domingo, 20 de agosto de 2017

A galinha e o povo



Em uma de suas reuniões, um político brasileiro pediu que lhe trouxessem uma galinha. Agarrou-a forte com uma das mãos enquanto a depenava com a outra.

A galinha, desesperada pela dor, quis fugir, mas não pôde. Assim, o político tirou todas suas penas, dizendo aos seus colaboradores:

– Agora, observem o que vai acontecer.

O político soltou a galinha no chão e se afastou um pouco dela.

Pegou um punhado de grãos de trigo, começou a caminhar pela sala e a atirar os grãos de trigo ao chão, enquanto seus colaboradores viam, assombrados, como a galinha, assustada, dolorida e sangrando, corria atrás do político e tentava agarrar algumas migalhas, dando voltas pela sala.

A galinha o seguia fielmente por todos os lados.

Então, o político olhou para seus ajudantes, que estavam totalmente surpreendidos, e lhes disse:

– Assim, facilmente, se governa os estúpidos. Viram como a galinha me seguiu, apesar da dor que lhe causei? Tirei-lhe tudo, as penas e a dignidade, mas, ainda assim, ela me segue em busca de farelos.

Assim é a maioria das pessoas que seguem seus governantes e políticos, apesar da dor que estes lhes causam e, mesmo lhe tirando a saúde a educação e a dignidade, pelo simples gesto de receber um benefício barato ou algo para se alimentar por um ou dois dias, o povo segue aquele que lhe dá as migalhas do dia.



O cântico da Terra

Cora Coralina*


Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.



*Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, foi uma poetisa e contista brasileira.

Nascimento: 20 de agosto de 1889, Goiás - Falecimento: 10 de abril de 1985, Goiânia, Goiás.


Fragmentos da História do Brasil

A tragédia de Osório


Falta à nossa literatura Shakespeare, quem sabe Balzac, para narrar a tragédia amorosa de um grande herói da Pátria. Em 1829, o general Osório era tenente em Rio Pardo e se apaixonou por Ana, filha de próspero fazendeiro da região.

O fazendeiro, aparentado com poderosos do Império, opôs-se ao romance porque Osório era homem pobre. Para separar os namorados, conseguiu que o Exército o transferisse para uma guarnição da fronteira.

No exílio, Osório escrevia diariamente a Ana. Jamais recebeu resposta porque as cartas eram interceptadas pelo fazendeiro.

Mesmo sem notícia do bem-amado, Ana manteve-se fiel. Quando o pai decidiu casá-la com um parente rico, desesperada escreveu a Osório, pedindo que viesse buscá-la, para fugirem.

Por azar, o portador da carta adoeceu no meio da viagem. Quando Osório recebeu o apelo, era tarde. Ao chegar em Rio pardo, Ana havia casado na véspera.

Osório voltou para a fronteira e só muitos anos mais tarde teve olhos para outra mulher. Quanto a Ana, adoeceu de desgosto e faleceu antes que o indesejado casamento completasse um mês.

Pedro I e a francesa


Falta também ao Brasil um Bocaccio para relatar a crônica galante do Imperador Pedro I. O episódio, envolvendo a francesa Louise Saisset, cabeleireira e seu marido Antoine, dono de uma loja de modas, é digno de figurar no Decameron.

Apaixonado pela mulher, D. Pedro ordenou o seu camareiro, Chalaça, que chamasse o lojista ao Palácio e ali o retivesse, sob qualquer pretexto, enquanto se divertia com Louise na residência do casal.

Antoine, metido em contrabando, desconfiou que a conversa espichada escondesse a intenção de prendê-lo. Aproveitou a primeira distração para fugir, chegando esbaforido em casa.

D. Pedro estava à vontade no quarto do casal quando entrou o marido. O primeiro impulso foi jogar-se pela janela, mas a cabeleireira o impediu, para evitar escândalo. Enfaixou-lhe a perna e contou a Antoine que Sua Majestade – oh! que desgraça! – caíra do cavalo nas proximidades e torcera o joelho. Socorrera Sua Majestade e o trouxera para casa, de onde não poderia sair nas próximas 24 horas, por recomendação médica.

