificamente pelo moderno teste de DNA.

Essas mães, mais preocupadas com o dinheiro que vão embolsar, nunca pensam no que pode passar pela cabeça de seus espúrios filhos quando crescerem, até porque nem lhes interessam esse pormenor.

O que importa é dar uma “facada” nas finanças do incauto, que passa a pagar pensão não para os inocentes bebês, mas para sustentar o luxo das impudentas mães.

Pois bem, poucos sabem que o estratagema remonta, no caso brasileiro, a 1828; e o incauto, nesse caso, foi o Imperador D. Pedro I, e quem pagou a conta, adivinhem? Foi o povo brasileiro!

Pudera, nosso primeiro monarca foi um grande conquistador de corações e exímio fazedor de filhos, bastando dizer que, em quinze anos de vida sexual ativa, D. Pedro I foi pai de 28 filhos, dez em seus dois matrimônios e dezoito fora dele.

Até a quituteira negra do Palácio de São Cristóvão teve a honra de uma gravidez real, como também uma freira, na Ilha Terceira!

Entretanto, o caso mais rumoroso e caro foi, sem dúvidas o de Dª Clemência Saisset.

Em 1828, a rua mais importante do Rio de Janeiro era a do Ouvidor, local onde existiam as casas comerciais mais refinadas da cidade, em geral de propriedade de franceses.

D. Pedro I, quando vinha de São Cristóvão para o Paço da Cidade, na atual Praça XV, passava com sua carruagem por ela e, com certeza, observava o animado comércio e, principalmente, as modistas francesas ali estabelecidas, com as quais não poucas vezes teve casos amorosos.

Ultimamente, sua atenção estava voltada para a casa n°. 98, defronte à Rua Nova do Ouvidor (atual Travessa do Ouvidor) um fino estabelecimento de modas e papéis pintados de Bernardo Wallenstein & Companhia.

Mas sua atenção não era dirigida às roupas ou papéis de parede ali exibidos, nem era a figura do solteirão Bernardo ou de seu sócio, Pierre Joseph Félix Saisset, mas sim à bela figura da esposa do segundo, Dª Clemência Saisset, née Mëes, modista e bela mulher de vinte e cinco anos e já mãe de dois filhos, o último deles nascido em março daquele ano.

D. Pedro I percebeu que a jovem lhe correspondia e concebeu engenhoso plano para conquistá-la. Contratou Pierre Félix para colocar papéis de parede em todo o Paço de São Cristóvão. Enquanto o marido colocava os papéis nos salões imperiais, D. Pedro colocava-lhe chifres!

De certa feita, Pierre Félix retornou mais cedo para casa e veio a encontrar D. Pedro I totalmente despido em sua cama!

A esposa o convenceu que nosso imperador havia sofrido uma queda de um cavalo defronte a casa, e Dª Clemência, fazendo jus ao nome, o recolhera e despira (tudo no maior respeito, é claro...) para aplicar uma massagem de socorro. O marido fingiu acreditar, pois logo percebeu o quanto poderia lucrar com a situação. D. Pedro inclusive o autorizou posteriormente a colocar uma placa na fachada da casa, indicando o negócio de papéis pintados ser “Fornecedor da Casa Imperial”, motivo de muita gozação entre os vizinhos.

Em novembro, Dª Clemência engravidou de D. Pedro e, para o escândalo não aumentar, no dia 30 de dezembro de 1828 o casal Saisset partia para a Europa, não sem antes ter todo seu negócio indenizado a peso de ouro pelo Imperador, recebendo Dª Clemência, dentre muitos presentes e dádivas, um saque de setenta e cinco mil francos e um título de pensão vitalícia.

De quebra, D. Pedro ainda prometeu pagar a educação do pimpolho com mesada régia, à custa dos contribuintes. Em Paris, às seis horas da tarde do dia 23 de agosto de 1829, à rua Bergère, n°. 17 bis; nasceu um menino, que passou a chamar-se Pedro de Alcântara Brasileiro, oficialmente filho de Pierre Saisset, antigo oficial de cavalaria francesa, de 32 anos; e de Dª Clemência Saisset.

Durante a gravidez da esposa, tanto o Sr. Pierre, bem como Dª Clemência endereçaram muitas cartas ao Imperador e a seus procuradores, todas tratando de dinheiro, é claro. Os Saisset depois se mudaram para a Avenida de Sceaux, n°. 2, em Versailles, onde granjearam fama na sociedade local, tendo o casal feito larga propaganda do filho tido com o Imperador do Brasil, fato que o próprio Sr. Saisset alardeava como de grande mérito. Costumava Dª Clemência exibir aos amigos e visitantes os presentes oferecidos a ela pelo Imperador do Brasil, em especial um papagaio falante, bem como toda a correspondência amorosa de ambos.

Entretanto, a renúncia do Imperador ao trono do Brasil, ocorrida a 07 de abril de 1831, bem como a morte precoce de D. Pedro, em Lisboa, a 26 de setembro de 1834 interromperam a remessa de dinheiro ao casal, fato que não passou sem poucos protestos.

Após alguns anos, a Imperatriz viúva, Dª Maria Amélia, concedeu uma pequena pensão à criança, por alguns anos.

Pedro de Alcântara Brasileiro foi educado num dos melhores colégios de Paris, o liceu “Louis le Grand”, e se bacharelou em letras.

Casou-se e foi pai de duas meninas, indo afinal residir em San José de Guadalupe, São Francisco, Califórnia. Em outubro de 1864 recebeu a notícia do falecimento da mãe, morta aos 61 anos.

Só então, por meio do advogado da família, recebeu uma pasta de documentos e veio a saber que era filho do ex-Imperador do Brasil.

Pedro de Alcântara enviou então uma missiva ao seu meio-irmão brasileiro, nada mais nada menos que o Imperador D. Pedro II, pedindo uma ajuda de custo para a educação de seus dois filhos, haja vista que sua mãe, a finada Dª Clemência, havia torrado toda a fortuna da família em luxos e superfluidades. O Imperador não retornou a correspondência e o assunto morreu. Alguns anos depois, em 26 de agosto de 1877, quando D. Pedro II esteve em Londres, um dos filhos de Pedro de Alcântara, o Capitão de Fragata Ernest de Saisset tentou se encontrar com o Imperador, sem sucesso. E tudo ficou assim.


Texto histórico: Internet



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