segunda-feira, 30 de maio de 2016

Chavões religiosos





Chavões desculpas de evangélicos

Eu estava num evento na Igreja e...
E daí oramos para pedir a confirmação do Espírito Santo.
E, pela graça de Deus, estamos juntos a x meses/anos...
E Jesus tem abençoado muito nosso namoro desde então...
Ela me convidou para ir a um culto e então...
Iniciamos um namoro e, em três meses, casamos, e até hoje somos muito felizes, com a graça de Deus...
Ele me pediu em namoro e daí eu disse: “Vamos orar...”

Foras-chavão no namoro cristão

Presbiteriana: “Vamos continuar orando, se Deus quiser mesmo, acabaremos juntos.”
Metodista: “Não sei se é a vontade de Deus, mas não é a minha.”
Assembleiana: “O Senhor me revelou que você não é meu escolhido.”
Católica: “Vou me casar com Jesus!”
Universal: “Ore a respeito, e se não ficarmos juntos, é porque você não teve fé o suficiente.”


Quem nunca disse esse chavão que atire a primeira pedra.

Deus odeia o pecado, mas ama o pecador.
Ninguém é perfeito.
Todo mundo tem seus defeitos.
Tudo bem, eu posso ter errado, mas...
A Igreja não é lugar de santos, mas sim de pecadores.
Não que eu queira julgar, mas ele errou feio.
Quem é você para julgar?

Chavão cristão da eleição

Irmão vota em irmão.
Bancada Evangélica.

Vamos governar o Brasil para Cristo.
Precisamos de mais cristãos na política.
Vote em (fulano/beltrano/sicrano) porque ele é (católico / batista / assembléia / tradicional / pentecostal / Universal / Arminiano / Calvinista /...)
Cristão não se mete em política.
Quando
tivermos mais evangélicos/cristãos no poder, o país será melhor.


Chavões fariseus

Toda comunidade tem um fariseu dos tempos utilizam estes chavões modernos. E todos eles.

Ah, mas o pastor/padre deveria tomar uma atitude quanto a fulano/a.
Você viu o que fulano/a fez? Que absurdo!
Eu ao menos participo da igreja, não sou como fulano/a.
Eu dou meu dizimo regularmente, não sou como fulano/a.
Onde é que já se viu o pastor/padre visitar/andar com fulano/a?
Fulano/a deveria pedir desculpas em público.
Graças a Deus não sou como fulano/a, que mal participa da Igreja.


Uma verificação

Marque com X a resposta certa, seguindo sua linha inovadora, o Ofício oferece mais um produto diferenciado para seus leitores, inspirado nas diversas situações chavão do nosso dia a dia eclesiástico.

1. Fim de culto/missa/evento especial. Alguém a palavra de líder/importante/conhecido ganha última hora.

(a) Eu não poderia deixar de dizer também que é uma alegria...
(b) É com grande satisfação que...
(c) Para nós foi uma grande bênção estarmos aqui hoje.
(d) Sem opção: no mínimo 5 minutos de improviso.

2. Programa televisivo evangélico:

(a) Mesa com bíblia aberta.
(b) Púlpito de acrílico com Bíblia aberta.
(c) Alguma coisa com uma Bíblia aberta em cima
(d) Sem opção: (pre)texto bíblico para a mensagem.

3. Programa televisivo evangélico: 

(a) Você vai ver o poder de Deus...
(b) Deus quer transformar sua vida, Deus quer (isso), Deus quer (aquilo)...
(c) Seja um patrocinador deste ministério.
(d) Sem opção: Sorriso amarelo.

4. Problema financeiro:

(a) Isso é falta de fé.
(b) Confie em Deus e trabalhe.
(c) Fizeram um trabalho pra você.
(d) Sem opção: Doe tudo para a igreja que você melhora.

5. Pergunta bíblica difícil:

(a) Veja bem, irmão...
(b) É que é assim, ó...
(c) É preciso entender o contexto...
(d) Sem opção: É o que diz (fulano de tal).

6. Sermão televisivo:

(a) (fala alta) Deus tem um propósito pra você!
(b) (gritos) O Senhor é tremendo!
(c) (urros, em stacatto) O - teu - Deus - é- mui-to - maioooor!
(d) Sem opção: 30 minutos no mínimo.

7. Chavão mais não-cristão no meio gospel:

(a) Isso foi um trabalho que fizeram pra você!
(b) Encosto!
(c) Deus é fiel para quem é fiel com ele!
(d) Sem opção: Dízimo no Novo Testamento.

8. Música gospel;

(a) (cantado) Eu te (louvo/adoro/abençôo/amo/ordeno/testemunho).
(b) (falado) Ó Senhor, meu Deus, Jesus, querido, amado Pai, te louvo, profetiza, manifesta, demonstra, tremendo, oooooo gloria!
(c) (qualquer coisa, menos cantado) Riplaplapla...
(d) Sem opção: “(Qualquer duas ou três frases) + Aleluia, amém, meu Deus, amor, fé, cruz...”



Politicamente correto é o cacete!



1)

Nossos políticos vivem
Somente de oportunismo,
Querem resolver problemas
Usando o puro eufemismo,
Na ânsia de enganar o povo,
Criam bordão e modismo.

2)

Favelas se transformaram
Agora em  comunidade;
Os velhos se acabaram,
Ficou a terceira idade.
Como se essas besteiras
Mudassem a realidade.

3)

Um deficiente físico
Não é mais um aleijado.
Se chamar alguém de negro
Cara será enjaulado.
Homossexual não é mais
Veado e nem efeminado.

4)

Seca virou desconforto,
Não é mais calamidade.
Adolescente é infrator
Por causa da sua idade.
O deficiente físico
É portador de necessidade.

5)

A idiotice é tanta
Que chegou à insanidade
E para uma falta besta
Pode ter penalidade.
Para quem mata e rouba
Aí tem a impunidade.

6)

Cravo brigou com a Rosa,
Não pode ser mais cantada
E até mesmo a sua letra
Nas escolas foi mudada.
“Samba lelê tá doente,
Tá com cabeça quebrada.”

