sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Histórias pitorescas da bossa nova



Todo mundo ouvia falar muito de João Gilberto. Diziam que era um cara maluco, que já havia sido internado, vivia de cabelo enorme, barbado e que, como um vampiro, só saía à noite.

Certo dia, chegou à casa de Ronaldo Bôscoli. Não era nada do que diziam as más línguas.

Cabelo cortado, barba feita, sapato engraxado e, claro, um violão debaixo do braço. Tocou um violão fantástico que deixou todo mundo boquiaberto e explicou que tinha brigado com o Tito Madi, não tendo para onde ir. Já era madrugada quando João, convidado pelo Bôscoli, mudou-se para o pequeno quarto-e-sala do Edifício Haiti onde já moravam, além do Bôscoli, Mièle e um empregado chamado Chico. Cinco “artistas” num quarto-e-sala.

Era um sujeito de hábitos muito estranhos. Ficava horas ao telefone, horas no banheiro, para desespero dos outros moradores. Dormia vestido, com uma gravata tapando os olhos. Ficava,como um morto, em decúbito dorsal. Sempre muito limpo, muito asseado.

Havia um sistema para compras de mantimentos para a casa em que todos cooperavam. Só que o João Gilberto só comprava o que gostava: Tangerina!

Ia pra rua de madrugada, passava na feira e comprava quilos de tangerina. Chegava por volta das seis horas e acordava todo mundo, cantando as músicas do dono da casa, Ronaldo Bôscoli. Aprendeu “Lobo Bobo” (que o Bôscoli fez para a Nara) e “Saudade fez um Samba”, com acordes magníficos, deslumbrando a todos.

Certo dia disse ao Ronaldo (a quem ele chamava de “Ronga”):

- Que suéter bonito, Ronga! Vocês cariocas têm bom gosto! Me empresta?.

O coitado do Bôscoli emprestou o lindo suéter que ficou pra sempre com o “cara-de-pau”.

Quem quiser vê-lo, compre o primeiro LP que gravou: “Chega de Saudade”. O suéter está lá.


Capa do primeiro LP gravado por João Gilberto em 1959.
Na foto, João Gilberto está com o famoso suéter.




Duas histórias chinesas



I

Honestidade Insincera

(Adaptação de uma lenda chinesa)

No reinado de Ts’u havia um jovem chamado Honesto. Seu pai roubou uma ovelha e ele foi avisar o juiz, que mandou prender o culpado e resolveu puni-lo. O jovem Honesto pediu para arcar com a pena em lugar do pai. E, no momento em que o castigo ia ser aplicado, dirigiu-se ao oficial:

– Quando meu pai roubou a ovelha e eu dei parte, não agi com honestidade? Quando meu pai ia receber o castigo, não estaria eu, como filho, honrando meu pai? Se forem punidos igualmente o honesto e o filial, quem haverá de não ser punido em todo o reino?

Ao ouvir essas palavras, o juiz soltou rapaz. Quando Confúcio ouviu a história, disse:

– Estranho! Um rapaz sujar o nome do pai para criar uma reputação para a própria honestidade! Se isso fosse honestidade, seria melhor ser desonesto.

II

Suspeita Injusta

(Adaptação de uma lenda chinesa)

Um certo homem perdeu um machado. Suspeitou imediatamente que o filho do vizinho o havia roubado. Assim que avistou o menino, teve a impressão de estar vendo um sujeito que acabara de roubar um machado; quando o ouviu falar, suas palavras soaram como as de alguém que acabara de roubar um machado. Todas a suas atitudes e gestos eram os de quem acabara de roubar um machado.

Mais tarde, quando estava cavando uma vala, encontrou o machado perdido.

No dia seguinte, ao tornar a ver o filho do vizinho, achou que suas atitudes e gestos não eram mais as de quem acabara de roubar um machado. O menino não mudou, quem mudou foi o homem! E a única razão para essa mudança morreu em sua suspeita.


(“O Livro das Virtudes” – uma antologia de William J. Bennett)
Editora Nova Fronteira


