quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

No tabuleiro da baiana



Tabuleiro da baiana: Banquinhas montadas pelas vendedoras de quitutes que oferecem algumas das iguarias mais tradicionais da Bahia e guardam histórias da África e do Brasil.

Folha de arruda: Sempre há em suas banquinhas um vaso com folhas de arruda para combater o mau-olhado e a inveja.

Roupa da baiana: Em sua versão original, era bem mais simples que hoje em dia, é feita de tecidos modestos. Os adereços também aumentaram e ficaram mais coloridas com o tempo.

Dendê: Azeite em que o acarajé é fritado. Sucesso absoluto nas mesas baianas, é usado até como combustível na África. Lá, é produto de exportação para a Ásia e Europa.

Acarajé: O nome deriva da junção de acará com jé, que é comer em ioruba. É uma oferenda a Iansã, e foram suas devotas as primeiras a começar a vender o acará nas ruas É um alimento muito rico, pois é feito à base de feijão, que é proteína. Melhora o humor, pela presença do gengibre.

Abará: Mais uma das comidas de santo que vai às ruas, o abará é considerado uma oferenda a Xangô. É mais saudável que o acarajé por não ser frito.

Bolinho de estudante: Alguns defendem que o doce foi criação brasileira com influência portuguesa. Ganhou o nome por ser barato. É calórico, mas é uma ótima opção para os dias de folia, porque tem açúcar.

Camarão: Riquíssimo em proteínas, o camarão seco é uma boa opção se combinado com o acarajé. Juntos, engordam menos, porque a combinação do carboidrato com a proteína diminui a absorção do açúcar.

Caruru: A depender de como é cortado, o quiabo pode ser oferenda a Iansã, Xangô ou Erê. Tem baixo valor calórico e não engorda tanto quanto o vatapá.

Cocada: Alguns dizem que o doce é português; outros, brasileiro. Funciona como repositor de energia no Carnaval, por conter carboidratos, mas são os itens mais calóricos do tabuleiro.

Pimenta: Usada para dar um gostinho a mais nos acarajés e abarás, costuma ser bem picante. Só quem é corajoso pede para a baiana caprichar no molho de pimenta.

Salada: Originalmente, não acompanhavam o acarajé e o abará. Seria o alimento ideal, mas deve ser evitado por conta das condições de produção e armazenamento.

Vatapá: De origem controversa, surgiu como oferenda às orixás mulheres, as Iabás. Tem valor nutricional alto, mas engorda, por se feito de farinha ou de pão. 




Benzedura contra quebranto



“Deus te remiu
Deus te criou
Deus te livre
De quem para ti mal olhou.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo,
Virgem do Pranto,
Tirai este quebranto.”

Dizer a oração 3 vezes.

Se quiser, a seguir pode fazer o ritual do azeite (é usual fazê-lo): ponha um pouquinho de azeite numa taça, molhe um dedo no mesmo e deixe cair cinco pingos num prato com água. Se o azeite se espalha: existe quebranto.

Repita a benzedura, quantas vezes necessário, 
até que os pingos do azeite não se desfaçam.

E o que é “quebranto”?

A forma mais básica de se fazer um “trabalho espiritual” é o pensamento. Tão forte (às vezes até mais) que qualquer “trabalho” que se faça numa encruzilhada ou cemitério, etc. É uma verdadeira “macumba” mental.

Assim, sentimentos como a inveja e a raiva podem vir a influenciar a pessoa que é alvo deles. “Quebranto” é um efeito mórbido (prostração, abatimento, desânimo, etc) supostamente oriundo de “mau-olhado” (a tal “macumba” mental).

É conhecido também como “demanda” (no sentido jurídico mesmo, de disputa com a outra parte). Interessante notar que até quem "não acredita nessas coisas" é capaz de demandar contra alguém.

O ato de bocejar muito caracteriza essa influência (afinal, estão mexendo com suas resistências físicas e mentais, como num grande cansaço). Pode até vir acompanhado de dores diversas (de cabeça, por exemplo). É sinal que algo está muito errado e que devemos combater o malefício, para afastá-lo e reconquistarmos a paz e o bem-estar.


