segunda-feira, 19 de junho de 2017

É bom lembrar Paixão Cortes



Paixão Côrtes, 1947, aos 20 anos, acendendo a 1ª Chama Crioula

Em uma espécie de desabafo, na apresentação da obra “Tradicionalismo Gauchesco Nascer, Causas & Momento”, na qual João Carlos Paixão Côrtes, o criador do tradicionalismo, do estudo e pesquisa sobre folclore gaúcho relata como, junto com outros jovens, decidiu que era hora de “preservar, desenvolver, proporcionar uma revitalização à cultura rio-grandense”. E dar um basta ao hábito de se consumir “especialmente as sobras militares de guerra que os norte-americanos procuravam nos meter goela abaixo”. Era o pós-guerra, em 1947. Paixão Côrtes, um jovem nascido em Santana do Livramento em 12 de julho de 1927 – portanto estará completando 90 anos neste 2017 – se juntou a outros como ele, vindos de pontos distantes dentro do solo gaúcho, para complementar seus estudos na Capital, onde eram até ridicularizados pelas bombachas, botas, ponchos e por sorver um mate!

“O culto à bandeira e ao hino rio-grandense fora esquecido”, relata. Por isso, nesses dias de festas juninas, às quais ele dedicou muitas obras, é importante lembrar o trabalho do pesquisador sobre a importância da dança, da música e dos trajes na cultura gaúcha. Nas pesquisas, sem gravadores, ele, Barbosa Lessa e Glaucus Saraiva, tinham que ouvir os mais velhos e guardar a música “de cabeça” até ter como reproduzir. Nas obras que escreveu – com recursos próprios, outras através do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, e algumas patrocinadas por empresas sensíveis ao tema – o folclorista, compositor, agrônomo e zootecnista Paixão Cortes aborda, entre outras, as festas de salão, dos galpões, manifestações folclóricas de tropeiros, religiosas e as Congadas da etnia negra, de Osório, do morro da Borússia.

Os mais jovens talvez nem saibam que foi ele, com quatro cavalarianos, do chamado grupo dos “oito” do colégio Júlio de Castilhos que, numa virada do dia 7 para o dia 8 de setembro de 1947, embeberam um pouco de querosene e gasolina numa vassoura e “colheram” uma centelha do Fogo Simbólico da Pátria, no Parque Farroupilha, e levaram até o Julinho. Avivaram a chama de um lampião. Estava criada a Chama Crioula. A mesma que, em todas as Semanas Farroupilhas, ilumina os candeeiros de prédios públicos e de todos os mais de 4 mil CTGs do Brasil e mundo afora. Ele criou o 35, o primeiro, em 1948. É tempo de comemorar Paixão, o gaúcho modelo à estátua do Laçador, símbolo de Porto Alegre.

(Jurema Josefa – jornalista, no Correio do Povo, junho de 2017)



Paixão Côrtes e Barbosa Lessa


A estátua do Laçador, o governador Brizola e o escultor Caringi,
em 1958.


A estátua do Laçador

→ O Laçador foi criado em 1954 pelo artista Antônio Caringi que se espelhou no jovem tradicionalista Paixão Côrtes.

→ O Laçador é um monumento que representa o gaúcho tradicionalista pilchado com o laço na mão, bota, bombacha, lenço, camisa e a guaiaca.

→ Os moradores de Porto Alegre participaram de uma campanha com eleição dentro do projeto “Porto Amado'” em busca de um símbolo que representasse a cidade de Porto Alegre. Essa votação foi feita pela RBS e pelo Banco Itaú. Teve muitas urnas espalhadas nas agências do Banco Itaú, postos, jornais Zero Hora, também nos  shoppings, nas feiras livres e até mesmo nas escolas.

→ Pela Lei Suplementar nº 279, de 17 de agosto de 1992, a Câmara Municipal de Porto Alegre, instituiu oficialmente o Laçador como símbolo de Porto Alegre e, em 2001, ele foi tombado como Patrimônio Histórico da cidade.

→ Entretanto, a estátua ficava em um lugar de destaque onde todos que entrassem na cidade de Porto Alegre poderiam vê-la.

→ Em 2007, após 48 anos, foi transferido do seu local antigo o Largo do Bombeiro para o Sítio Laçador para que pudessem construir o viaduto Leonel Brizola.

→ Muitos moradores reclamam do lugar onde está o Laçador agora por que eles dizem que o Laçador era o ponto de referência de Porto Alegre porque qualquer lugar que você quisesse ir você sempre dizia “dobra a direito do Laçador”, “passa pelo o Laçador”, “dobra a esquerda no Laçador”. Mas agora ele está escondido porque as pessoas não dizem mais o mesmo sobre o Laçador, porque ele não está mais tão à vista e isso deixou os moradores de Porto Alegre decepcionados.

Bibliografia sobre a escultura

“O Laçador - História de um Símbolo”, Porto Alegre: 35 CTG, 1994,
por Paixão Côrtes.


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