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A Caolha


Júlia Lopes de Almeida


Ilustração de Alex Trimurti

A caolha era uma mulher magra, alta, macilenta, peito fundo, busto arqueado, braços compridos, delgados, largos nos cotovelos, grossos nos pulsos; mãos grandes, ossudas, estragadas pelo reumatismo e pelo trabalho; unhas grossas, chatas e cinzentas, cabelo crespo, de uma cor indecisa entre o branco sujo e o louro grisalho, desse cabelo cujo contato parece dever ser áspero e espinhento; boca descaída, numa expressão de desprezo, pescoço longo, engelhado, como o pescoço dos urubus; dentes falhos e cariados.
O seu aspecto infundia terror às crianças e repulsão aos adultos; não tanto pela sua altura e extraordinária magreza, mas porque a desgraçada tinha um defeito horrível: haviam lhe extraído o olho esquerdo; a pálpebra descera mirrada, deixando, contudo, junto ao lacrimal, uma fístula continuamente porejante.
Era essa pinta amarela sobre o fundo denegrido da olheira, era essa destilação incessante de pus que a tornava repulsiva aos olhos de toda gente.
Morava numa casa pequena, paga pelo filho único, operário numa fábrica de alfaiate; ela lavava a roupa para os hospitais e dava conta de todo o serviço da casa inclusive cozinha. O filho, enquanto era pequeno, comia os pobres jantares feitos por ela, às vezes até no mesmo prato; à proporção que ia crescendo, ia-se a pouco e pouco manifestando na fisionomia a repugnância por essa comida; até que um dia, tendo já um ordenadozinho, declarou à mãe que, por conveniência do negócio, passava a comer fora…
Ela fingiu não perceber a verdade, e resignou-se.
Daquele filho vinha-lhe todo o bem e todo o mal.
Que lhe importava o desprezo dos outros, se o seu filho adorado lhe pagasse com um beijo todas as amarguras da existência?
Um beijo dele era melhor que um dia de sol, era a suprema carícia para o triste coração de mãe! Mas… os beijos foram escasseando também, com o crescimento do Antonico! Em criança ele apertava-a nos braços e enchia-lhe a cara de beijos; depois, passou a beijá-la só na face direita, aquela onde não havia vestígios de doença; agora, limitava-se a beijar-lhe a mão!
Ela compreendia tudo e calava-se.
O filho não sofria menos.
Quando em criança entrou para a escola pública da freguesia, começaram logo os colegas, que o viam ir e vir com a mãe, a chamá-lo – o filho da caolha.
Aquilo exasperava-o; respondia sempre:
– Eu tenho nome!
Os outros riam e chacoteavam-no; ele se queixava aos mestres, os mestres ralhavam com os discípulos, chegavam mesmo a castigá-los – mas a alcunha pegou. Já não era só na escola que o chamavam assim.
Na rua, muitas vezes, ele ouvia de uma ou outra janela dizerem: o filho da caolha! Lá vai o filho da caolha! Lá vem o filho da caolha!
Eram as irmãs dos colegas, meninas novas, inocentes e que, industriadas pelos irmãos, feriam o coração do pobre Antonico cada vez que o viam passar!
As quitandeiras, onde iam comprar as goiabas ou as bananas para o lanche, aprenderam depressa a denominá-lo como os outros, e, muitas vezes, afastando os pequenos que se aglomeravam ao redor delas, diziam, estendendo uma mancheia de araçás, com piedade e simpatia:
– Taí, isso é para o filho da caolha!
O Antonico preferia não receber o presente a ouvi-lo acompanhar de tais palavras; tanto mais que os outros, com inveja, rompiam a gritar, cantando em coro, num estribilho já combinado:
– Filho da caolha, filho da caolha!
O Antonico pediu à mãe que não o fosse buscar à escola; e muito vermelho, contou-lhe a causa; sempre que o viam aparecer à porta do colégio os companheiros murmuravam injúrias, piscavam os olhos para o Antonico e faziam caretas de náuseas.
A caolha suspirou e nunca mais foi buscar o filho.
Aos onze anos o Antonico pediu para sair da escola: levava a brigar com os condiscípulos, que o intrigavam e malqueriam. Pediu para entrar para uma oficina de marceneiro. Mas na oficina de marceneiro aprenderam depressa a chamá-lo – o filho da caolha, a humilhá-lo, como no colégio.
Além de tudo, o serviço era pesado e ele começou a ter vertigens e desmaios. Arranjou então um lugar de caixeiro de venda: os seus colegas agruparam-se à porta, insultando-o, e o vendeiro achou prudente mandar o caixeiro embora, tanto que a rapaziada ia-lhe dando cabo do feijão e do arroz expostos à porta nos sacos abertos! Era uma contínua saraivada de cereais sobre o pobre Antonico!
Depois disso passou um tempo em casa, ocioso, magro, amarelo, deitado pelos cantos, dormindo às moscas, sempre zangado e sempre bocejante! Evitava sair de dia e nunca, mas nunca, acompanhava a mãe; esta poupava-o: tinha medo que o rapaz, num dos desmaios, lhe morresse nos braços, e por isso nem sequer o repreendia! Aos dezesseis anos, vendo-o mais forte, pediu e obteve-lhe, a caolha, um lugar numa oficina de alfaiate. A infeliz mulher contou ao mestre toda a história do filho e suplicou-lhe que não deixasse os aprendizes humilhá-lo; que os fizesse terem caridade!
Antonico encontrou na oficina uma certa reserva e silêncio da parte dos companheiros; quando o mestre dizia: sr. Antonico, ele percebia um sorriso mal oculto nos lábios dos oficiais; mas a pouco e pouco essa suspeita, ou esse sorriso, se foi desvanecendo, até que principiou a sentir-se bem ali.
Decorreram alguns anos e chegou a vez de Antonico se apaixonar. Até aí, numa ou outra pretensão de namoro que ele tivera, encontrara sempre uma resistência que o desanimava, e que o fazia retroceder sem grandes mágoas. Agora, porém, a coisa era diversa: ele amava! Amava como um louco a linda moreninha da esquina fronteira, uma rapariguinha adorável, de olhos negros como veludos e boca fresca como um botão de rosa. O Antonico voltou a ser assíduo em casa e expandia-se mais carinhosamente com a mãe; um dia, em que viu os olhos da morena fixarem os seus, entrou como um louco no quarto da caolha e beijou-a mesmo na face esquerda, num transbordamento de esquecida ternura!