Naquela noite, Antoine Saisset dormiu no sofá da sala, enquanto sua prestimosa mulher cuidava, com desvelo, do Imperador do Brasil.

Os amores de Tiradentes


Perpétua Mineira viveu no Rio de Janeiro ao tempo da Inconfidência. Dizem que foi amante de Tiradentes. Não deixou rastro e não ser em crônicas de Joaquim Manoel de Macedo, que recolheu dos mexericos de ruas. Enjeitada em Minas Gerais, dera com os costados no Rio. Ganhou o nome porque gostava de perpétuas, flores tidas por agourentas.

Perpétua abriu restaurante na Rua do Ouvidor, freqüentado por Tiradentes. Os dois se apaixonaram à primeira vista.

Até aí, nenhuma novidade. Tiradentes era chegado a amores vadios por desilusão com a única noiva que teve, Antônia Maria Espírito Santo, que lhe foi infiel.

Quando Tiradentes foi executado em 1792, dizem que Perpétua encontrou junto da forca, manchado de sangue, o lenço com as iniciais do alferes, que bordara para ele, havia três anos, pouco antes de ser preso.

A história é pouco provável. Se Perpétua Mineira teve vida real, cultivou flores e bordou lenços, não esperou três anos para ver o bem-amado estrebuchar na forca. Com o terror imposto ao Rio de Janeiro e à Vila Rica, para reprimir qualquer veleidade revolucionária, logo que Tiradentes foi preso ela deu às de Vila Diogo, como se falava então.

Ou, como diríamos hoje, deu no pé, sem flores nem lenço nem documento.

A morte de um herói


Biografia curiosa é a de um cão vira-latas que um dia entrou no 31° Batalhão de Voluntários do Rio de Janeiro e foi adotado pelos soldados. Ganhou o nome de Brutus. Quando estourou a Guerra do Paraguai, recebeu o posto de mascote e seguiu para a frente de batalha.

A crônica do 31° Batalhão de Voluntários registra a bravura de Brutus. Enfrentava os paraguaios de igual para igual, com as armas que tinha: dentes e latidos. Ferido em ação, mesmo assim continuou com grande garbo, mordendo e latindo para o inimigo.

Finda a guerra. Brutus voltou para o Rio de Janeiro, coberto de glórias. Passou a ter no quartel tratamento digno de herói. Entrava e saía à hora que bem entendia. Tinha hábitos previsíveis: carimbava o poste mais próximo e rendia homenagem às cadelinhas da vizinhança.

É triste o destino dos velhos soldados. Em um desses passeios, um mata-cachorros da Prefeitura do Rio de Janeiro, incapaz de distinguir um grande herói de um mero cão vadio, jogou-lhe carne envenenada.

Brutus morreu na rua, fulminado pela estricnina. Seu corpo foi empalhado. Hoje é peça no Museu da Polícia Militar do Rio de Janeiro.


(Do livro “Notas Curiosas da Espécie Humana”, de Jayme Copstein)

sábado, 19 de agosto de 2017

Cal viva no Natal



João Cândido sendo preso

Graças ao papel desempenhado por Rui Barbosa, a Revolta da Chibata terminou com um decreto anistiando todos os revoltosos e pondo fim aos castigos físicos. Até então, como mostro em “História Regional da Infâmia”, as penas eram estas: “Para as faltas leves, prisão a ferro na solitária, por um a cinco dias, a pão e água; faltas leves repetidas, idem, por seis dias, no mínimo; faltas graves, vinte e cinco chibatadas, no mínimo”. Como se viu, o marujo Marcelino recebeu 250 chibatadas. A anistia, porém, durou três dias. Outro decreto, de 28 de novembro de 1910, autorizou “a baixa, por exclusão, das praças do Corpo de Marinheiros Nacionais, cuja permanência se tornar inconveniente à disciplina”.

