quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Garota de Ipanema

“Garota de Ipanema” faz 50 anos: 
segunda canção mais tocada da História

Por Luisa Girão, Priscila Bessa e Valmir Moratelli


Helô Pinheiro, em Ipanema, 1971.

→ “Garota de Ipanema” está completando 50 anos (em 2012), e se mantém na boca do povo. De acordo com a editora do grupo Universal, é a segunda canção mais executada da história, atrás de “Yesterday”, dos Beatles, de 1965. A música continua tão atual que, só neste ano, foi executada na série “Mad men” e em campanhas da Nike e da Calvin Klein.

→ Alguns dizem que a letra foi composta na mesa do bar Veloso na orla da zona sul carioca, enquanto Tom Jobim e Vinicius de Moraes viam Helô Pinheiro, a verdadeira “Garota de Ipanema” ir a caminho do mar.

→ Outros estudiosos musicais, entretanto, contam que Vinicius escreveu a letra em Petrópolis, em sua casa, para a melodia que Tom compôs em seu apartamento na Rua Barão da Torre, em Ipanema.

→ Para Nana Caymmi, que já cantou a letra em vários de seus shows, foi a perseverança de Tom em buscar o primor técnico de suas composições que alavancou a música para o mundo. “Tom queria viver da música, tinha aquele dom. Ele nunca imaginou que seria esse sucesso todo, estava na batalha, com dois filhos para sustentar, novinho, ia para gravadora fazer arranjo para ‘n’ tipos de música, era um observador, uma pessoa que gostava de clássicos, de ouvir, de se cercar de gente com qualidade musical. Deu nisso.

→ Quando lançou o livro “Noites tropicais”, sobre os bastidores da música brasileira na segunda metade do último século, o produtor Nelson Motta listou “Garota de Ipanema”, junto com “Ponteio” de Edu Lobo e “Apesar de Você” de Chico Buarque, como uma das canções imprescindíveis para se compreender os movimentos artísticos do País.

→ Helô Pinheiro, musa inspiradora da canção, assídua frequentadora do famoso bairro carioca nos anos 1960, atualmente mora em São Paulo. Nem por isso abandonou suas raízes. “Ipanema não sai de mim. É uma música que mata a saudade de uma época”, afirma.

→ A música ganhou o mundo de vez em 1967, quando Frank Sinatra ligou para Tom Jobim, que atendeu ao telefone no próprio Bar Veloso, e o convidou para gravar “Garota de Ipanema”. A voz de Sinatra fez com que a canção chegasse ao resto do mundo.

→ Para o produtor e crítico musical Ricardo Cravo Albim, “Garota de Ipanema” está acima de qualquer explicação baseada em dados concretos. “Certos destinos de músicas, assim como o destino de pessoas, não se explica. É porque é. Não há uma explicação razoável. Tom e Vinícius têm inúmeras músicas que poderiam merecer esse tipo de glória, mas por uma série de contingências ‘Garota’ foi a que recebeu essa primazia entre todas as outras. Essa permanência é que distingue o sucesso passageiro do sucesso eterno. O sucesso eterno se cristaliza quando consegue pelo menos 20 ou 30 anos. Mas com 50 anos realmente é o melhor atestado de perpetuidade”, diz Ricardo.


Helô Pinheiro e Tom Jobim

Alguns depoimentos

→ Helô Pinheiro, empresária e musa inspiradora da canção: “Os anos sessenta foram os anos dourados da nossa cultura, os anos que deram mais brilho a história da música popular brasileira. Tanto que as músicas que até hoje tocam e dão brilho especial à vida da gente são as que foram feitas naquele período. ‘Garota de Ipanema’ foi um marco nesse sentido, e até hoje devo muito a ela”.

→ Ricardo Cravo Albim, produtor e crítico musical: “Vi o nascimento da ‘Garota de Ipanema’ na boate Au Bom Gourmet quando foi lançada num show com Vinícius de Moraes, Tom Jobim e João Gilberto, em 1962. Sou testemunha ocular. ‘Garota de Ipanema’ não é só um grande sucesso da música brasileira, é muito mais porque é um retrato musical do próprio país no exterior. Só se pode comparar a ‘Aquarela do Brasil’, de Ary Barroso, que sempre foi e continua sendo símbolo sonoro do Brasil. Você vê que o sucesso permanece. Continua alojada nos corações do mundo inteiro como advento sonoro da contemporaneidade de uma época nova que trouxe a novidade da Bossa Nova. Se a novidade da Bossa Nova morreu, ‘Garota de Ipanema’ permaneceu. E será sempre ouvida”.


Vinicius de Moraes e Helô Pinheiro

Garota de Ipanema

Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Olha que coisa mais linda,
Mais cheia de graça.
É ela, menina,
Que vem e que passa,
Num doce balanço,
A caminho do mar.

Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema,
O seu balançado é mais que um poema,
É a coisa mais linda que eu já vi passar.

Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe.
A beleza que não é só minha,
Que também passa sozinha.

Ah, se ela soubesse,
Que, quando ela passa,
O mundo inteirinho se enche de graça,
E fica mais lindo
Por causa do amor...



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