Aquele beijo foi para a infeliz uma inundação de júbilo! Tornara a encontrar o seu querido filho! Pôs-se a cantar toda a tarde, e nessa noite, ao adormecer, dizia consigo:
– Sou muito feliz… o meu filho é um anjo!
Entretanto, o Antonico escrevia, num papel fino, a sua declaração de amor à vizinha. No dia seguinte mandou-lhe cedo a carta. A resposta fez-se esperar. Durante muitos dias Antonico perdia-se em amarguradas conjecturas.
Ao princípio pensava: – É o pudor.
Depois começou a desconfiar de outra causa; por fim recebeu uma carta em que a bela moreninha confessava consentir em ser sua mulher, se ele se separasse completamente da mãe! Vinham explicações confusas, mal alinhavadas: lembrava a mudança de bairro; ele ali era muito conhecido por filho da caolha, e bem compreendia que ela não se poderia sujeitar a ser alcunhada em breve de – nora da caolha, ou coisa semelhante!
O Antonico chorou! Não podia crer que a sua casta e gentil moreninha tivesse pensamentos tão práticos!
Depois o seu rancor se voltou para a mãe.
Ela era a causadora de toda a sua desgraça! Aquela mulher perturbara a sua infância, quebrara-lhe todas as carreiras, e agora o seu mais brilhante sonho de futuro sumia-se diante dela! Lamentava-se por ter nascido de mulher tão feia, e resolveu procurar meio de separar-se dela; iria considerar-se humilhado continuando sob o mesmo teto; havia de protegê-la de longe, vindo de vez em quando vê-la à noite, furtivamente…
Salvava assim a responsabilidade do protetor e, ao mesmo tempo, consagraria à sua amada a felicidade que lhe devia em troca do seu consentimento e amor…
Passou um dia terrível; à noite, voltando para casa levava o seu projeto e a decisão de o expor à mãe.
A velha, agachada à porta do quintal, lavava umas panelas com um trapo engordurado. O Antonico pensou: “Ao dizer a verdade eu havia de sujeitar minha mulher a viver em companhia de… uma tal criatura?” Estas últimas palavras foram arrastadas pelo seu espírito com verdadeira dor. A caolha levantou para ele o rosto, e o Antonico, vendo-lhe o pus na face, disse:
 – Limpe a cara, mãe…
Ela sumiu a cabeça no avental; ele continuou:
– Afinal, nunca me explicou bem a que é devido esse defeito!
– Foi uma doença, – respondeu sufocadamente a mãe – é melhor não lembrar isso!
– E é sempre a sua resposta: é melhor não lembrar isso! Por quê?
– Porque não vale a pena; nada se remedeia…
– Bem! Agora escute: trago-lhe uma novidade. O patrão exige que eu vá dormir na vizinhança da loja… já aluguei um quarto; a senhora fica aqui e eu virei todos os dias saber da sua saúde ou se tem necessidade de alguma coisa… É por força maior; não temos remédio senão sujeitar-nos!…
Ele, magrinho, curvado pelo hábito de costurar sobre os joelhos, delgado e amarelo como todos os rapazes criados à sombra das oficinas, onde o trabalho começa cedo e o serão acaba tarde, tinha lançado naquelas palavras toda a sua energia, e espreitava agora a mãe com um olhar desconfiado e medroso.
A caolha se levantou e, fixando o filho com uma expressão terrível, respondeu com doloroso desdém:
– Embusteiro! O que você tem é vergonha de ser meu filho! Saia! Que eu também já sinto vergonha de ser mãe de semelhante ingrato!
O rapaz saiu cabisbaixo, humilde, surpreso da atitude que assumira a mãe, até então sempre paciente e cordata; ia com medo, maquinalmente, obedecendo à ordem que tão feroz e imperativamente lhe dera a caolha.
Ela o acompanhou, fechou com estrondo a porta, e vendo-se só, encostou-se cabaleante à parede do corredor e desabafou em soluços.
O Antonico passou uma tarde e uma noite de angústia.
Na manhã seguinte o seu primeiro desejo foi voltar a casa; mas não teve coragem; via o rosto colérico da mãe, faces contraídas, lábios adelgaçados pelo ódio, narinas dilatadas, o olho direito saliente, a penetrar-lhe até o fundo do coração, o olho esquerdo arrepanhado, murcho – murcho e sujo de pus; via a sua atitude altiva, o seu dedo ossudo, de falanges salientes, apontando-lhe com energia a porta da rua; sentia-lhe ainda o som cavernoso da voz, e o grande fôlego que ela tomara para dizer as verdadeiras e amargas palavras que lhe atirara no rosto; via toda a cena da véspera e não se animava a arrostar com o perigo de outra semelhante.
Providencialmente, lembrou-se da madrinha, única amiga da caolha, mas que, entretanto, raramente a procurava.
Foi pedir-lhe que interviesse, e contou-lhe sinceramente tudo o que houvera.
A madrinha escutou-o comovida; depois disse:
– Eu previa isso mesmo, quando aconselhava tua mãe a que te dissesse a verdade inteira; ela não quis, aí está!
– Que verdade, madrinha?
Encontraram a caolha a tirar umas nódoas do fraque do filho – queria mandar-lhe a roupa limpinha. A infeliz se arrependera das palavras que dissera e tinha passado a noite à janela, esperando que o Antonico voltasse ou passasse apenas… Via o porvir negro e vazio e já se queixava de si! Quando a amiga e o filho entraram, ela ficou imóvel: a surpresa e a alegria amarraram-lhe toda a ação.
A madrinha do Antonico começou logo:
– O teu rapaz foi suplicar-me que te viesse pedir perdão pelo que houve aqui ontem e eu aproveito a ocasião para, à tua vista, contar-lhe o que já deverias ter-lhe dito!
– Cala-te! – murmurou com voz apagada a caolha.
– Não me calo! Essa pieguice é que te tem prejudicado! Olha, rapaz! Quem cegou a tua mãe foste tu!
O afilhado tornou-se lívido; e ela concluiu:
– Ah, não tiveste culpa! Eras muito pequeno quando, um dia, ao almoço, levantaste na mãozinha um garfo; ela estava distraída, e antes que eu pudesse evitar a catástrofe, tu o enterraste pelo olho esquerdo! Ainda tenho no ouvido o grito de dor que ela deu!
O Antonico caiu pesadamente de bruços, com um desmaio; a mãe acercou-se rapidamente dele, murmurando trêmula:
– Pobre filho! Vês? Era por isto que eu não queria dizer nada!

