segunda-feira, 31 de julho de 2017

O quadro O Grito


Nota de Edvard Munch

→ “Certa noite”, conta o autor, “eu caminhava por uma via, a cidade de um lado e o fiorde embaixo. Sentia-me cansado, doente... O sol se punha e as nuvens tornavam-se vermelho-sangue. Senti um grito passar pela natureza; pareceu-me ter ouvido o grito. Pintei este quadro, pintei as nuvens como sangue real. A cor uivava.”


→ A pintura representa uma figura andrógina em um momento de profunda angústia e desespero existencial. A imagem que aparece como plano de fundo é a doca de Oslofjord, em Oslo, ao pôr-do-Sol. A fonte de inspiração da obra pode ser a vida pessoal do próprio pintor, educado por um pai controlador que teve de lidar, ainda enquanto criança, com a morte da mãe e de uma irmã.

→ Além de todo o drama que viveu enquanto jovem, Munch também passou por maus bocados quando adulto, após cortar relações com o pai para integrar a cena artística de Oslo. Ao contrário do que o jovem esperava, se envolveu com uma mulher casada e, por isso, teve de enfrentar ainda mais mágoa e desespero. Já no início da década de 1890 outra irmã, a sua preferida, foi diagnosticada com transtorno bipolar e internada em um hospital psiquiátrico.

→ Todos esses sentimentos de desespero ficam evidentes no quadro, que é considerado uma das obras mais importantes do movimento expressionista. A dor está presente não apenas na personagem como também no fundo, destacando que a vida não é a mesma para as pessoas que sofrem. A composição insere o observador no quadro e faz com que ele passe a ver o mundo disforme, o que afeta diretamente a participação do mesmo na obra.

Cinco curiosidades sobre a obra 'O Grito'

Por Andréia Martins

→ O pintor norueguês Edvard Munch é autor de uma das obras de arte mais importantes conhecidas do mundo: a obra O Grito, de 1893. Ícone do expressionismo, a pintura completou 120 anos em 2013. O Grito foi feito pelo artista aos 30 anos e retrata a angústia e o desespero.

→ A obra é comparada à Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci, por sua importância, e já foi usada em revistas, desenhos (Os Simpsons) e filmes (Pânico), além de ser homenageada por nomes como Andy Wahrol.

→ Para relembrar a data, o Saraiva Conteúdo separou cinco curiosidades sobre a obra:

1. UMA OBRA, QUATRO VERSÕES

→ Munch fez quatro versões da pintura, para ir substituindo as originais conforme elas eram vendidas. Elas foram feitas entre 1893 e 1910. Muitas outras cópias foram feitas ao longo dos anos. Três das originais podem ser vistas na Galeria Nacional de Oslo (onde está a tela original, feita com a técnica de óleo e pastel sobre cartão) e no Museu Munch (com duas telas), ambos na Noruega. A outra pertence a uma coleção particular.

2. A NATUREZA, A DONA DO GRITO

→ O artista se inspirou a pintar o quadro depois de caminhar com amigos em uma tarde quente em Oslo, capital norueguesa, onde observou as cores quentes no céu e, no mesmo momento, teve uma sensação de cansaço, de estar doente. Foi nessa hora que Much diz ter percebido “o grito da natureza”. Esse foi, na verdade, o título original dado para a obra.

3. UMA MÚMIA PERUANA COMO INSPIRAÇÃO?

→ Na ideia inicial, o quadro trazia apenas um homem de cartola, de costas para o observador, olhando para o céu. Só depois Munch decidiu inserir uma figura meio andrógina na cena, com uma expressão de desespero. Especialistas supõem que ela foi inspirada em uma múmia peruana que o pintor teria visto na exposição Universelle, em Paris, no final dos anos 1880. Ela foi enterrada em posição fetal, com as mãos ao lado do rosto. A mesma múmia também teria inspirado Paul Gauguin, artista e amigo de Munch, em duas de suas obras.

4. ROUBO CARA DE PAU

→ A obra original exposta na Galeria Nacional de Oslo foi roubada em 1994, em plena luz do dia. Os ladrões ainda deixaram um bilhete dizendo “obrigada pela falta de segurança”. Ela foi recuperada no mesmo ano.

5. PRIMEIRA EXPOSIÇÃO

→ O Grito foi exposto pela primeira vez em 1903 integrando uma série de seis peças chamada Estudo para uma Série: Amor, em Berlim, cidade alemã. A imagem da angústia e do desespero estampada no quadro encerrava a série. De acordo com Munch, o desespero seria “o resultado final do amor”.

*****

“Passeava com dois amigos ao pôr-do-sol – o céu ficou de súbito vermelho-sangue – eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a mureta– havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fjord e sobre a cidade – os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade – e senti o grito infinito da Natureza.”


Edvard Munch - 1921

Nascimento: 12 de dezembro de 1863, Ådalsbruk, Noruega; falecimento: 23 de janeiro de 1944, Oslo, Noruega.


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