7)

Também foi modificada,
Com desculpa esfarrapada,
Atirar o pau no gato
Mostra violência à criançada.
E o país é entregue
À vontade dessa cambada.

8)

Ninguém poderá mais usar
A expressão “é coisa de veado”.
Porque por paladinos
Logo seremos censurados
E, se o sujeito persistir,
Aí será processado.

9)

Como se isso acabasse
Com a fome e a violência,
Roubalheira, corrupção,
E toda sua excrescência.
Tais besteiras, para nós,
Não traz qualquer consequência.




Henrique César Pinheiro - Fortaleza, dezembro/2010


Aprenda a amar o seu leão



Em vez de matar um leão por dia, aprenda a amar o seu.

(Pierre Schurmann)

Outro dia, fui almoçar com um amigo, hoje chegando perto de seus 70 anos. Gosto disso.

Depois de um almoço longo, no qual falamos bem pouco de negócios mas, muito sobre a vida, ele me perguntou sobre meus negócios.

Contei um pouco do que estava fazendo e, meio sem querer, disse a ele:

- Pois é, empresário, hoje, tem de matar um leão por dia.

Sua resposta, rápida e afiada, foi:

- Não mate seu leão. Você deveria mesmo era cuidar dele.

Fiquei surpreso com a resposta e ele provavelmente deve ter notado minha surpresa, pois me disse:

- Deixe-me lhe contar uma história que quero compartilhar com você.

Segue mais ou menos o que consegui lembrar da conversa:

“Existe um ditado popular antigo que diz que temos de matar um leão por dia. E por muitos anos, eu acreditei nisso, e acordava todos os dias querendo encontrar o tal leão.

A vida foi passando e muitas vezes me vi repetindo essa frase.

Quando cheguei aos 50 anos, meus negócios já tinham crescido e precisava trabalhar um pouco menos, mas sempre me lembrava do tal leão.

Afinal, quem não se preocupa quando tem de matar um deles por dia?

 Pois bem. Cheguei aos meus 60 e decidi que era hora de meus filhos começarem a tocar a firma. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que nenhum dos três estava preparado!

A cada desafio que enfrentavam, parecia que iam desmoronar emocionalmente. Para minha tristeza, tive de voltar à frente dos negócios, até conseguir contratar o Paulo, que hoje é nosso diretor geral.

Este ‘fracasso’ me fez pensar muito. O que fiz de errado no meu plano de sucessão?

Hoje, do alto dos meus quase 70 anos, eu tenho uma suspeita: a culpa foi do leão.

Novamente, eu fiz cara de surpreso.

- O que o leão tinha a ver com a história?

Ele, olhando para o horizonte, como que tentando buscar um passado distante, me disse:

- É, pode ser que a culpa não seja cem por cento do leão, mas fica mais fácil justificar dessa forma, porque, desde quando meus filhos eram pequenos, dei tudo para eles. Uma educação excelente, oportunidade de morar no exterior, estágio em empresas de amigos. Mas, ao dar tudo a eles, esqueci de dar um leão para cada, que era o mais importante.

Meu jovem, aprendi que somos o resultado de nossos desafios. A capacidade de luta que há em você, precisa de adversidades para revelar-se. Com grandes desafios, nos tornamos grandes. Com pequenos desafios, nos tornamos pequenos. Aprendi que, quanto mais bravo o leão, mais gratos temos de ser.

Por isso, aprendi a não só respeitar o leão, mas a admirá-lo e a gostar dele. A metáfora é importante, mas errônea: não devemos matar um leão por dia, mas sim cuidar do nosso. Porque o dia em que o leão, em nossas vidas morre, começamos a morrer junto com ele...

Depois daquele dia, decidi aprender a amar o meu leão. E o que eram desafios se tornaram oportunidades. Para crescer e ser mais forte nesta ‘selva’ em que vivemos.


Ai! que saudades da Varig!



Há uma antiga lenda japonesa datada do período Muromashi (século XV) que conta que um pescador chamado Urashima Taro (o "japinha" do desenho) salvou uma tartaruga de um grupo de rapazes que a estavam maltratando.

No dia seguinte, uma tartaruga enorme se aproximou dele e lhe disse que a pequena tartaruga que ele salvara era na verdade a filha do Imperador do Mar, que gostaria de vê-lo e agradecer-lhe. Ela permitiu que ele subisse em suas costas e, através de magia, fez surgir brânquias em Taro para que ele pudesse respirar debaixo d'água.

Assim pôde levá-lo a uma viagem para conhecer o fundo do mar e o palácio do rei-dragão. Lá, o pescador se encontrou com o imperador e com a sua filha, a pequena tartaruga, que agora estava transformada em uma bonita princesa.

Taro ficou no palácio como hóspede de honra e muitas festas foram feitas em sua homenagem. Assim foram se passando os dias.

Embora feliz nas águas marinhas, Urashima começou a sentir saudades de sua terra natal e de seus parentes, e pediu para voltar. Ao partir, recebeu da princesa uma arca de presente, com a promessa de que só a abrisse quando ficasse bem velho e de cabelos brancos.

Ao chegar em sua cidade, não a reconheceu, pois estava tudo muito mudado. Ele não conseguiu reconhecer nenhuma das pessoas da vila, os lugares já não eram mais os mesmos.

Começou a perguntar se ninguém conhecia um pescador chamado Urashima Tarō. Algumas pessoas disseram que tinham ouvido falar de alguém com esse nome, que havia desaparecido no mar muitos anos atrás. Taro acabou descobrindo que haviam se passado trezentos anos desde o dia em que havia decidido ir ao fundo do mar.

Tomado de grande tristeza, foi para a beira do mar na esperança de reencontrar a tartaruga, mas desesperou-se porque esta demorava e acabou abrindo a caixa que a princesa lhe havia oferecido. De dentro dela saiu uma nuvem de fumaça branca, que o envolveu. De repente, seu corpo tornou-se velho e enrugado, nasceu-lhe uma longa barba branca e suas costas curvaram-se com o peso de tantos anos. E do mar veio a voz doce e triste da princesa: “Eu lhe disse para não abrir a caixa. Nela estavam todos os seus anos …” A caixa continha a “eterna juventude” de Urashima Taro e o pescador, sem reconhecer seu valor, deixou-a ir-se para sempre.