*****

(Os cem melhores contos brasileiros do século – Objetiva)


Júlia Lopes de Almeida

Nascimento: 24 de setembro de 1862, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro;
Falecimento: 30 de maio de 1934, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Júlia Valentina da Silveira Lopes de Almeida, nascida no Rio de Janeiro em 1862, demonstrou desde cedo interesse para a escrita e, apesar de a sociedade não considerar adequado esse trabalho para mulheres, ela teve o privilégio de receber o apoio do pai e, mais tarde, do marido.

Figura menor no criticado cânone da academia brasileira, que ainda inviabiliza muitas escritoras, publicou seu primeiro texto na Gazeta de Campinas, em 1881. Trabalhou como jornalista, dramaturga, cronista, romancista, além de escrever contos, inclusive infantis. Participou das reuniões para formação da Academia Brasileira de Letras, mas ficou de fora por ser mulher. Seu marido, Filinto de Almeida, diz-se, foi eleito em sua homenagem.

Nas peças que escreveu, o drama das personagens femininas aponta para a falta de perspectiva e resignação do casamento e as possibilidades de realização na vida de solteira. Isso é representado através do abandono ou impossibilidade dos estudos da futura esposa, o sonho de realização profissional que lhe é proibido.  E, na mulher que foge do casamento arranjado, faz-se sentir a esperança. Também mostra o papel da própria mulher que reproduz o machismo se imbuindo do poder opressor, representando o controle que possui e a humilhação que proporciona.

Quando descreveu cidades como Santos e Rio de Janeiro em suas crônicas, é possível sentir o clima de um Brasil recém-república no qual as concepções urbanas higienistas (física e moral), que se espelhavam em padrões europeus, somados com um quê de belle époque brasileira, davam um tom de encantamento com uma urbanidade produzida e excludente. Ecos de crítica também acabam ressoando em seus textos, contudo há sempre uma limitação latente: Júlia Lopes de Almeida possuía claras demarcações em seus escritos.

Pode-se pensar em concessões que se obrigava a praticar para garantir seu lugar, mesmo que diminuído, entre os escritores da época. Contudo, é importante refletir sobre qual tipo de mulher Júlia representa: uma mulher branca, privilegiada e letrada, que, embora defenda a educação e vida profissional das mulheres, muitas vezes associa a necessidade destas conquistas ao papel que a mulher deveria exercer na época. O caráter restrito de sua crítica reflete um posicionamento que evita o enfrentamento direto, utiliza um discurso que pode até ser considerado atenuado, porque tenta se inserir num meio hostil, podendo falar de suas reflexões, vez por outra, por suas personagens e narrações, como em A Caolha.


Matriz ou Filial



Samba Canção
Autoria: Letra e Música Lúcio Cardim
  
Lúcio Cardim, cantor e compositor santista, foi muito feliz nesta música, relatando o drama de milhões de amantes que, mesmo vivenciando “amores impossíveis”, continuam a seguir suas paixões, mas sem coragem de assumir o verdadeiro amor, talvez por covardia ou por ser mais fácil continuar "a três". “Matriz ou Filial” é sua composição de maior sucesso tendo sido gravada cerca de 50 vezes pelos mais diferentes cantores como Jamelão, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Altemar Dutra, Nora Nei, Marta Mendonça, Nelson Gonçalves, Wilson Miranda, Maria Bethânia, Chitãozinho e Chororó, Simone e muitos outros. Lúcio Cardim autor de 250 composições teve 90 delas gravadas, faleceu aos 50 anos em 1982.