Música de Henri Salvador que influenciou a Bossa Nova



Henri Salvador (1917-2008) tinha uma forte ligação com o Brasil. Sua canção “Dans mon île, de 1957, teria influenciado Tom Jobim no nascimento da bossa nova. Ele teria sido uma das grandes influências de Tom Jobim (e de outros músicos brasileiros que a ouviram no filme “Europa de Noite” (Europa di Notte) na criação da bossa nova. Quando Jobim viu aquilo, disse: “É o que temos de fazer, suavizar o tempo do samba e agregar belas melodias', assegurava Salvador. 'Se dão conta? Um movimento musical mundial, tudo isso por causa de um pequeno bolero composto no camarim do Teatro Alhambra', acrescentava, rindo.

Dans Mon Île

Maurice Pont
 et Henri Salvador

Dans mon île
Ah comme on est bien
Dans mon île
On n'fait jamais rien
On se dore au soleil
Qui nous caresse
Et l'on paresse
Sans songer à demain

Dans mon île
Ah comme il fait doux
Bien tranquille
Près de ma doudou
Sous les grands cocotiers qui se balancent
En silence,
nous rêvons de nous
Dans mon île
Un parfum d'amour
Se faufile
Dès la fin du jour
Elle accourt me tendant
ses bras dociles
Douces et fragiles
Dans ses plus beaux atours
Ses yeux brillent
Et ses cheveux bruns
S'eparpillent
Sur le sable fin
Et nous jouons au jeu d'adam et eve
Jeu facile
Qu'ils nous ont appris
Car mon île
c'est le paradis

Na minha ilha

Maurice Pont
 e Henri Salvador

Na minha ilha,
Ah! Como a gente fica bem.
Na minha ilha.
A gente não faz nada.
A gente se doura no sol,
Que nos acaricia
E a gente espreguiça
Sem pensar no amanhã.

Na minha ilha,
Ah! Como é doce!
Bem tranqüila,
Perto da minha querida,
Embaixo dos grandes coqueiros que se balançam
Em silêncio.
Nós sonhamos de nós.
Na minha ilha.
Um perfume de amor.
Se dispersa
Desde do fim do dia.
Ela corre em minha direção estendendo
Seus braços dóceis.
Doces e frágeis.
Em seus belos contornos
Seus olhos brilhantes
E seus cabelos castanhos
Se espelham
Sobre a areia fina.
E nós jogamos o jogo de Adão
e Eva
Jogo fácil
Que eles nos ensinaram,
Porque nossa ilha
É o paraíso.


Henri Gabriel Salvador, nascido em Caiena, em 28 de julho de 1917 e falecido em Paris em 13 de fevereiro de 2008, foi um cantor, compositor e guitarrista francês de jazz.

O cantor e compositor francês Henri Salvador, nascido na Guiana Francesa, faleceu na manhã desta quarta-feira aos 90 anos, por uma ruptura de um aneurisma cerebral, informou sua gravadora. Durante 60 anos de carreira, Salvador cantou com grandes nomes da música internacional e brasileira, como Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Henri Salvador tinha uma forte ligação com o Brasil. Sua canção “Dans mon île”, de 1957, teria influenciado Tom Jobim no nascimento da bossa nova.

Além disso, ele ficou conhecido do público brasileiro na gravação da música Reconvexo, na qual quando Caetano Veloso canta “quem não sentiu o suingue de Henri Salvador?"

Em seu álbum “Révérance”, de 2006, por exemplo, várias faixas foram gravadas no Brasil, com arranjos de Jacques Morelembaum e a participação de músicos como João Donato e Jorge Helder. O disco também apresenta duetos com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Rosa Passos.

Nos anos 40, Salvador fez uma turnê pela América Latina com a orquestra de Ray Ventura e permaneceu no Brasil por quatro anos, na época da Segunda Guerra Mundial. Ele retornou ao Rio somente décadas depois para gravar “Révérance”.

Seu disco anterior “Chambre avec vue”, lançado seis anos antes, com influências do jazz e da bossa nova, foi um grande sucesso na França e em vários países.

Durante o Ano do Brasil na França, em 2005, Henri Salvador inaugurou o show com grandes nomes da MPB que ocorreu na Praça da Bastilha, por ocasião das festividades nacionais do dia 14 de julho, data que marca a Revolução Francesa. O presidente Lula compareceu ao show.