O “Jingle” da VARIG

No final dos anos 60, a VARIG inaugurava sua rota do Brasil ao Japão e para comemorar, encomendaram um "jingle" ao notável "jinglista" Archimedes Messina. Baseado na lenda, ele fez uma adaptação genial que acabou se transformando num enorme sucesso e até hoje é um dos "jingles" mais tocados no Brasil. A gravação ficou a cargo da "Target Audio", a produção ficou a cargo de Eduardo Barros e a voz é da cantora japonesa Rosa Miyake que naquela época fazia um sucesso enorme com o programa “Imagens do Japão” da Rede Record.


O jingle

Urashima Taro,
Um pobre pescador,
Salvou uma tartaruga,
E ela, como prêmio,
Ao Brasil o levou.

Pelo reino encantado,
Ele se apaixonou
E por aqui ficou.

Passaram muitos anos,
De repente, a saudade chegou.
Uma arca misteriosa,
De presente, ele ganhou.

Ao abri-la, quanta alegria
Vibrou seu coração.
Encontrou uma passagem da VARIG
E voou feliz para o Japão.


Payada ao colorado


Jayme Caetano Braun


Eu, colorado nascido
da própria essência do povo,
clube velho, sempre novo,
que, quando pensam vencido,
volta rejuvenescido
dentro de um halo de glória;
colorado, cuja História,
legendária e delirante,
tem sido sempre a constante
de grandeza e de vitória!

Eu contemplo emocionado
o velho Internacional,
qual um pássaro bagual
de topete colorado,
cujo glorioso passado
me provoca um arrepio
e vejo, num desafio
de desassombro e carinho,
sentado e fazendo o ninho
sob a barranca do rio!

Que Deus bendiga este pano
venerado em toda parte;
este glorioso estandarte
do velho pago pampiano,
que o povoeiro campechano,
do ministro ao engraxate,
do índio que toma mate,
do soldado à criança arteira,
fizeram como bandeira
de carinho e de combate!

Colorado que destila
emoções por onde passa;
quando essa bandeira esvoaça,
o teu povo se perfila;
parece, quando desfila
no gramado, uma centelha;
e a gente quase se ajoelha,
meu velho Internacional,
ante a atração sem igual
desta jaqueta vermelha!

Colorado é do operário,
do peão, da lavadeira,
do artista, da cozinheira,
do empregado e do patrão.
Colorado é coração
que bate no gabinete,
que bate no palacete,
na caserna e no galpão.


Histórias inacreditáveis



Rabo virado pra lua...

 A mulher estava do outro lado da rua, fofocando com uma amiga e o marido em casa, conferindo a megassena. Quando viu que tinha acertado as seis dezenas enlouqueceu e começou a gritar:
- Jurema, Juremaaaa! Ganhei, ganhei a megassena!
A mulher atravessa a rua como louca, vem um ônibus e mata a coitada.
O marido fala:
- Puta que pariu, o cara quando tá com sorte, tá com sorte mesmo!


Trocando de nome

Esta história aconteceu no interior do Rio Grande do Sul, numa cidade de colonização italiana. Um colono chamava-se Domenico Bostta, é claro e já pra ver que havia uma tremenda gozação como o seu nome.
Não aguentando mais, resolveu ir a um cartório para trocar de nome.
Pergunta-lhe o tabelião:
- Qual nome que o senhor vai usar agora?
Responde, prontamente, o colono:
- Pietro Bostta.


Mulher nova, marido velho

O marido foi viajar. Ele já era meio velhusco e casado com uma mulher linda, novinha, uma graça. E era a primeira vez que ele viajava e deixava a mulher sozinha em casa. Sozinha é o modo de dizer, pois o velhote tinha um ciúme danado da moça e, possivelmente, por ter a menina em questão um arzinho muito safado, o velho não dava folga. De forma que, viajando, ele mandou uma governanta ficar na mansão tomando conta da mulher. E foi pra lá aquela senhora formal, toda elegante, severa e fina escoltar a beldade.
Logo na primeira noite em que as duas ficaram sozinhas em casa, o telefone tocou. A mulher correu pra atender, mas a governanta chegou primeiro e, com o ar muito autoritário, afastou-a do telefone e atendeu ela mesma.
- Alô... (pequena pausa) Deve ser engano, meu senhor... (Pequena pausa). Olha aqui, meu senhor, acho que o senhor se enganou. Para saber essa informação o senhor deve ligar para o Serviço de Porto e Navios. Até logo - e desligou.
- O que era? - perguntou a esposa, ansiosa
E a velha respondeu:
- Um aborrecido querendo saber se a barra estava limpa. 


Fritz e Helga

Após namorarem no sofá. No meio da noite, Fritz está quase dormindo quando a Helga começa a aporrinhar:
- Fritz, meu amorssinhas, desliga a ar condicionada!
E lá vai o alemão. Dois minutos depois:
- Fritz, meu tessorras, fecha o porta!
Lá vai ele de novo. Nem encosta a cabeça no travesseiro, a mulher já pede,
- Corrasson, pe passa a travesseirra.
Fritz cumpre a ordem novamente e já está em sono profundo quando ela o acorda:
- Marriton gostosa, vai buscar copa de água pra mulherssinha!
E ele:
- Ah, Helga, porque tu não vai tomar na cuzinha?



O início de uma carreira de sucesso


Texto de Arnaldo Branco


Todos sabem que Jovem Guarda era um programa musical comandado por Roberto Carlos. Muitos também devem saber que Roberto tentou a sorte como cantor de bossa-nova antes de se decidir pelo rock romântico que o consagrou. Mas provavelmente ninguém sabe que o Rei teve uma fase intermediária dedicada a outro ritmo musical, e que a primeira versão do programa que dividia com Erasmo e Wanderléa seguiu essa onda.