Lúcio é quem conta: 

“Fui quebrar um galho no hospital do Iapetec e então ele (um amigo) me contou a história. 

Ele disse: 

“Olha, eu gosto de uma pessoa aí, mas a pessoa, quando tá assim meio brigada comigo, corre pra um outro que tem mais dinheiro do que eu”. 

Eu disse: 

“Puxa, mas você tem bastante dinheiro”. 

“Tenho bastante dinheiro, mas tem um que tem mais do que eu”. 

Eu disse: 

“Então, cada um vale o que tem”. 

Ele: 

“Sabe que isso aí dá samba?” 

Eu digo: 

“Então, em homenagem a nossa amizade, vou fazer um samba pra você”. 

Foi aí que nasceu essa música que Jamelão em gravou em 1964 e já tem sete gravações. Chamava-se Matriz ou Filial.

P.S.: Esta música pelo estilo “dor-de-cotovelo” e por falar da “outra” (que na verdade é outro) que sofre por amor, muitos a julgaram ser de Lupicínio Rodrigues. Dizem que ele ganhou muito dinheiro apostando com conhecidos quem seria o autor da música. Quem duvidava e apostava com ele, ele mostrava o selo da gravadora e ganhava a aposta.

Matriz ou filial

Quem sou eu
Pra ter direitos exclusivos
Sobre ela,
Se eu não posso sustentar
Os sonhos dela,
Se nada tenho e cada um vale
O que tem. 


Quem sou eu
Pra sufocar a solidão
Da mesma boca,
Que hoje diz que sou matriz
E quando louca,
Se nós brigamos diz
Que sou a filial.


Afinal, se amar demais
Passou a ser o meu defeito.
É bem possível que eu não
Tenha mais direito
De ser matriz
Por ter somente amor pra dar.


Afinal, o que ela pensa
Conseguir me desprezando.
Se sua sina sempre foi
Voltar chorando,
Arrependida,
Me pedindo pra ficar...



As nove respostas de um sábio



Tales de Mileto nasceu em Tebas no ano de 625 a.C.
Morreu em Atenas, há 547 a.C., aos 78 anos.

Foi um filósofo grego, fundador de Escola Jônica.
Considerado um dos sete sábios da Grécia.
  
Matemático, astrônomo, e grande pensador, Tales de Mileto percorreu o Egito, onde realizou estudos e entrou em contato com os mistérios da religião egípcia. É atribuída a ele a previsão de um eclipse do Sol, no ano de 585 a.C. Também realizou uma façanha incrível: seu talento matemático era tão incomum, que conseguiu estabelecer com precisão a altura das  pirâmides apenas  medindo-lhes a sua sombra. Além disso, ainda foi o primeiro a dar uma explicação lógica para as ocorrências dos eclipses.

Destacou-se principalmente por seus trabalhos em filosofia e matemática. Nesta última ciência, lhe atribuem as primeiras “demonstrações” de teoremas geométricos mediante o raciocínio lógico e, por isto, o consideram o “Pai da Geometria”. Foi o primeiro a sustentar que a Lua brilhava por reflexo do Sol e ainda determinou o número exato de dias que contém um ano. Para provar que o conhecimento que desenvolvera tinha utilidade prática direta, afirmou que num determinado ano a colheita de azeitonas seria excepcional. E arrendou a maioria das destilarias de azeite de Mileto. Ganhou um bom dinheiro com a operação, apenas para ter o prazer de fazer calar os que diziam ser  a  Filosofia uma inutilidade ou um capricho de ociosos.

Um sofista se aproximou de Tales de Mileto, e intentou confundi-lo com as perguntas  mais  difíceis. Porém,  o  sábio  de  Mileto esteve  à altura  da  prova porque Respondeu  a  todos as perguntas sem a menor vacilação e assim mesmo com a maior exatidão.

01) Qual é a coisa mais antiga?

R.:  Deus, porque sempre tem existido.

02) Qual é a coisa mais formosa?

R.:  O Universo, porque é obra de Deus.

03) Qual é a maior de todas as coisas?

R.:  O espaço, porque contém todo o Criador.

04) Qual é a coisa mais constante?

R.:  A esperança, porque permanece no homem, depôs que haja perdido todo o mais.

05) Qual é a melhor de todas as coisas?

R.:  A virtude, porque sem ela não existe nada de bom.

06) Qual é a mais rápida de todas as coisas?

R.:  O pensamento, porque me menos de um minuto pode voar até o final do universo.

07) Qual é a mais forte de todas as coisas?

R.:  A necessidade, porque faz com que o homem enfrente todos os perigos da vida.

08) Qual é a mais fácil de todas as coisas?

R.:  Dar conselhos.

