quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Todo cuidado é pouco


(Delegado Jorge Lordello, autor do livro Como conviver com a violência dá dicas de como sobreviver na selva urbana.)


Prepare sua carteira: Evite andar com vários cartões de crédito e de banco. Ter muitos cartões aumenta o risco de sofrer um sequestro relâmpago. “O bandido vai querer sacar todos, por isso é aconselhável fazer um rodízio de cartão de crédito e deixar o do banco em casa.”, explica. “Muitas vezes, a pessoa tem o hábito de realizar vários saques pequenos para as despesas do dia-a-dia. Sugiro um saque um pouco maior para evitar idas frequentes a caixas eletrônicos.” Vários documentos também podem ficar em casa, como o título de eleitor e o CIC. “Atualmente, a nova carteira de habilitação substitui a de identidade. Mas como, infelizmente, alguns policiais ainda não sabem disso, tenha sempre uma cópia do RG.” Outro documento que pode ser cópia é o do carro: “Mas com um detalhe: a autenticação deve ser do Detran ou Ciretran”.


Lar, doce lar: Ao sair para o trabalho, não custa verificar se não há alguém suspeito na rua. Se o carro estiver estacionado na calçada, veja se há alguém por perto e evite ir com as chaves na mão. Ao chegar do trabalho, tenha a certeza de que ninguém está próximo ao portão de entrada. “Às vezes, o motorista embica o carro na calçada e atrapalha a passagem de um pedestre. Se for um marginal, é a chance que ele tem para a abordagem. Lembre-se que nesse caso você está parado ou parando”. Diz o delegado.


Cartões de visita: Lordello aconselha que os executivos tomem cuidado com seus cartões de visitas. Aparentemente inofensivos, esses papéis fartamente distribuídos podem causar problemas se caírem em mãos erradas. “Evite colocar muitas informações, como endereço e vários números de telefone, até mesmo de celular. Deixe apenas seu nome e o telefone comercial. Em alguns casos, até sugiro que não se coloque o cargo ou o nome da empresa, pois podem sugerir que a pessoa ganha muito bem”, diz. “Qualquer informação que queira acrescentar, escreva-a no verso do cartão antes de entregá-lo para outra pessoa.”


Pegadinha: Na rua, o conselho é o mesmo das nossas avós: não conversar com estranhos. “Na pesquisa, pude notar que boa parte dos assaltos acontece quando a vítima estava parada ou parando. É a tática mais comum para desviar a atenção. Costumo brincar dizendo que quem dá ouvidos a estranhos na rua corre o risco de ser assaltado ou de participar de uma pegadinha de TV.” Nesses casos, ao perceber que algum estranho vem e sua direção, simplesmente mude seu trajeto.


Ruas calmas: Quando o assunto é segurança nas ruas e avenidas, Lordello faz questão de diferenciar duas situações: a primeira é em locais sem movimento e a outra é no trânsito caótico das grandes cidades. “Se não tiver tráfego, é aconselhável que o motorista reduza a velocidade de acordo com o semáforo, de modo que dê tempo para passar por ele sem ter de parar antes da faixa”. explica. Ele conta o caso de um senhor que adotou essa tática em um bairro pouco movimentado de São Paulo: “Enquanto reduzia a velocidade, percebeu que uma senhora em outro carro o ultrapassou e ficou na posição de pole position, como chamo. De repente surgiu um marginal da esquina e anunciou o assalto. Assustada, ela deve ter esboçado alguma reação. O bandido a matou com um tiro nas costas. “Essa tática serve para quem dirige de madrugada. “Ao atravessar um sinal vermelho, a pessoa corre o risco de levar uma multa ou de causar um acidente”, observa.


Trânsito caótico: Quando o trânsito é pesado, Lordello aconselha que o motorista fique na faixa da direita, para evitar aproximação pela janela do lado do motorista. “Fiz um desenho de um cruzamento e coloquei alguns carros parados à espera de o sinal abrir. Mostrei-o a vários assaltantes e pedi que me indicassem quais seriam os alvos. Não deu outra: os que estavam na primeira fila da esquerda”, conta. No trânsito, em geral, o delegado sugere que o condutor procure parar nas faixas do meio ou da direita e deixar um espaço de dois carros antes da faixa de pedestres. “Não se preocupe se quem estiver no carro de trás buzinar. Em alguns casos, ele não terá certeza de que você deixou essa distância e o carro do lado não vai fazer isso, uma vez que está vendo você e até porque fica com vergonha”, comenta. Outra sugestão é andar com vidros fechados e, se possível, com aquela película que reveste os vidros, tornando-os mais escuros. “Com isso, ninguém vai saber se você está sozinho ou não.”




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