sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Duas histórias chinesas



I

Honestidade Insincera

(Adaptação de uma lenda chinesa)

No reinado de Ts’u havia um jovem chamado Honesto. Seu pai roubou uma ovelha e ele foi avisar o juiz, que mandou prender o culpado e resolveu puni-lo. O jovem Honesto pediu para arcar com a pena em lugar do pai. E, no momento em que o castigo ia ser aplicado, dirigiu-se ao oficial:

– Quando meu pai roubou a ovelha e eu dei parte, não agi com honestidade? Quando meu pai ia receber o castigo, não estaria eu, como filho, honrando meu pai? Se forem punidos igualmente o honesto e o filial, quem haverá de não ser punido em todo o reino?

Ao ouvir essas palavras, o juiz soltou rapaz. Quando Confúcio ouviu a história, disse:

– Estranho! Um rapaz sujar o nome do pai para criar uma reputação para a própria honestidade! Se isso fosse honestidade, seria melhor ser desonesto.

II

Suspeita Injusta

(Adaptação de uma lenda chinesa)

Um certo homem perdeu um machado. Suspeitou imediatamente que o filho do vizinho o havia roubado. Assim que avistou o menino, teve a impressão de estar vendo um sujeito que acabara de roubar um machado; quando o ouviu falar, suas palavras soaram como as de alguém que acabara de roubar um machado. Todas a suas atitudes e gestos eram os de quem acabara de roubar um machado.

Mais tarde, quando estava cavando uma vala, encontrou o machado perdido.

No dia seguinte, ao tornar a ver o filho do vizinho, achou que suas atitudes e gestos não eram mais as de quem acabara de roubar um machado. O menino não mudou, quem mudou foi o homem! E a única razão para essa mudança morreu em sua suspeita.


(“O Livro das Virtudes” – uma antologia de William J. Bennett)
Editora Nova Fronteira


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