A limpeza dos quadros aconteceu em 7 de dezembro. Três dias depois, sem qualquer ligação direta com os revoltosos da questão da chibata, estourou uma nova revolta, na Ilha das Cobras. O governo ordenou o bombardeio do local. Mário Maestri, em “Uma História da Revolta da Chibata”, precisa: “A esquadra inglesa prestou bons serviços ao massacre, iluminando, durante a noite, com os potentes holofotes de seus navios, os marinheiros encurralados”. A ilha tornou-se um monte de escombros. João Cândido, apesar de ter cumprido as ordens dos superiores, embarcado no Minas Gerais, foi preso, assim como seus companheiros “anistiados”. Ele e mais 17 homens foram enfiados na solitária número 5 da prisão da Ilha das Cobras, onde não cabiam mais de seis prisioneiros.

Jogaram cal viva na cela escavada na rocha. O comandante Marques da Rocha foi passar a noite de Natal em casa e levou a chave da solitária com ele. Um trecho de “João Cândido, O Almirante Negro”, de Alcy Cheuiche, revela o horror daquela noite de 25 de dezembro de 1910: “João Cândido não grita por socorro. Precisa poupar o fôlego para seguir respirando. Os que mais gritaram foram os primeiros a desmaiar uns sobre os outros. O pó de cal entra por suas narinas e parece lhe queimar a garganta, forçar caminho para os pulmões fechados. Sem água há dois dias, recolhe na concha da mão um pouco da própria urina e bebe com sofreguidão. Seus pés descalços pisam nos corpos dos companheiros”. Dezesseis homens morreram ali.

O Almirante Negro sobreviveu. O promotor João Pessoa, cujo assassinato seria o estopim da Revolução de 1930, pediu 20 anos de pena para Marques da Rocha. Ele foi absolvido pelo Conselho de Guerra. Os marinheiros foram condenados ao degredo no Acre. Maestri resume: “A viagem constituiu uma sucessão de bárbaros assassinatos, a sangue-frio. Já no dia seguinte à partida, às 23h, impacientes, os oficiais da escolta determinaram o fuzilamento do marinheiro Hernani Pereira dos Santos e a prisão a ferros, como animais, de sete outros anistiados”. E completa: “Na noite de 1° de janeiro de 1911, apenas o navio se afastara da cidade, o comandante e os três tenentes ordenaram a execução de mais quatro marinheiros”. Foram nove os executados. Absolvido em 1912, João Cândido continuou banido. O Brasil ainda não pagou aos seus familiares o que deve ao Almirante Negro.


João Cândido antes de seu falecimento

Juremir Machado da Silva: juremir@correiodopovo.com.br


Os 10 alimentos mais saudáveis do mundo



O nutricionista e psicólogo americano Jonny Bowden  esteve no ano passado no Brasil para lançar o livro “As Refeições mais Saudáveis do Mundo”. Com doutorado em Nutrição pela Universidade Clayton pela Saúde Natural, ele se dedica há mais de duas décadas  à pesquisa dos alimentos e aqui enumera quais são os dez mais saudáveis do mundo e que deveriam fazer parte do nosso cardápio diário:

01 → Sardinha: é rica em proteínas e possui minerais essenciais, como magnésio, ferro e selênio, que têm ação anticancerígena. Esse tipo de peixe também ajuda o organismo a liberar o mercúrio e tem altas concentrações de Ômega 3, um tipo de gordura “boa”, essencial para o funcionamento do cérebro, do coração e para a redução da  pressão arterial. As sardinhas são chamadas de “comida saudável em lata” por Bowden, que aconselha que sejam compradas as preservadas no próprio óleo ou em azeite, quando não puderem ser consumidas frescas.

02 → Repolho: as folhas do vegetal contêm grandes concentrações de substâncias antioxidantes e anticancerígenas chamadas de indoles e sulforafanos. Uma pesquisa da Universidade de Stanford, nos EUA, apontou o sulforafano como a substância química achada em plantas que mais eleva o nível de enzimas  anticancerígenas no organismo.

03 → Folha de beterraba: geralmente jogada fora, é rica em vitaminas, minerais e antioxidantes. Contém carotenóides, pigmento natural dos vegetais que ajuda a proteger os olhos contra o envelhecimento. Bowden afirma que a beterraba em si também é um dos alimentos mais ricos que existem. As folhas podem ser comidas cruas na salada ou refogadas, como espinafre.