No início dos anos sessenta, o gosto dos jovens era uma incógnita. Os Beatles estavam dominando as paradas internacionais, mas as novidades chegavam aqui com muito atraso e passavam por uma fase demorada de estranhamento - convenhamos, aqueles cortes de cabelo não ajudavam. Roberto Carlos tinha acabado de fracassar com seu primeiro disco e precisava encontrar um novo estilo que cativasse a juventude. Sua nova aposta: o bolero.

Parecia fazer sentido: depois de uma fase solar e ingênua com os barquinhos da Bossa Nova e as lambretas do rock ingênuo de Toni e Celly Campello, era natural um ciclo mais introspectivo, dark. Pelo menos nos Estados Unidos houve uma entressafra entre a primeira e segunda geração do rock'n'roll em que predominou a música folclórica, mais engajada e sombria e definitivamente menos hormonal. O Bolero pareceu a resposta latina a essa tendência de mercado.

Carlos Imperial, seu empresário, comprou a ideia e decidiu que deviam ter o respaldo de um programa de TV para lançar a tendência. Como não havia nenhum dessa espécie, resolveu inventá-lo. Batizou a atração de “Fossa Nova” e juntou os parceiros Roberto e Erasmo e mais a cantora adolescente Wanderléa para entoar canções de fracasso e desespero que, tinha certeza, iriam emplacar com a moçada. Para isso, pediu aos jovens compositores que fizessem uma música que fosse uma espécie de cartão de visitas do show.

Roberto e Erasmo puseram mãos à obra e escreveram uma canção de amor e suicídio chamada “O Calhambeque”. Era uma versão rudimentar do grande sucesso que fizeram mais tarde, só que com andamento mais deprimente e, bem, com um suicídio no final. Contava a história de um rapaz que pegava um calhambeque na oficina e ia encontrar sua amada, que, em um gesto tresloucado, se atirava debaixo das rodas do veículo. A música terminava com o narrador achando que o carro estava com um problema de alinhamento, sublinhando a pungência da narrativa.

O primeiro programa foi ao ar em 1963 e durou exatos dois minutos: quando Roberto Carlos terminou de apresentar a orquestra e pendurou o acordeão para tocar o primeiro acorde, a transmissão foi interrompida para anunciar o assassinato do presidente Kennedy. Como a cobertura jornalística continuou pelo resto do dia, remarcaram para a semana seguinte a estréia do musical.

Mas nunca houve outra edição. A emissora entendeu que a realidade mundial, com a guerra fria, mísseis em Cuba e assassinatos de presidentes já estava mórbida demais. Em seu lugar estreou o programa de variedades "Belezuras de biquíni", e a emissora sugeriu que Roberto Carlos e sua trupe voltassem quando tivessem alguma idéia para um programa mais animadinho.

*****


Roberto Carlos, Carlos Imperial, ao violão, e Cauby cantando...

* Há um compacto simples com Roberto Carlos cantando duas músicas de Bossa Nova: João e Maria (Carlos Imperial e Roberto Carlos) e Fora do Tom (Carlos Imperial). Eu possuo esse compacto.

Nilo da Silva Moraes

Como matar sua associação




Não frequente a sua associação, mas quando for lá, procure algo para reclamar. Se comparecer a qualquer atividade, encontre falhas no trabalho de quem está lutando pela categoria. Nunca aceite uma incumbência, lembre-se de que é mais fácil criticar do que realizar. Se a diretoria pedir sua opinião sobre um importante assunto, responda que não tem nada a dizer e depois espalhe como deveriam ser as coisas.

Não faça mais do que absolutamente o necessário, porém, quando os diretores estiverem trabalhando com boa vontade e com interesse para que tudo corra bem, afirme que sua entidade está dominada por um grupinho.

Não leia o jornal da entidade e muito menos os comunicados. Afirme que ambos não publicam nada de interessante e melhor ainda, diga que não os recebe regularmente. Se for convidado para qualquer cargo, recuse alegando falta de tempo e depois critique com afirmações do tipo: “Esta turma quer é ficar para sempre nos cargos...” Quando tiver divergências com um diretor, procure com toda intensidade vingar-se na entidade, faça ameaças de abrir processo ético e envie cartas ao quadro social com acusações pesadas à diretoria.

Sugira, insista e cobre a realização de cursos e palestras. Quando a entidade realizá-los, não se inscreva nem compareça. Se receber um questionário da entidade solicitando sugestões, não preencha e se a diretoria não adivinhar suas ideias e pontos de vista, critique e espalhe a todos que é ignorado.

Não vá aos a seus almoços, e, sim, a almoços paralelos, marcados exatamente no dia e no horário dos marcados pela sua Associação, na casa de quem quer desestabilizá-la, onde, provavelmente, críticas infundadas são feitas, atacando a pessoas que não estão presentes e não podem se defender.*

Após toda esta colaboração espontânea, quando cessarem as publicações, as reuniões, o lazer e todas as demais atividades, enfim, quando sua entidade morrer, estufe o peito e afirme com orgulho: “Eu não disse!”

§ § §

Fonte: Revista Repórter FECESP, n° 79

(Federação dos Empregados do Comércio do Estado de São Paulo)

* Este parágrafo não consta no texto original, mas é oportuno pelos acontecimentos atuais.


Novos nomes do corpo humano


O que muda da cintura para cima...



De preferência, os novos nomes do corpo humano indicam o que o órgão faz e não apenas a sua forma. Aliás, muitos formatos estavam descritos de um jeito errado, assim como as funções. Veja alguns casos:

Zigoma: em grego, quer dizer “união de dois”. É o osso que liga as estruturas da face. Ex-malar (de “maçã” em latim). Muitos anatomistas antigos também eram botânicos e, por isso, comparavam as regiões do corpo com frutas, como no caso da “maçã do rosto”, onde fica esse osso.

Mandíbula: “que morde”, em latim. Osso do queixo onde os dentes inferiores se fixam. Era conhecido por maxilar inferior (derivado de “queixo”, em latim). Está certo que ele fica no queixo, mas, como a meta é dar nomes indicando a função, o comitê preferiu o termo mandíbula.