Porém, quando chegou à nona pergunta, nosso Sábio disse um paradoxo. Deu uma resposta que, estou seguro, não foi jamais entendida pelo mundano interlocutor, e que, para a maioria das pessoas terá um sentido superficial. A pergunta foi esta:

09) Qual é a mais difícil de todas as coisas?

E o sábio de Mileto explicou:

R.: Conhecer a si mesmo.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Etiqueta no zapzap



→ Estabelecer regras de conduta é providência fundamental para que grupos de WhatsApp não virem uma terra sem lei, onde duelos se sucedem e abalam amizades. (L.B.)

→ A possibilidade de comunicar-se à distância com várias pessoas ao mesmo tempo, sem precisar interromper o que se está fazendo, mudou para sempre o alcance e a qualidade das relações sociais. Mas esse é um terreno novo e movediço em que as convenções ainda estão sendo traçadas. Portanto, erra-se muito. No ardor da conversa em que não se vê a cara do interlocutor, há grande risco de calcular mal palavras e reações. Os especialistas em etiqueta digital – sim, isso existe – advertem: num grupo, é sempre melhor levar a fama de lacônico que a tagarela. A seguir, um manual de sobrevivência no WhatsApp.


Os 5 Mandamentos

I

→ Nunca adicione uma pessoa a um grupo sem antes perguntar se ela quer participar.

II

→ Estabeleça regras de conduta (“Cuidado com os excessos de vídeos”, “Evite colar links”, “Não mande piadas picantes”).

III

→ Só poste mensagens que interessem a pelo menos metade do grupo.

IV

→ Não fale demais.

V

→ Fuja das polêmicas.

Ih, deu barraco!

→ Se seu nome for citado, aja rápido. Responda que aquele não é o lugar para discutir a questão e transfira o caso para uma conversa a dois. Se continuar a ser alvo do que considera ofensa ou ataques sistemáticos, saia do grupo ou alerte o administrador para remover o agressor. Guarde evidências e conversas, caso queira levar o caso à polícia.

→ Se você for espectador, mantenha distância. O melhor é ficar quieto. No máximo, sugira que os envolvidos levem a briga para contatos particulares.

Isso pode:

→ Desabilitar as duas flechinhas azuis que indicam se a mensagem foi lida, uma forma moderna de espionagem.

→ Desabilitar o recurso que mostra se a pessoa está on-line, outra ferramenta espiã.

→ Quem sabe português deve desativar também o corretor automático. Ele é um inimigo disfarçado, pronto para dar o bote em quem não relê o que escreve.

→ Esgotar o assunto em uma mensagem curta e direta. Repicar o texto em uma saraivada de posts confunde as respostas e resulta em uma conversa insana.

→ Postar selfies bacanas, que todo mundo vais gostar de ver. Foto treinando corrida não dá. Foto na chegada da maratona, com a medalha na mão, merece ser exibida. Nude NÃO pode.

→ Não responder. Se a conversa acabou ou você está cansado e sem paciência, o silêncio é a melhor resposta. Faça disso um hábito, e os outros não vão estranhar.

→ Usar o grupo para compartilhar avisos e informações de interesse geral. Só tenha antes certeza de que não é notícia falsa – tendo em mente que há abundância de notícia falsa por aí.

→ Sair do grupo. Sim, isso é possível. (Veja abaixo.)

Isso não pode:

→ Alongar-se naqueles assuntos em que o melhor é concordar em discordar. Os mais candentes são política, religião e futebol – não necessariamente nessa ordem.

→ Mandar correntes, charadas e mensagens motivacionais. São itens que abarrotam a caixa de mensagens, consomem memória do celular e desafiam a paciência dos membros do grupo.

→ Teclar com sono, ou depois de três cervejas (ou qualquer outra bebida alcoólica). O risco de escrever o que não se deve é enorme.

→ Discutir a relação, seja ela amorosa, de amizade ou de trabalho. Melhor fazer a dois.

→ Um emoji é bom, dois até pode, três é o máximo. Fileiras de carinhas acabam por não dizer nada.

→ Cuidado ao usar letras maiúsculas acionando a tecla CAPS LOCK. No cerimonial da internet, usa-se o recurso para GRITAR com alguém.

→ Quando for ridicularizar alguma coisa, tenha certeza de que isso não se aplica a um integrante do grupo. “Gente, o cara usa pochete!” pode ofender uma pessoa que também seja adepta do acessório.

→ O ministério do bom-senso informa: em grupos de WhatsApp, “Bom-dia” ao acordar e “Boa-noite” ao se recolher podem causar indigestão.

Como sair do grupo com elegância:

→ Alegue que o celular é seu instrumento de trabalho e que a quantidade de arquivos compartilhados está comprometendo a memória do aparelho. Coloque-se à disposição para contatos particulares. No limite, diga que vai sentir saudade.

→ Aproveite um momento de muita troca de mensagens e saia de fininho, torcendo para que não percebam. Se perceberem e cobrarem – “Ops, foi engano”.