04 → Açaí: em suco ou misturado à comida, como é feito no norte do país, o açaí é uma das frutas com maior concentração de antioxidantes. Também é rica em gorduras monoinsaturadas e  poliinsaturadas, que são benéficas e auxiliam na redução do colesterol ruim e na prevenção de doenças cardíacas. Para Bowden, os brasileiros que não consomem a fruta com frequência desperdiçam a benção que a natureza lhes deu.

05 → Goiaba: rica em fibras, minerais e vitaminas. Também possui grandes quantidades de licopeno, o mais antioxidante entre todos os carotenoides. O licopeno auxilia na prevenção do câncer de próstata e reduz os riscos de surgimento de catarata e doenças cardiovasculares.

06 → Cereja fresca: tem altas concentrações de antocianina, um antiinflamatório natural. Deve ser comida ao natural ou misturada com iogurte ou vitaminas.

07 → Chocolate meio-amargo: rico em flavanoides, que diminuem a pressão sanguínea e promovem o bom funcionamento do sistema circulatório, tem altas concentrações de magnésio, um mineral importante para mais de 300 processos biológicos do organismo.

08 → Frutas oleaginosas: são as castanhas, as nozes e as amêndoas. Bowden afirma que todas trazem inúmeros benefícios, apesar do elevado teor calórico. Possuem muitos minerais, proteínas e altos níveis de Omega 3 e Omega 9.

09 → Canela: ajuda a controlar o nível de açúcar e de colesterol no sangue, o que previne o risco de doenças cardíacas. Para usufruir dos benefícios da especiaria, basta polvilhar um pouco de canela em pó no café ou no cereal matinal.

10 → Semente de abóbora: é uma grande fonte de magnésio. Esse mineral é tão importante, explica Bowden, que estudiosos franceses concluíram que homens com altas taxas de magnésio no sangue têm 40% menos chances de sofrer uma morte prematura do que aqueles com baixos índices. Para consumi-las, toste-as no forno e coma-as por inteiro, inclusive com a casca, que é rica em fibras.


Fonte: Matéria publicada na Revista Época


Calendário Positivista

O Positivismo é uma corrente filosófica cujo iniciador principal foi Augusto Comte (1798-1857). Surgiu como desenvolvimento filosófico do Iluminismo, a que se associou a afirmação social das ciências experimentais. Propõe à existência humana valores completamente humanos, afastando radicalmente teologia ou metafísica. Assim, o Positivismo - em sua versão comtiana, pelo menos - associa uma interpretação das ciências e uma classificação do conhecimento a uma ética humana, desenvolvida na segunda fase da carreira de Comte.

O antropólogo estrutural Edmund Leach descreveu o positivismo em 1966 na aula Henry Myers da seguinte forma: "Positivismo é visão de que o inquérito científico sério não deveria procurar causas últimas que derivem de alguma fonte externa mas sim confinar-se ao estudo de relações existentes entre factos que são diretamente acessíveis pela observação."

Todavia, é importante notar que a palavra "Positivismo" não é unívoca, pois inúmeras correntes de outras disciplinas assumem o nome de "positivistas" sem guardarem nenhuma relação com a obra de Comte. Exemplo paradigmático disso é o Positivismo Jurídico, do austríaco Hans Kelsen e do italiano Norberto Bobbio. Neste artigo trataremos apenas e tão-somente do que se refere à obra de Augusto Comte, deixando de lado outras correntes, quer tenham o título de "positivistas", quer não tenham.

O Positivismo fez grande sucesso na segunda metade do século XIX, mas, a partir da ação de grupos contrários (marxistas, comunistas, fascistas, reacionários, católicos, místicos), perdeu influência no século XX. Todavia, desde fins do século XX ele tem sido redescoberto e revalorizado como uma forma de perceber o homem e o mundo, a ciência e as relações sociais.


Augusto Comte

(1798 – 1857)

Ano do calendário positivista se divide em 13 meses de 4 semanas ou 28 dias, mais um dia complementar e festa universal dos mortos. É um dia bissexto, festa geral das santas mulheres, no fim do ano, sem nome de mês nem de semana.

Assim o calendário é uniforme e perpétuo. Todos os anos e meses começam em lunedia (segunda-feira). Os dias da semana são denominados: lunedia, martedia, mecuredia, jovedia, venerdia, sábado, domingo.