Veterano da canção popular francesa, Henri Salvador, havia se despedido recentemente dos palcos em um show no Palais des Congrès de Paris, em dezembro do ano passado.

Salvador compôs e interpretou grandes sucessos da música popular francesa, como “Zorro est arrivé”, “Le lion est mort ce soir”, “Une chanson douce”, “Rose” entre outros.

Nascido na Guiana Francesa em 1917, aos 18 anos Henri foi para Paris, onde passou a integrar o conjunto belga-cigano Django Reinhardt, responsável por um som inovador para a época. Agregando sempre romantismo ao jazz, Henri Salvador foi um dos responsáveis pela consolidação do gênero na França.

Sabes por que o anel de compromisso se usa no quarto dedo?


Existe uma lenda chinesa que conseguiu explicar de uma maneira bonita e muito convincente...

Os polegares representam os pais.

Os indicadores representam teus irmãos e amigos.

O dedo médio representa a ti mesmo.

O dedo anelar (quarto dedo) representa o teu cônjuge.

O dedo mindinho representa teus filhos.

Agora junta tuas mãos palma com palma, depois, une os dedos médios de forma que fiquem apontando a ti mesmo, como na imagem...

Resumindo:

Polegar representa → os pais.

Indicador representa → irmãos e amigos.

Médio representa →  você mesmo.

Anelar representa → a pessoa que você ama.

Mínimo representa → os filhos.

Juntando os dedos desta forma:



Agora tenta separar de forma paralela teus polegares (representam teus pais), tu vais notar que eles se separam porque teus pais não estão destinados a viver contigo até o dia da tua morte, une os dedos novamente.

Agora tenta separar igualmente os dedos indicadores (representam teus irmãos e amigos), tu vais notar que também se separam porque eles se vão, e tem destinos diferentes como se casar e ter filhos.

Tenta agora separar da mesma forma os dedos mindinhos (representam teus filhos), estes também se abrem porque teus filhos crescem e quando já não precisam mais de nos, se vão, una os dedos novamente.

Finalmente, tenta separar teus dedos anelares (o quarto dedo que representa teu cônjuge) e tu vais se surpreender ao ver que simplesmente não consegues separá-los. Isso se deve ao fato de que um casal está destinado a estar unido até o último dia da sua vida, e é por isso que o anel se usa nesse dedo.

É algo curioso, mas legal de saber. 


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Pensamentos de Maquiavel



Nicolau Maquiavel, em italiano Niccolo Machiavelli, nasceu em Florença em 3 de Maio de 1469 e venho a falecer em Florença em 21 de Junho de 1527. Foi um historiador, poeta, diplomata e músico italiano do Renascimento. É reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna, pelo fato de haver escrito sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser. Os recentes estudos do autor e da sua obra admitem que seu pensamento foi mal interpretado historicamente. Desde as primeiras críticas, feitas postumamente por um cardeal inglês, as opiniões, muitas vezes contraditórias, acumularam-se, de forma que o adjetivo maquiavélico, criado a partir do seu nome, significa esperteza, astúcia.

Citações

“Uma guerra é justa quando é necessária.”

“Tornamo-nos odiados tanto fazendo o bem como fazendo o mal.”

“Os homens quando não são forçados a lutar por necessidade, lutam por ambição.”

“O verdadeiro grande homem é sempre o mesmo sob todas as circunstâncias.”

“Os homens devem ser adulados ou destruídos, pois podem vingar-se das ofensas leves, não das graves; de modo que a ofensa que se faz ao homem deve ser de tal ordem que não se tema a vingança.”

“Os que vencem, não importa como vençam, nunca conquistam a vergonha.”

“O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que tem à sua volta.”

“Eu creio que um dos princípios essenciais da sabedoria é o de se abster das ameaças verbais ou insultos.”

“Todos os profetas armados venceram, e os desarmados foram destruídos.”

“Dizem a verdade aqueles que afirmam que as más companhias conduzem os homens à forca.”

“Nunca foi sensata a decisão de causar desespero nos homens, pois quem não espera o bem não teme o mal.”

“Quando um homem é bom amigo, também tem amigos bons.”

“Os homens prudentes sabem sempre tirar proveito dos atos a que a necessidade os constrangeu.”

“Todos veem o que pareces, poucos percebem o que és.”