Artéria torácica: na origem latina, “vaso da região intermediária do corpo” É uma artéria que irriga vários órgãos do tórax, não só as mamas, como o ex-nome, mamária interna, dava a entender. Agora as cirurgias de ponte mamária no coração serão de ponte torácica.

Sistema digestório: na origem latina, “que transforma os alimentos”. É o conjunto dos órgãos responsáveis pela digestão. Ex-aparelho digestivo (“que facilita a digestão”). O final da palavra muda o sentido e, claro, o estômago e seus parceiros são mais do que meros facilitadores. Sistema, grupo de órgãos com tarefas parecidas, ficou no lugar de aparelho, que é a união de dois ou mais sistemas.

Hipófise: de origem grega, significa “embaixo da região onde o cérebro é maior”. É uma glândula comandante, que governa várias glândulas do corpo. Também podia ser chamada de pituitária (relativo à mucosa das narinas, em latim), porque até o século XVII achava-se que ela produzia o muco nasal. O conhecimento avançou, mas o antigo nome persistiu até agora.

Tonsila: do latim, quer dizer “massa arredondada de tecido”. É o aglomerado de células de defesa na garganta. Ex-amígdala (“aquilo com forma de amêndoa”, para os gregos). A mudança diferencia a estrutura da garganta de outra amígdala, que é parte do cérebro.

Proeminência laríngea: a primeira palavra vem do latim e significa “saliência”. É a região onde a laringe se alarga. Antigo pomo-de-adão (pomu, em latim, é fruta carnosa) por causa do mito de que a maçã do pecado original teria ficado presa na garganta de Adão e seus descendentes. O nome muda para evitar discriminação. Afinal, as mulheres também têm essa saliência, embora menor.

Cúbito: cubitu: em latim, é o osso da articulação entre o braço e o antebraço. Ex-cotovelo (medida usada pelos romanos, equivalente a três palmos), pois a articulação fica, mais ou menos, a essa distância da ponta dos dedos.

Ulna: braço, em latim. Na verdade é um dos ossos do antebraço. Ex-cúbito, palavra mais apropriada para o velho cotovelo, a articulação do braço.

E o que muda da cintura para baixo...


Nenhuma parte do corpo levará o nome de seu descobridor. A mania só complicava, pois nem a função nem a forma do órgão ficavam evidentes. E ainda havia casos nos quais a fama ficou para outros e não para o verdadeiro autor da descoberta. Tela subcutânea: do latim, quer dizer “trama de fios diferentes sob a pele”. Na realidade, é uma trama de tecidos diferentes. Por isso ficou no lugar de hipoderme (do grego, simplesmente “sob a pele”). Esse termo não passava a idéia de que ali existe uma mistura de tecidos diferentes.

Complexo golgiense: É a única exceção. Trata-se de uma organela dentro das células, que sempre foi conhecida por complexo de Golgi, localizada pelo fisiologista italiano Camillo Golgi (1843-1926). Os anatomistas tinham que arrancar o nome próprio. E como queriam manter a homenagem ao médico que ganhou o Prêmio Nobel em 1906, a saída foi inventar um adjetivo.

Patela: disco chato, em latim. É a articulação na altura dos joelhos. Ex-rótula (rodinha, na mesma língua). Para o comitê encarregado das mudanças, o osso estava mais para disco chato do que para rodinha.

Nódulos linfáticos: nodulu, em latim, significa nó pequeno. Aglomerado de células defensoras. Antes também eram chamadas de gânglios linfáticos (gágglion, em grego, é uma estrutura pequena). A troca é para evitar confusão. Agora todo gânglio é do sistema nervoso. E os nódulos ficam para o sistema de defesa.

Fíbula: o alfinete que fechava a toga dos romanos. O osso da perna que era perônio (do diminutivo de peroné, em francês, peça que prende as cordas do violino). Fíbula venceu porque sua função é ligar as extremidades do osso tíbia do mesmo modo como o alfinete ligava as pontas da toga.

Tendão calcâneo: tendão, de origem latina, quer dizer “o que se estende”. É o tecido fibroso no final da musculatura da perna que fica preso ao osso do calcanhar, o calcâneo. Seu nome anterior, tendão de Aquiles, apelava para o mito grego de Aquiles, herói cujo ponto fraco era bem ali.


domingo, 29 de maio de 2016

Truques para abastecer seu veículo


Truques de um Engenheiro de Segurança para abastecer os veículos!




Assim que você levar a sério e passar a aplicar os truques que a seguir são explicados, aproveitará ao máximo seu combustível e, portanto, seu dinheiro. Esperamos que lhes sejam úteis.

1º Truque:

Encher o tanque sempre pela manhã, o mais cedo possível.

A temperatura ambiente e do solo é mais baixa. Todos os postos de combustíveis têm seus depósitos debaixo terra. Ao estar mais fria a terra, a densidade da gasolina e do diesel é menor;  contrário se passa durante o dia, que a temperatura do solo sobe, e os combustíveis tendem a expandir-se. Por isto, se você enche o tanque ao meio dia, pela tarde ou ao anoitecer, o litro de combustível não será um litro exatamente.

Na indústria petrolífera, a gravidade específica e a temperatura de um solo têm um papel muito importante. Onde eu trabalho cada carregamento de combustível nos caminhões é cuidadosamente controlada no que diz respeito à temperatura. Para que, a cada galão vertido no depósito (cisterna) do caminhão seja exato.

2º Truque:

Quando for pessoalmente encher o tanque, não aperte a pistola ao máximo (pedir ao frentista no caso de ser servido). Segundo a pressão que se exerça sobre a pistola, a velocidade pode ser lenta, média ou alta.

Prefira sempre o modo mais lento e poupará mais dinheiro. Ao encher mais lentamente, cria-se menos vapor e, a maior parte do combustível vertido converte-se num cheio real, eficaz.

Todas as mangueiras vertedoras de combustível devolvem o vapor para o depósito.

Se encherem o tanque apertando a pistola ao máximo uma percentagem do precioso líquido que entra no tanque do seu veículo se transforma em vapor do combustível, já contabilizado, volta pela mangueira de combustível (surtidor) ao depósito da estação.

