quarta-feira, 19 de abril de 2017

Michelangelo,

O menino que passou três anos num palácio


Quando ainda era criança, Michelangelo Buonarroti pensava mais em desenhar do que em qualquer outra coisa. Seu pai mandou-o para a escola, mas Michelangelo não gostava de livros e, por isso, não quis estudar. Durante a aula, frequentemente, fazia desenhos nos livros.

– Quero aprender a desenhar – dizia.

Seu pai se zangava com isto.

‒ Não quero que você seja artista, meu filho – respondia. ‒ Os artistas ganham pouco dinheiro e eu não quero que você se torne um deles.

Mas o pobre Michelangelo não ambicionava ter muito dinheiro. Queria apenas aprender a desenhar bem e não podia tirar esta ideia da cabeça.

‒ Prefiro fazer isto a qualquer outra coisa – disse ao pai.

Michelangelo tinha um amigo que conhecia um grande artista. Muitas vezes este artista permitia que os dois meninos o olhassem pintar. Isto deixava Michelangelo mais ansioso do que nunca.

Um dia o grande artista procurou o pai de Michelangelo e disse:

‒ Eu lhe pagarei pelo trabalho do menino se o senhor deixá-lo estudar comigo.

O pai concordou e, deste modo, Michelangelo estudou com o artista durante três anos.

Nessa ocasião, vivia aí um príncipe que adorava estátuas bonitas. Ele as apreciava tanto que mandou emissários a todas as partes do mundo comprar as melhores que houvesse. Esse príncipe tinha um bom coração, e pensou que devia proporcionar aos outros o raro ensejo de poder apreciar uma bela coleção de obras de arte.

A todos os professores de desenho da cidade mandou o seguinte aviso:

– Escolha seus dois melhores alunos e mande-os estudar minhas estátuas. Um professor de minha confiança os ajudará.

Todos os alunos de desenho na cidade de Florença queriam ver as estátuas do príncipe; mas, apenas dois poderiam ser escolhidos, de cada classe.

Certo professor tinha dois alunos inteligentes. Eram grandes amigos, e ambos desenhavam muito bem. Não foi difícil para esse professor proceder à seleção. Michelangelo e seu amigo foram os escolhidos.

Vocês podem ter a certeza que naquele dia havia muitos meninos contentes em Florença. E Michelangelo era o mais alegre de todos. Ver obras de arte e poder estudá-las, eram coisas que sempre o alegravam.

Durante a visita ao príncipe, Michelangelo primeiramente passou o tempo desenhando. Mas um dia viu um menino modelando em argila. Michelangelo achou isso mais interessante do que desenhar e, pouco depois, estava também trabalhando em argila.

Certo dia, o príncipe chegou e viu Michelangelo fazendo uma cabeça de um fauno.

‒ Está muito boa – disse o príncipe. ‒ Mas você cometeu um engano. O fauno devia ter falta de um dente.

Michelangelo ficou calado. O príncipe retirou-se e, quando voltou, duas horas depois, o fauno tinha um dente de menos.

Michelangelo alterara a cabeça para torná-la como devia ser.

O príncipe ficou muito satisfeito.

‒ Vejo que você gosta de aprender – disse. – Venha morar comigo no meu palácio. Contratarei outro professor e você estudará com meus três filhos.

Outra vez Michelangelo era um menino feliz, e por três anos trabalhou no palácio, tendo príncipes por amigos. Agora passava a maior parte do tempo esculpindo em mármore, e suas obras tornavam-se cada vez mais bonitas. Não era sem razão que muita gente dizia:

‒ Algum dia Michelangelo ainda será um grande escultor!

Michelangelo já se encontrava no palácio, havia três anos, quando o generoso príncipe morreu. Michelangelo perdeu um bom amigo, mas não perdeu o amor ao seu trabalho. Continuou estudando sempre, até que se tornou um dos maiores escultores que já viveram.

O povo de Florença, Itália, tinha um enorme bloco de mármore. Um homem tentara esculpir nele um gigante, mas fracassara. O povo pediu a Michelangelo que fizesse qualquer coisa no bloco.

– Verei o que posso fazer – prometeu Michelangelo.

E durante dezoito meses entregou-se com ardor ao trabalho, esculpindo. Quando terminou, notava-se logo que um grande escultor fizera o trabalho. O enorme bloco estava transformado num rapaz, preparado para enfrentar um gigante. Era David, o pastor. Foram precisos quarenta homens para transportar a colossal, que pesava nove toneladas!


– Devemos pô-la no portão da nossa cidade – disse alguém. – É belíssima e ajudará a manter vigilância sobre nosso povo!

O povo de Florença assim o fez, e, por muitos anos, o pastor David contemplou serenamente aqueles que transpunham os portões da cidade.

Em outra ocasião Michelangelo esculpiu a estátua de Moisés, abaixo, que se encontra em Roma. Quando se chega diante dela, a gente tem a impressão de que ela vai falar, tal a perfeição das suas formas. 


Michelangelo esculpiu muitas outras estátuas. Uma é chamada “O Pensador”, abaixo, e está em Florença, Itália. Outra, é chamada “Dia e Noite”, e uma outra “Crepúsculo e Aurora”, ambas abaixo.


O pensador


Dia e Noite


Crepúsculo e Aurora

Michelangelo nem sempre foi escultor. De vez em quando ele se dedicava à pintura, tendo pintado belos quadros.

Existe em Roma uma grande igreja chamada São Pedro, no Vaticano. Essa igreja é dividida em várias partes, uma das quais é chamada de Capela Sistina. No teto dessa capela, há muitas pinturas, todas referentes a episódios bíblicos. Todas as pinturas foram realizadas por Michelangelo.

Se vocês viram alguém pintar o teto de uma casa, devem ter notado que isso é difícil. É muito mais fácil pintar paredes. Somente um grande artista poderia ter pintado aqueles quadros tão belos.

Se algum dia forem a Roma ou Florença, não deixem de ver as maravilhosas obras de arte de Michelangelo.


O teto da Capela Sistina, de “uma imaginação artística sem precedentes”.



(Do Almanaque do O Globo Juvenil de 1943)


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