→ Se não foi avisado de que seria de que seria adicionado ao grupo, você tem o direito de sair imediatamente, sem dar chance de que o gesto seja levado para o lado pessoal.

(Matéria da revista Veja, março de 2017)



terça-feira, 15 de agosto de 2017

Decálogo do Vestibulando



01. Não escolherás uma profissão pensando apenas no mercado de trabalho.

02. Honrarás teus pais sendo feliz com tua escolha profissional.

03. Amarás o próximo como a ti mesmo, mas, no dia do vestibular, competirás com ele.

04. Respeitarás teus hábitos de alimentação, sono, diversão e descanso.

05. Buscarás o apoio incondicional dos teus familiares.

06. Não estudarás toda a matéria nos últimos dias antes da prova.

07. Vestibular é vida. Vida não é vestibular. Respeitarás teu ritmo de estudo e teus limites.

08. Conhecerás antecipadamente o local da prova e não esquecerás os documentos no dia.

09. Não farás das provas teste de rapidez e ocuparás todo o tempo disponível.

10. Nunca desistirás da tua identidade profissional. Persistirás na busca da faculdade que desejas, mesmo se fores reprovado.



Grenal na Redenção



O segundo grenal da história

Fazia frio naquele domingo do inverno porto-alegrense de 1910. As páginas esportivas dos jornais destacavam os páreos do turfe no Hipódromo do Moinhos de Vento.

No dia 17 de julho, no Campo do Militar, na Várzea, hoje Parque da Redenção, se enfrentavam duas equipes de foot-ball, o esporte que começava a ganhar espaço na cidade. Era a segunda edição de um embate que já se anunciava clássico: Grêmio Foot Ball Porto Alegrense e Sport Club Internacional. O primeiro jogo entre as duas equipes havia sido um ano antes.

O recém surgido Sport Club Internacional, criado pelos irmãos Poppe, jovens comerciantes paulistas que chegaram à Capital em 1908 e montaram uma loja de roupas, ousou desafiar o já experiente Grêmio.

Criado em 1903, simultaneamente ao Fussball Club Porto Alegrense, o Grêmio era dos precursores do esporte na Capital gaúcha. Para o primeiro confronto, a direção gremista oferecera o segundo time. Os colorados não aceitaram, exigiam o escrete principal. Jogaram. E o grêmio ganhou de 10 a 0.

O primeiro grenal foi seguido de confraternização com baile e cervejada noite adentro. Ainda assim, no dia 18 de julho de 1909, o Correio do Povo trazia uma advertência aos espectadores. “A fim de evitar factos desagradáveis”, o jornal aconselhava que os espectadores não se pronunciassem “em favor de um ou de outro team”. Relatava no domingo anterior ter havido ”lamentável incidente” entre um dos juízes e um grupo de assistentes, onde foram ouvidas “phrases pouco gentis”. O jornal pedia que o entusiasmo fosse moderado visto o “grande numero de senhoras e senhoritas, às quaes não se deve dar o desgosto de testemunhar discussões inconvenientes”.

No segundo grenal já teve confusão

Nos dias anteriores à revanche, Antenor Lemos, jogador mediano, porém incentivador da equipe colorada, andava garganteando nas rodas de conversa na Choperia Bopp, na Praça da Alfândega. Bradava que era chegada a hora do troco.

O escrete gremista vinha a campo com Teichmann; Deppermann, Marteu, Bento, Sommer, Mostardeiro, Geyer, Moreira, Booth, Grünewald e Mostardeiro I.

Do lado colorado jogavam: Lindemayer; Mendonça, Volksmann, Vinholes II, Kluwe, lemos, Poppe I, Galvão, Gafrê, Chaves e Vinholes.

O árbitro da partida era Theobaldo Förnges.

E o Grêmio ganhou por cinco a zero.

Lá pelas tantas do segundo tempo, o atleta gremista Edgard Booth, que já havia marcado dois gols, recebeu no meio de campo, driblou toda a defesa colorada e foi parado a botinada pelo zagueiro Volksmann. Fechou o tempo e a partida quase foi encerrada a pau.

O jogo valia pela primeira edição do campeonato da cidade de 1910, contando com sete equipes: 7 de setembro, Fussball Club Porto Alegre, Frisch Auf, Militar, Nacional (de Santa Catarina), Grêmio e Internacional.

O futebol começava a crescer em Porto Alegre e a cair na graça do público. Nestes primeiros grenais já se estima um público de cerca de duas mil almas. O esporte ganhava também algum espaço na imprensa. Muitos dos jogos eram disputados no Campo do Militar, na Várzea. O Militar Foot-Ball Club, campeão daquele ano, era formado por alunos da Escola de Guerra – O “Velho Casarão da Várzea”, atual Colégio Militar. O campo ficava em frente ao Casarão, onde hoje passa a avenida José Bonifácio. No ano seguinte, a escola foi transferida para o Rio de janeiro e o clube, extinto. Em 1909, época da criação do Sport Club Internacional, surgiam outros clubes dedicados ao “sport inglez” na cidade.