Isso faz com que, os postos consigam recuperar parte do combustível vendido, e o usuário acaba pagando como se tivesse recebido a real quantidade contabilizada, menos combustível no tanque pagando mais dinheiro.

3º Truque:

Encher o tanque antes que este baixe da metade. Quanto mais combustível tenha no depósito, menos ar há dentro do mesmo. O combustível evapora-se mais rapidamente do que você pensa. Os grandes depósitos cisterna das refinarias têm tetos flutuantes no interior, mantendo o ar separado do combustível, com o objetivo de manter a evaporação ao mínimo.

4º Truque:

Não encher o tanque quando o posto de combustíveis estiver sendo reabastecido e nem imediatamente depois. Se você chega ao posto de combustíveis e vê um caminhão tanque que está abastecendo os depósitos subterrâneos do mesmo,  ou os acaba de reabastecer, evite, se puder, abastecer no dito posto nesse momento.

Ao reabastecer os depósitos, o combustível é jorrado dentro do depósito,  isso faz com que o combustível ainda restante nos mesmos seja agitado e os sedimentos assentados ao fundo acabam ficando em suspensão por um tempo. Assim sendo você corre o risco de abastecer seu tanque com combustível sujo. 

Quem são eles?




Escrito por Bruno Hoffmann


Seja para escapar de perseguição política, se arriscar em estilos considerados menores ou só por brincadeira, ilustres brasileiros trataram de esconder a identidade real na hora de assinar suas obras.

Você sabe quem é Urbano, Boas Noites, Victor Leal e Inimigo dos Marotos? Certamente sabe, só não está ligando o nome à pessoa. É sob esses pseudônimos que personalidades como Di Cavalcanti, Machado de Assis, Olavo Bilac e dom Pedro 1º assinaram algumas de suas obras e escritos. E não foram só eles que se valeram do artifício. No Dicionário Literário Brasileiro, de Raimundo de Menezes, há registro de quase dois mil pseudônimos de escritores brasileiros.

Mas o que leva personalidades a sacrificarem seus nomes no momento de assinar o que fazem? Os motivos são diversos. Alguns viviam em momentos políticos tensos, e essa era a maneira de falarem o que desejavam, preservando a própria pele. Outros, para se aventurar em estilos artísticos considerados menores, ou fora do moral vigente, sem manchar o próprio nome. Havia ainda quem trocasse de nome por pura galhofa. É o caso de Aparício Torelly, que se tornou Barão de Itararé para conceder a si mesmo “uma carta de nobreza”.

Apesar das tentativas de se esconder sob nomes insuspeitos, não teve jeito. O Almanaque despiu a fantasia de grandes brasileiros que, anonimamente, criaram polêmicas, provocaram poderosos, maltrataram adversários e até receberam propostas de casamento. Histórias inusitadas e saborosas não faltam. Afinal, quando a identidade é preservada, a liberdade é total.

Presidiário pediu Nelson Rodrigues em casamento

Histórias amorosas e apimentadas de uma desconhecida Suzana Flag começaram a fazer sucesso nas páginas de O Jornal no fim da década de 1940. O folhetim diário Meu Destino É Pecar tornou-se o principal entretenimento das mulheres casadas, que destacavam o caderno do jornal comprado pelos maridos. Certa vez, um erro da gráfica fez com que o periódico não trouxesse a continuação da história do dia anterior. Duzentas senhoras invadiram a redação para tirar satisfação com o editor, exigindo saber logo como findaria a trama.

Mas não eram só as madames que tinham admiração por Suzana Flag. Era comum a cronista receber cartas de admiradores, algumas até com pedidos de casamento – certa vez, um presidiário apaixonado teria sugerido levar a moça ao altar. O público só começou a desconfiar da identidade da escritora quando a página de Suzana – nesta altura, já no Última Hora – acabou para dar lugar a outra coluna muito parecida: A Vida Como Ela É. Sim, para decepção dos apaixonados, Suzana Flag era Nelson Rodrigues.

O compositor erudito Guerra-Peixe também gostava de se aventurar pela canção popular. Mas anonimamente. O músico gravou discos como Jean Kelson e compôs sambas e boleros como Célio Rocha e Bob Morl.

Machado de Assis, ou Malvolio, ou Victor de Paula, ou Lélio...

Durante a vida, Machado de Assis escreveu muitos contos e artigos para a imprensa. Boa parte deles valendo-se de pseudônimos – desde o óbvio M.A. até o inusitado João das Regras. Sob esses nomes, o escritor criticou a imprensa, analisou costumes e defendeu o fim da escravidão. Conheça alguns dos muitos personagens por trás do Bruxo do Cosme Velho.

Para a revista O Espelho, em 1859, M.-AS. divulgou um evento que aconteceria, e citou a si mesmo, dizendo que haveria “poesia do sr. Machado de Assis, meu íntimo amigo, meu alter ego, a quem tenho muito afeto”.

Segundo o escritor Max Fleiuss, foi na Semana Ilustrada que Machado de Assis conquistou maior habilidade para fazer crônicas. Mas não queria saber de usar o próprio nome. Assinava Dr. Semana.

Como Victor de Paula, Machado publicou contos no Jornal da Família. Anos depois, confessou, ao lançar o texto em outro jornal: “Este escrito teve um primeiro texto, que reformei totalmente mais tarde, não aproveitando mais do que a ideia. O primeiro foi dado com um pseudônimo e passou despercebido”.

Para a seção Bons Dias, da Gazeta de Notícias, Machado criticava os fazendeiros favoráveis à permanência da escravidão. Mas era Boas Noites quem assinava os textos. Outros pseudônimos do Bruxo do Cosme Velho: Job, Platão, Lara, Manassés, Eleazar, Lélio, Malvolio.

Autor de sacanagem era respeitável funcionário público

Uma publicação apimentada embalou a imaginação dos jovens durante os anos 1950 e 1960. Eram revistas clandestinas com desenhos e textos de alto teor erótico. Quem assinava era um tal de Zéfiro. O autor tinha boa razão para esconder o nome real: Alcides de Aguiar Caminha era funcionário público. Sua identidade só foi revelada em 1990, numa histórica entrevista para a Playboy. A capa do disco Barulhinho Bom, de Marisa Monte, traz ilustrações de Alcides, ou Zéfiro.

