terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O Privilégio do Batuque





Um panorama do centenário do samba
em dez canções inesquecíveis


01. Feitio de Oração, de Noel Rosa e Vadico (1933)

“Batuque é um privilégio”, diz a letra, e Noel Rosa talvez tenha sido o mais privilegiado: tem canções para fechar a lista sozinho. Feitio de Oração parece no topo por sua reflexão lírica sobre o torvelinho de emoções que estão associadas ao samba: “Sambar é chorar de alegria/É sorrir de nostalgia/Dentro da melodia”. O samba, diz ainda, não vem do morro nem da cidade: “nasce do coração”.

Melhores gravações: Francisco Alves, de 1933; e Luiz Melodia e João Nogueira, de 1991.

02. Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida (1916)

Tornou-se marco do aniversário do samba.

Melhores gravações: Baiano e Banda da Casa Edison (1916); e Martinho da Vila (1973).

03. As Rosas Não Falam, de Cartola (1976)

Melodia tristonha, de versos melancólicos. Poesia do samba.

Melhores gravações: Cartola e Beth Carvalho, ambas de 1976.

04. A Flor e o Espinho, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito (1957).

“Tire o seu sorriso do caminho/Que eu quero passar com a minha dor.” Versos tremendos.

Melhor gravação: Elizeth Cardoso (1965).

05. Chega de Saudade, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes (1959).

Uma síntese da bossa nova.

Melhor gravação: João Gilberto (1959).

06. Vai Passar, de Chico Buarque e Francis Hime (1984)

O samba narra, com a poesia magistral do autor, a bagunça nacional.

Melhor gravação: Chico Buarque (1984).

07. Foi um rio que passou em minha vida, Paulinho da Viola (1970).

Declaração de amor à Portela, do mais elegante dos sambistas.

Melhor gravação: Paulinho da Viola (1970).

08. O Samba da Minha Terra, de Dorival Caymmi (1940).

“Quem não gosta de samba bom sujeito não é/É ruim da cabeça ou doente do pé.”

Melhor gravação: Novos Baianos (1973).

09. Desde que o samba é samba, de Caetano Veloso (1993).

Reflexão melancólica sobre o samba.

Melhor gravação: Caetano Veloso e Gilberto Gil (1993).

10 Bumbum Paticumbum Prugurundum, de Aluísio Machado e Beto Sem Braço.

Um grande samba-enredo, que deu o título do Carnaval de 1982 à Império Serrano.

Melhor gravação: Mestre Marçal (1988).



(Da revista Veja, novembro de 2016)





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