“O bem se faz aos poucos. O mal, de repente.”

“Os fins justificam os meios.”


Coração de Luto



Teixeirinha por Iara Geyer

O gaúcho Teixeirinha (Vítor Mateus Teixeira. 1927-1985) já era bem popular no Rio Grande do Sul, cantando em circos e emissoras de rádio, quando começou a gravar em 1959. Apenas um ano depois, tornava-se conhecido em todo o Brasil com a toada “Coração de Luto”, em que narra, em melodia e versos tristíssimos, a morte da mãe, carbonizada num incêndio, tragédia realmente ocorrida (por incrível que possa parecer) quando o compositor tinha nove anos. Na verdade, dois tipos de público contribuíram para o sucesso estrondoso (vendeu cerca de um milhão de discos) de “Coração de Luto”: aqueles que realmente se comoveram com a canção e os que somente se divertiam com o seu aspecto insólito a até a apelidaram de “Churrasquinho de Mãe”.

Do livro “A Canção no tempo” – Volume 2, 
de Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello.

Coração de Luto

O maior golpe do mundo
Que eu tive na minha vida,
Foi quando com nove anos,
Perdi minha mãe querida.

Morreu queimada no fogo,
Morte triste, dolorida,
Que fez a minha mãezinha
Dar o adeus da despedida.

Vinha vindo da escola,
Quando de longe avistei,
O rancho que nós morava
Cheio de gente encontrei.

Antes que alguém me dissesse,
Eu logo imaginei,
Que o caso era de morte,
Da mãezinha que eu amei.

Seguiu num carro de boi,
Aquele preto caixão,
Ao lado eu ia chorando
A triste separação.

Ao chegar no campo santo,
Foi maior a exclamação.
Cobriram com terra fria
Minha mãe do coração.

Dali eu saí chorando,
Por mãos de estranhos levado,
Mas não levou nem dois meses,
No mundo fui atirado.

Com a morte da minha mãe,
Fiquei desorientado,
Com nove anos apenas
Por este mundo jogado.

Passei fome, passei frio,
Por este mundo perdido.
Quando mamãe era viva
Me disse: filho querido:

Pra não roubar, não matar,
Não ferir, não ser ferido.
Descanse em paz, minha mãe,
Eu cumprirei seu pedido.

O que me resta na mente,
Minha mãezinha, é teu vulto.
Recebas uma oração
Desse filho que é teu fruto.

Que dentro do peito traz
O seu sentimento oculto,
Desde nove anos tenho
O meu coração de luto.


 Túmulo e estátua de Teixeirinha
no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre.


Assim era a Atlântida



Cyl Farney, Eliana e Oscarito, os astros da Atlântida.

→ Em 18 de setembro de 1941, Moacir Fenelon e José Carlos Burle fundam a Atlântida Cinematográfica com um objetivo bem definido: promover o desenvolvimento industrial do cinema brasileiro. Liderando um grupo de aficcionados, entre os quais o jornalista Alinor Azevedo, o fotógrafo Edgar Brazil, e Arnaldo Farias, Fenelon e Burle prometiam fazer a necessária união de um cinema artístico com o cinema popular.

→ Durante quase dois anos são produzidos somente cinejornais, o primeiro deles, o Atualidades Atlântida. Da experiência adquirida com os cinejornais vem o primeiro longa-metragem, um documentário-reportagem sobre o IV Congresso Eucarístico Nacional, em São Paulo, em 1942. Junto, como complemento, o média-metragem Astros em Desfile, uma espécie de parada musical filmada com artistas famosos da época, antecipando o caminho que a Atlântida percorreria mais tarde.

→ Em 1943 acontece o primeiro grande sucesso da Atlântida: Moleque Tião. Dirigido por José Carlos Burle, com Grande Otelo no papel principal e inspirado em dados biográficos do próprio ator. Hoje não existe sequer uma cópia do filme que, segundo a crítica, abria caminho para um cinema voltado às questões sociais ao invés de um cinema preocupado em divulgar apenas números musicais. De 1943 a 1947 a Atlântida consolida-se como a maior produtora brasileira. Nesse período são produzidos 12 filmes, destacando-se Gente Honesta, de 1944, direção de Moacir Fenelon, com Oscarito no elenco, e Tristezas Não Pagam Dívidas, também de 1944, dirigido por José Carlos Burle.