Di Cavalcanti começou a carreira a inda adolescente, em 1914, como cartunista. Mas foi como ilustrador da revista Guanabara, em 1920, que começou a chamar a atenção. Porém, ninguém sabia de quem se tratava. Di assinava como Urbano, principalmente quando os temas de seu s traços eram políticos.

O Partido Comunista não gostava nada das atividades literárias de Pagu. Para driblar o partidão, a escritora passou a assinar seus contos como King Shelter.

Quando Alceu Amoroso Lima foi convidado para ser crítico literário em O Jornal, em 1919, decidiu mudar o nome para Tristão de Ataíde. À época, ele havia herdado do pai a fábrica de tecidos Cometa, e queria distinguir a atividade empresarial da literária.

Para ser músico, Braguinha virou passarinho arquiteto

O pai fazia questão que o rapaz cursasse Arquitetura. Disso não abria mão. Mas o que Braguinha queria mesmo era saber de música. Logo, o futuro autor de algumas das marchinhas mais emocionantes que conhecemos se tornaria integrante do Bando de Tangarás, ao lado de Noel Rosa e Almirante. E para fugir da marcação paterna, adotou um pseudônimo: João de Barro. Ironicamente, o pássaro arquiteto.

Articulista misterioso bombardeava inimigos de Pedro 1º

O reinado de dom Pedro 1º foi marcado por atribulações políticas entre o governo e opositores. Os inimigos do imperador às vezes recebiam respostas via imprensa – muitas vezes recaindo para a baixaria. Principalmente quando eram assinadas por Duente, Aristarco ou Inimigo dos Marotos. O autor por trás desses nomes era o próprio imperador. Num artigo para o jornal O Espelho, dom Pedro (ou, melhor, Aristarco) disparou contra um desafeto: “Ninguém é mais estrondoso em arrotar, mais forte em espumar e mais pequeno em argumentar”.

Maneco criou Jacinto para manter fama de macho

O jornalista Maneco Muller é considerado o precursor da moderna coluna social brasileira. Quando aceitou o cargo no jornal Correio da Manhã, porém, pediu ao editor para assinar como Jacinto de Thormes, personagem de um romance de Eça de Queirós. E justificou: “É que coluna social é coisa de veado”.

Primeira-dama caricaturista invertia o nome para se proteger

Ela é tida como a primeira mulher caricaturista do Brasil, mas há quem defenda que foi a primeira do mundo. Nair de Teffé não perdoava os poderosos com seus desenhos ácidos e debochados. Por ser mulher, filha de barão e mais tarde esposa do presidente Hermes da Fonseca, tinha razões de sobra para preservar seu nome nas caricaturas que publicava em periódicos como Fon-Fon, O Malho e Revista da Semana. Assinava como Rian – Nair de trás para frente.

Bilac usou pseudônimo para lançar literatura barata

Fim do século 19. Um escritor chamado Victor Leal se tornou popular por seu estilo ultrarromântico ao publicar três histórias em jornais cariocas. Destaque para O Esqueleto, de 1890. Como ninguém o conhecia, um ilustrador tratou de desenhá-lo como um sujeito magro, narigudo e que usava chapéu e monóculo. Na verdade, Victor Leal nunca existiu. Era um pseudônimo conjunto do jornalista Pardal Mallet, do dramaturgo Coelho Neto e dos escritores Aluísio Azevedo e Olavo Bilac. Era uma forma de todos sentirem-se livres para produzir “literatura barata”, de menor qualidade. É de Bilac – um parnasiano ferrenho – boa parte dos textos melosos de O Esqueleto.

Sérgio Porto criou não só Stanislaw, mas toda a sua família

Quando o jornalista Sérgio Porto foi convidado a ocupar o espaço da coluna de Jacinto de Thormes no Diário Carioca, em 1953, tratou de fazer a mesma exigência do antecessor: ter um pseudônimo. A intenção era ter liberdade total para escrever o que lhe desse na telha. E assim nasceu Stanislaw Ponte Preta, além de sua família, que incluía tia Zulmira – ermitã que costurava casaquinhos para órfãos de uma colônia de nudismo –, e Rosamundo das Mercês, o distraído, que um dia foi entregar roupas no casarão da família e esqueceu de voltar para casa. Mais tarde, Porto escondeu-se sob o personagem para publicar ácidas críticas à ditadura militar na seção Febeapá – Festival de Besteiras que Assola o País.

“O Chico Buarque está faturando no meu nome”

Em meados da década de 1970, as músicas de Chico Buarque dificilmente passavam pelo crivo da censura. O compositor então assumiu o pseudônimo Julinho da Adelaide para assinar Acorda Amor, retrato claro da perseguição política na época: Sonhei que tinha gente lá fora / Batendo no portão, que aflição / Era a dura, numa muito escura viatura... Julinho ainda comporia Jorge Maravilha e Milagre Brasileiro.

Mais tarde, Chico tratou de dar molho especial ao personagem. Numa entrevista a Mário Prata para o jornal Última Hora, “Julinho” disse não querer ser fotografado por ter cicatriz na testa, surgida após ser atingido pelo violão de Sérgio Ricardo durante o festival de música de 1967. E até falou mal de Chico: “O Chico Buarque está faturando no meu nome”.

Batalha que não aconteceu fez nascer o Barão de Itararé

Barão de Itararé é o pioneiro no jornalismo político com humor no Brasil. O pseudônimo pomposo de Aparício Torelly surgiu em 1930. As tropas de Getúlio Vargas ameaçavam sair do Rio Grande do Sul para tomar o poder. Os homens fiéis ao presidente Washington Luís prometiam resistir. E a imprensa anunciou que poderia haver “a batalha mais sangrenta da América do Sul” na cidade de Itararé, entre São Paulo e Paraná. Mas logo os envolvidos trataram de fazer acordos. As trocas de favores políticos evitaram a batalha. Aparício Torelly ironizou a situação, dizendo que não tinha sobrado nada para ele. “Eu fiquei chupando o dedo. Foi então que resolvi conceder a mim mesmo uma carta de nobreza. Então passei a Barão de Itararé, em homenagem à batalha que não houve.”

