sexta-feira, 4 de maio de 2018

As Regras da Revista do Rádio


Não foi apenas o radialista Floriano Faissal que (inutilmente) tentou impor normas de comportamento às macacas-de-auditório. A própria Revista do Rádio sugeriu às fãs de programas de auditório uma série de regras que, é claro, também não foram atendidas.


Auditório da Rádio Nacional

• Elevar o nome do astro preferido.

• Aplaudir, sim; vaiar nunca.

• Sempre que o artista estiver cantando, silêncio. Nada de gritos histéricos.

• Cuidado com as faixas. Não enfaixe demais o seu ídolo. E mais cautela com os dizeres das faixas. Olhar a redação, a ortografia, o português.

• Espere o seu ídolo na porta da rádio, mas... deixe que ele saia livremente e apenas bata palmas.

• Nada de rasgar a roupa do ídolo. As roupas custam caro.

• Se você gosta do artista que está cantando... Silêncio!

• Quando passar por um cantor ou cantora que não é de seu agrado, fique caladinha.

• Pode entrar para os fãs-clubes de seus ídolos, mas lembre-se... olhe os afazeres de casa.

• Respeite as fãs que são fãs dos outros.

Uma piada

O diálogo que se segue foi extraído do livro de Rosa Nepomuceno (1999) e mostra o tipo de humor que prevalecia na década de 1920, marcado, sobretudo, pela ingenuidade.

− Ô cumpadi. Sabe que lá na minha cidade fizeram uma torre tão arta, mas tão arta, que tiveram que virá a ponta dela?
− Pra quê, cumpadi?
− Pra lua pode passa, porque tava enganchada!
− Ô cumpadi! Na minha terra tem um trem tão ligeiro, tão ligeiro, que quando ocê entra nele já tem que compra o bilhete de vorta!
− Que mentira, cumpadi! Trem ligeiro tem na minha terra! O sujeito brigou com o chefe da estação, foi dá um tapa nele e acerto no chefe da outra estação, distante 30 quilômetros.

Piadas do Manduca

O programa retratava uma sala de aula improvisada na casa da professora Dona Teteca (interpretada por Lígia Sarmento) e de seu marido (Renato Murce). Os alunos não podiam ser mais impagáveis: Manduca (Lauro Borges), Seu Ferramenta (Castro Barbosa) e Coronel Fagundes (Brandão Filho). A produção e o texto do programa eram de Renato Murce.
− Manduca!
− Sinhô.
− Dê o exemplo de uma coisa escura.
− Mas bem escura?
− Isso mesmo. Escura, bem escura, vamos.
− Bem escura... É o Leônidas, contrastando com o Maneco, dentro de um túnel, chupando jabuticaba, os dois vestidinhos só com uma tanguinha preta.

(Leônidas da Silva, que atuava no Flamengo, e Maneco, meia-direita do América, eram afro-descendentes).

Como elas eram chamadas

Ademilde Fonseca → a Rainha do Chorinho
Ângela Maria → a Sapoti (apelido dado por Getúlio Vargas) ou a Estrela do Brasil
Dalva de Oliveira → a Estrela Dalva do Brasil
Emilinha Borba → a Favorita da Marinha
Carmélia Alves → a Rainha do Baião
Neusa Maria → a voz doçura do Brasil ou a Rainha do jingle
Olivinha Carvalho → a mais brasileira das cantoras portuguesas

Como eles eram chamados

Almirante → a Maior Patente do Rádio
Luis Gonzaga → o Rei do Baião
Vicente Celestino → a Voz Orgulho do Brasil
Ivon Cury → o Chansonnier
Ruy Rey → o Rei do Mambo
Manezinho Araújo → o Rei da Embolada
Alvarenga e Ranchinho → os Milionários do Riso
Maestro Chiquinho → o Maestro da Simpatia Popular
Roberto Silva → o Príncipe do Samba
Blecaute → o General da Banda
Déo → o Ditador de Sucessos
Cyro Monteiro → o Cantor de Mil e Uma Fãs
Sílvio Caldas → o Caboclinho Querido
Carlos Galhardo → o Cantor que Dispensa Adjetivos
Orlando Silva → o Cantor das Multidões
Francisco Carlos → o Cantor Namorado do Brasil
Francisco Alves → o Rei da Voz
Jorge Veiga → o Caricaturista do Samba
Albertinho Fortuna → o Menino-Revelação

           (Do livro “Almanaque Rádio nacional”, de Ronaldo Conde Aguiar)

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