sexta-feira, 28 de abril de 2017

Uma história de pontuação


Quem será o sucessor?


Morreu o prior de um convento e era preciso eleger o seu sucessor. Quem deveria escolher era um velho frade, respeitado pela idade e pelas suas virtudes. Para isso apresentaram-lhe uma lista tríplice: Frei Armento, Frei Xavier e Frei Canuto. O velho escreveu num bilhete sua escolha, mas deixou de colocar a pontuação e um acento. O papel caiu nas mãos dos três candidatos. Cada um deu a sua pontuação.

Frei Armento:

De Armento, Xavier, Canuto,
três frades de fama e tino,
quer-se saber qual destino
para governar em tudo
o convento Santo Higino.

Indicarei Frei Armento.
Não Xavier, cujo talento
compete com o dele em tudo.
Não prefiro Frei Canuto,
não: tem pouco entendimento:

Com esta pontuação estava escolhido Frei Armento.

Mas Frei Xavier corrigiu o irmão de ordem e deu sua pontuação:

De Armento, Xavier, Canuto,
três frades de fama e tino,
quer-se saber qual destino
para governar em tudo
o convento Santo Higino.

Indicarei Frei Armento?
Não. Xavier, cujo talento
compete com o dele em tudo.
Não prefiro Frei Canuto,
não. Tem pouco entendimento.

Então... estava aceito Frei Xavier.

Mas Frei Canuto também sabia pontuar... segundo seus interesses.

De Armento, Xavier, Canuto,
três frades de fama e tino,
quer-se saber qual destino
para governar em tudo
o convento Santo Higino.

Indicarei Frei Armento?
Não. Xavier cujo talento
compete com o dele em tudo?
Não. Prefiro Frei Canuto,
não tem pouco entendimento.

Os três desejavam ansiosamente o cargo de prior do convento.

E teriam as virtudes necessárias?

Depois de tudo isso o velho frade mostrou o seu parecer com a devida pontuação:

De Armento, Xavier, Canuto,
três frades de fama e tino,
quer-se saber qual destino
para governar em tudo
o convento Santo Higino.

Indicarei Frei Armento?
Não. Xavier, cujo talento
compete com o dele em tudo?
Não. Prefiro Frei Canuto?
Não. Têm pouco entendimento.


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