Os 13 meses do calendário positivista têm caráter histórico e cronologicamente são:

 1.° mês Moisés, representa a teocracia antiga;
 2.° mês Homero, a poesia antiga;
 3.° mês Aristóteles, a filosofia antiga;
 4.° mês Arquimedes, a ciência antiga;
 5.° mês César, a civilização militar;
 6.° mês São Paulo, o catolicismo;
 7.° mês Carlos Magno, a civilização feudal;
 8.° mês Dante, a epopéia moderna;
 9.° mês Gutenberg, a indústria moderna;
10.° mês Shakespeare, o drama moderno;
11.° mês Descartes, a filosofia moderna;
12.° mês Frederico, a política moderna;
13.° mês Bichat, a ciência moderna.

História dos Ritmos Gaúchos



Valsa

O compasso ternário como dança é muito antigo. Originária das danças tirolesa austríacas. Entretanto com o título de valsa somente aparece no Séc. XVII e se realiza nos bailados de óperas no Séc. XVIII. Chega ao seu apogeu no Séc. XIX, com as "Valsas Vienenses" estilizadas pelos músicos e compositores da família Strauss.

Veio para o Brasil nos fins do Séc. XVIII era conhecida "valsa figurada", trazida pelos portugueses. No Século XIX foi difundida e dançada a valsa de par com todas as pompas do Reino e do Império. Hoje, no sul do país a valsa ganhou seu estilo próprio, ritmo e dança. Adaptou-se aos costumes e maneiras do peão gaúcho.

Chotes

Dança de salão originária da Hungria. O "Schottisch" invadiu a França, Alemanha e Inglaterra no Séc. XIX. Apareceu no Brasil no período Regencial e foi moda no Segundo Império. De norte a sul o chotes é uma dança muito popular, cantado ou somente em solo instrumental. É dançado em pares com três passos comuns diferentes: um e um, dois e dois ou dois e um. No Rio Grande do Sul, além dos passos comuns, dança-se o chotes marcado e também, principalmente, entre os descendentes da imigração açoriana, dançam o chotes afigurado sem limites de passos e figuras.

Em Santa Catarina também é dançado os passos comuns, chotes afigurado, chotes marcado e chotes contrapasso. No Paraná, além dos passos comuns é mais dançado o chotes marcado, ou seja: uma marcação e um valseio de um em um passo. Nas colônias de origem alemã e italiana dança-se chotes de carreirinha e chotes de quatro passos.

Milonga

Dança argentina ao som de guitarras muito popular no Uruguai de onde entrou para o Brasil. Hoje aculturada no pampa gaúcho, faz parte do acervo musical do sul brasileiro. Rancheira. Dança de origem árabe. Trazida e estilizada na Argentina. No rio Grande do Sul o ritmo é mais vivo e a coreografia mais saltitante, estilo popular.

Vanera

Habanera ou Havanera - dança e canto popular originária de Havana - Cuba. Ritmo em 2/4 sendo o primeiro tempo forte e bem acentuado. Música popular em quase todos os países hispano-americanos. No Rio Grande do Sul foi muito usada pelas Bandas das colônias de imigração italiana. Nos campos, os gaiteiros gaúchos denominavam de "vanera" e fez deste ritmo o mais amplo repertório para animação de fandangos, bailantas e festas gauchescas.

Bugio

"Bugiu" de Bugio - ritmo gaúcho de origem muito remota - fins do Séc. XIX. Dança de peões com chinas indígenas, sob qualquer som musical da época. No início do Séc. XX já era dançado ao som de gaitas de botão, mas ainda como dança não social. Na década de 50 o bugiu foi requintado com arranjos de gaitas apianadas e na década de 60 passou a Ter letra própria enfocando a presença do macaco bugio no contexto da letra. Hoje o Bugiu é dança de salão e deu origem a grandes festivais como "Ronco do Bugiu"  em  São  Francisco  de  Paula e "Querência do Bugiu" em São Francisco de Assis.


Fonte: livro SOM BERTUSSI, Adelar Bertussi e Waldir Teixeira