Em Almanaque Brasil da TAM


Histórias de políticos



Na Câmara, ainda no Rio, quando seu presidente Ranieri Mazzini deu a palavra a Carlos Lacerda, representante do Distrito Federal, o deputado Bocaiúva Cunha foi rápido e gritou ao microfone, sob os risos do plenário:
 - Lá vem o purgante!
Lacerda, num piscar de olhos, respondeu:
- Os senhores acabaram de ouvir o efeito!

(Muito mais risos, até dos adversários...)

O nome do menino

Uma senhora do Lastro, foi registrar o filho, mas, ao ser impedida pelo juiz de batizá-lo com o nome de Efeijão da Silva, procurou o Prefeito Expedito Gonçalves.
Mesmo contrariado, Expedito procurou o juiz, que reagiu:
- Efeijão não é nome. É coisa de comida.
Expedito, pondo-se na defesa da mulher:
- Oxente, e a Senhora não acabou de batizar um menino de nome Emílio?

Erros no discurso

Um político, daqueles bem picaretas e caras de pau, sobe no palanque e começa o discurso:
- Meus cidadão! Se eu fô eleito, vô construí as escola!
Os eleitores ficam em silêncio, constrangidos com o português errado do candidato.
- Eu tombém vô construí as igreja, as creche...
O silêncio fica ainda mais constrangedor. Nessa hora, um assessor não aguenta mais, chama ele e sussurra no seu ouvido:
- Chefe... Emprega o plural que você ganha mais votos!
O político se empolga e responde:
- Deixa comigo!
E recomeça o discurso:
- Eu vô empregá o plurá!... A mãe do plurá, o pai do plurá, toda a famía do plurá, porque eles merece!

Firme?

Um governador assiste à televisão num domingo à tarde. Chega um assessor e pergunta:
- Firme, governador?
Ao que o governador responde:
- Não, por enquanto só o Sirvo Santos.


Textos de Mário Quintana



Textos do livro de poemas “Sapato Florido”, 
de Mário Quintana


O Susto

Isto foi há muito tempo, na infância provinciana do autor, quando havia serões em família.
Juquinha estava lendo, em voz alta, A Confederação dos Tamoios.
Tarararararará, tarararararará,
Tarararararará, tarararararará,
Lá pelas tanta, Gabriela deu o estrilo:
- Mas não tem rima!
Sensação. Ninguém parava de não acreditar. Juquinha, desamparado, lê às pressas os finais dos últimos versos... quérulo... branco... tuba... inane... vaga... infinitamente...
Meu Deus! Como poderia ser aquilo?!
- A rima deve estar no meio, - diz, sentencioso, o major Pitaluga.
E todos suspiraram, agradecidos.

Filó

O negrinho Filó era um artista no pente. Naquele velho pente envolto em papel de seda, tirava tudo, de ouvido, desde a Canção do Soldado até La donna è móbile. A gente ficava escutando, com orgulho e inveja. Pois nenhum de nós conseguia tocar pente. Dava-nos cócegas e, como dizia a Gabriela, “a gente se agachava a sirri que não parava mais”. Quando ele morreu, foi logo declarando a sua qualidade para São Pedro: “Musgo!” E São Pedro lhe deu uma gaitinha de boca. Uma linda gaitinha de boca. E até hoje ele vive explicando que não há nada como o pente... Mas o Céu é tão perfeito que na sua Filarmônica não existem instrumentos de emergência: uma pente lá, é um pente mesmo.

Dos Velhos Hábitos

Metia-nos um medo! Era um retrato avoengo, um velho juiz dos velhos tempos, sobrecenho feroz, barba de passa-piolho. De nada ria... Creio que já nascera juiz. Mas piscava o olho quando a criadinha punha-se a esfregar vagarosamente o assoalho, a criadinha de saia arregaçadas e joelhos roliços e juntinhos... e que aliás nunca bispou coíssima nenhuma.

Viver

 Vovô ganhou mais um dia. Sentado na copa, de pijama e chinelos, enrola o primeiro cigarro e espera o gostoso café com leite.
Lili, matinal como um passarinho, também espera o café com leite.
Tal e qual vovô.
Pois só as crianças e os velhos conhecem a volúpia de viver dia a dia, hora a hora, e suas esperas e desejos nunca se estendem além de cinco minutos...

Fatalidade

Em todos os velórios há sempre uma senhora gorda que, em determinado momento, suspira e diz:
- Coitado! Descansou...

Exegese

- Mas que quer dizer esse poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.
- E que quer dizer uma nuvem? - retruquei triunfante.
- Uma nuvem? - diz ela. - Uma nuvem umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...


Texto do livro de poemas “Espelho Mágico”, 
de Mário Quintana


Do Estilo

Fere de leve a frase... E esquece... Nada
Convém que se repita...
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa cem mil vezes dita.

Das Belas Frases

Frases felizes... Frase encantadas...
Ó festa dos ouvidos!
Sempre há tolices muito bem ornadas...
Como há pacóvios bem vestidos.

Do Mal e do Bem

Todos têm seu encanto: os santos e os corruptos.
Não há coisa, na vida, inteiramente má.
Tu dizes que a verdade produz frutos...
Já viste as flores que mentira dá?

Da Indulgência

Não perturbes a paz da tua vida,
Acolhe a todos igualmente bem.
A indulgência é a maneira mais polida
De desprezar alguém.

Das Ilusões

Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entretanto, após cada ilusão perdida...
Que extraordinária sensação de alívio!

Da Mediocridade

Nossa alma incapaz e pequenina,
Mais complacência que irrisão merece.
Se ninguém é tão bom quanto imagina,
Também não é tão mau como parece.

Do Pranto

Não tentes consolar o desgraçado
Que chora amargamente a sorte má.
Se o tirares por fim do seu estado,
Que outra consolação lhe restará?

Da Felicidade

Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura,
Tendo-os na ponta do nariz.

Da Discrição

Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...