→ No filme Oscarito e Grande Otelo atuam juntos pela primeira vez, mas sem ainda formar a famosa dupla. O ano de 1945 marca a estreia na Atlântida de Watson Macedo, que se transformaria num dos grandes diretores da companhia. Macedo dirige o filme Não Adianta Chorar, uma série de esquetes humorísticos entremeados com números musicais carnavalescos. No elenco Oscarito, Grande Otelo, Catalano, e outros comediantes do rádio e do teatro. Em 1946 outro destaque: Gol da Vitória, de José Carlos Burle, com Grande Otelo no papel do craque Laurindo. Produção bastante popular sobre o mundo do futebol, lembrando em muitas cenas o célebre Leônidas da Silva (o "diamante negro"), o melhor jogar da época.

→ Ainda em 1946, Watson Macedo faz a comédia musical Segura Essa Mulher, com Grande Otelo e Mesquitinha. Grande sucesso, inclusive na Argentina. O filme seguinte, Este Mundo é um Pandeiro, de 1947, é fundamental para se entender as comédias da Atlântida, também conhecidas como chanchada. Nele, Watson Macedo delineava com grande precisão alguns detalhes que as chanchadas assumiriam mais tarde: a paródia à cultura estrangeira, em especial ao cinema feito em Hollywood, e uma certa preocupação em expor as mazelas da vida pública e social do país. Uma sequência antológica de Este Mundo é um Pandeiro mostra Oscarito travestido de Rita Hayworth parodiando uma cena do filme "Gilda", e em outras cenas alguns personagens criticam o fechamento dos cassinos. Dessa primeira fase da Atlântida resta apenas a comédia Fantasma por Acaso, de Moacir Fenelon. Os outros filmes perderam-se num incêndio nas instalações da empresa, em 1952.

→ Em 1947 ocorre a grande virada na história da Atlântida. Luiz Severiano Ribeiro Jr. torna-se sócio-majoritário da empresa, integrando-se a um mercado que já dominava nos setores de distribuição e exibição. A partir daí, a Atlântida consolida suas comédias populares e a chanchada transforma-se na marca registrada da companhia. A entrada de Luiz Severiano Ribeiro Jr. Na Atlântida assegura, de imediato, maior penetração dos filmes junto ao grande público, definindo os parâmetros do sucesso da produtora. Controlando todas as fases do processo (produção, distribuição, exibição) e favorecido pela ampliação da reserva de mercado de um para três filmes, o esquema montado por Luiz Severiano Ribeiro Jr., que possuía também um laboratório para processamento dos filmes, considerado um dos mais modernos do país, representa uma experiência inédita na produção cinematográfica voltada exclusivamente para o mercado. Estava aberto o caminho para a chanchada.

→ O ano de 1949 marca definitivamente a forma em que o gênero atingiria o clímax e atravessaria toda a década de 50. Watson Macedo já demonstra em Carnaval no Fogo um perfeito domínio dos signos da chanchada, misturando habilmente os tradicionais elementos do "show business" e do romance, com uma intriga policial envolvendo a clássica situação de troca de identidade. Mas paralelo às chanchadas, a Atlântida envereda pelos chamados filmes sérios.

→ O melodrama Luz dos meus Olhos, de 1947, dirigido por José Carlos Burle, abordando problemas raciais, não faz sucesso de público, mas é premiado pela crítica como melhor filme do ano. Adaptada do romance "Elza e Helena", de Gastão Cruls, Watson Macedo realiza A Sombra da Outra e recebe o prêmio de melhor diretor de 1950. Antes de sair da Atlântida e fundar sua própria produtora, Watson Macedo faz mais dois musicais para a empresa: Aviso aos Navegantes, em 1950, e Aí Vem o Barão, em 1951, consolidando a dupla Oscarito e Grande Otelo, verdadeiro fenômeno de bilheteria para o cinema brasileiro.

→ Em 1952, José Carlos Burle realiza Carnaval Atlântida, espécie de filme-manifesto, associando definitivamente a Atlântida ao carnaval, e abordando com humor o imperialismo cultural, tema quase sempre presente em seus filmes, e Barnabé, Tu És Meu, parodiando os antigos contos das "Mil e uma Noites". Ainda em 1952, a Atlântida ruma pelo "thriller" romântico-policial. O filme é Amei um Bicheiro, dirigido pela dupla Jorge Ileli e Paulo Wanderley. Um dos mais importantes filmes produzidos pela Atlântida, Amei um Bicheiro, embora não seguisse os esquemas das chanchadas, trazia no elenco basicamente os mesmos atores desse tipo de comédia, inclusive Grande Otelo num notável desempenho dramático.

→ Mas a Atlântida se renova. Em 1953 um jovem diretor, Carlos Manga, faz seu primeiro filme. Em A Dupla do Barulho, Manga, que havia passado por todos os setores da Atlântida antes de estrear na direção, mostra já saber dominar os principais elementos narrativos do cinema feito em Hollywood. E é justamente essa identificação com o cinema norte-americano que marca esteticamente a dependência do cinema brasileiro com a indústria de Hollywood, num conflito sempre presente nos filmes da década de 50.

→ Depois da bem-sucedida estréia, Carlos Manga realiza, em 1954, Nem Sansão Nem Dalila e Matar ou Correr, duas comédias modelos na utilização da linguagem da chanchada que superavam a gargalhada banal. Nem Sansão Nem Dalila, paródia à superprodução hollywoodiana "Sansão e Dalila", de Cecil B. de Mille, e uma dos melhores exemplos de comédia brasileira de caráter político, satiriza as manobras para um golpe populista e as tentativas de neutralizá-lo. Qualquer semelhança com o governo do Presidente Getúlio Vargas não é mera coincidência.

→ Matar ou Correr é um delicioso faroeste tropical parodiando o clássico “Matar ou Morrer”, de Fred Zinnemann. Destaque mais uma vez para a dupla Oscarito e Grande Otelo, e para a competente cenografia de Cajado Filho. Essas duas comédias firmam definitivamente o nome de Carlos Manga, mantendo como pontos de apoio o humor de Oscarito e Grande Otelo e os argumentos sempre criativos de Cajado Filho.

→ Oscarito, desde 1954 sem a parceria com Grande Otelo, continua demostrando seu talento em sequências memoráveis como nos filmes O Golpe, de 1955, Vamos com Calma e Papai Fanfarão, ambos de 1956, Colégio de Brotos, de 1957, De Vento em Popa, também de 1957, em que Oscarito faz uma hilariante imitação do ídolo do "rock" Elvis Presley. Em 1958, Oscarito vive o personagem Filismino Tinoco, protótipo de funcionário público padrão, na comédia Esse Milhão é Meu, e em outra sensacional paródia, Os Dois Ladrões, de 1960, imita os trejeitos de Eva Todor em frente ao espelho, numa clara referência ao filme "Hotel da Fuzarca", com os Irmãos Marx. De todos os filmes dirigidos por Carlos Manga na Atlântida, O Homem do Sputnik, de 1959, talvez seja o que melhor sintetize (mesmo sem números musicais) o espírito irreverente da chanchada.

→ Divertida comédia sobre a "guerra-fria", O Homem do Sputnik faz uma contundente crítica ao imperialismo norte-americano e é considerado pelos especialistas o melhor filme produzido pela Atlântida. Além da impagável atuação de Oscarito, temos a exuberância da novata Norma Bengel e Jô Soares em seu primeiro papel no cinema.

→ Em 1962, a Atlântida produz seu último filme, Os Apavorados, de Ismar Porto. Depois se associa a várias companhias nacionais e estrangeiras em co-produções. Em 1974, em conjunto com Carlos Manga, realiza Assim Era a Atlântida, coletânea contendo trechos dos principais filmes produzidos pela empresa. De 1941 a 1962 a Atlântida produz 66 filmes.

→ Quando se fala em Atlântida nos vem logo à lembrança o humor irreverente de Oscarito e Grande Otelo, os galãs Cyll Farney, Anselmo Duarte, as "mocinhas" Eliana, Fada Santoro, Adelaide Chiozzo, os "vilões" José Lewgoy, Renato Restier, os diretores Moacir Fenelon, José Carlos Burle, Watson Macedo e Carlos Manga, que entre outros, encantaram o público durante tantos anos.


Eliana e Anselmo Duarte

(Texto do Blog Atlântida Cinematográfica)