Militar Foot-Ball Club enfrentando o Grêmio


O Casarão da Várzea, Colégio Militar,
defronte ao qual os jogos eram realizados.

Em 26 de junho, A Federação anunciava que no dia seguinte, às 3 da tarde, “um grupo de foot-ballers desta capital e que não se acham filiados a nenhuma sociedade, vão tratar da fundação de um club de football e da eleição de sua primeira directoria”.

No dia 15 de setembro, foi notícia a criação do Foot-ball Club Theresópolis. No dia 30 do mesmo mês, o Correio do Povo noticiava a criação do Centro Sportivo Operário, fundado por “um grupo de obreiros”. “A primeira de suas secções de sport a inaugurar-se, será a do foot-ball visto ser o mais preferido pela sociedade porto-alegrense”.

Embora se acredite que o grenal número 2 tenha sido jogado na Redenção, há controvérsias em relação ao local. O Campo da Redenção é o local apontado no livro “A História dos grenais”, de David Coimbra e Nico Noronha e no levantamento “Todos os grenais da História”, realizado pelo jornal Zero Hora. Entretanto, há fontes que apontam que a partida tenha sido jogada no Moinhos de Vento, na Baixada, antigo campo do Grêmio. Em “O FOOT-BALL DE TODOS: Uma história social do futebol em Porto Alegre, 1903 – 1918”, dissertação de mestrado defendida por Ricardo Santos Soares, na PUC-RS em 2014, há uma tabela, elaborada a partir de jornais da época, que traz esta informação.

(Do jornal Já Porto Alegre – agosto de 2017)


Teste romântico

36 questões para encontra o amor da sua vida



→ O professor Arthur Aron elaborou um metido para criar intimidade romântica. Escolha alguém que combine com você e façam as perguntas um ao outro na sequência apresentada. Lembre-se de responder com honestidade

Primeira parte:

01. Se pudesse escolher qualquer pessoa no mundo, quem você convidaria para jantar?

02. Gostaria de ser famoso? Como?

03. Antes de fazer uma ligação telefônica, você ensaia o que vai falar? Por quê?

04. Como seria um dia perfeito, para você?

05. Quando foi a última vez que cantou sozinho? E para alguém?

06. Se pudesse viver até os 90 anos e ter o corpo ou a mente de alguém de 30 durante os últimos 60 anos de sua vida, qual das duas opções escolheria?

07. Tem uma intuição secreta de como vai morrer?

08. Diga três coisas que acredita ter em comum com seu parceiro.

09. O que faz você se sentir agradecido na sua vida?

10. Se pudesse mudar algo no modo como foi educado, o que seria?

11. Use quatro minutos para contar a seu companheiro a história de sua vida.

12. Se amanhã você pudesse se levantar desfrutando de uma habilidade nova, qual seria?

13. Se uma bola de cristal pudesse contar a verdade sobre sua vida, o que você lhe perguntaria?

14. Há algo que há muito tempo deseja fazer? Por que ainda não fez?

15. Qual é a sua maior conquista?

16. O que mais valoriza em um amigo?

17. Qual é sua lembrança mais valiosa?

18. Qual é sua lembrança mais dolorosa?

19. Se você soubesse que vai morrer daqui a um ano de maneira repentina, mudaria algo em sua maneira de viver? Por quê?

20. O que significa a amizade para você?

21. Que importância têm o amor e o afeto em sua vida?

22. Compartilhem, de forma alternada, cinco características que consideram positivas em seu companheiro.

23. Sua família é próxima e carinhosa? Você acha que sua infância foi mais feliz que a dos demais?

24. Como se sente em relação a sua mãe?

25. Diga três frases usando o pronome “nós”.

26. Complete esta frase: “Gostaria de ter alguém com quem compartilhar...”.

27. Se fosse terminar sendo amigo íntimo de seu companheiro, divida com ele algo que seria importante que ele soubesse.

28. Diga a seu companheiro do que mais gostou nele. Seja muito honesto, e diga coisas que não diria a alguém que acaba de conhecer.

29. Divida com seu companheiro um momento embaraçoso de sua vida.

30. Quando foi a última vez que chorou na frente de alguém? E sozinho?

31. Conte a seu companheiro algo de que já gosta nele.

32. Há algo que seja tão sério a ponto de não ser adequado fazer piadas a respeito?

33. Se fosse morrer esta noite, sem a possibilidade de falar com ninguém, o que você lamentaria não ter dito a uma pessoa? Por que não disse até agora?

34. Sua casa está pegando fogo, com todas as suas coisas dentro. Depois de salvar seus entes queridos e seus bichos de estimação, sobra tempo para fazer uma última incursão e salvar um único objeto. Qual você escolheria? Por quê?

35. De todas as pessoas que formam sua família, qual morte seria mais dolorosa para você? Por quê?

36. Divida um problema pessoal e peça a seu companheiro que diga como ele teria agido para solucioná-lo. Pergunte também como ele acha que você se sente em relação ao problema que contou.
  
Segunda parte:

→ Ajuste o cronômetro para tocar daqui a quatro minutos, e passem o tempo se olhando, olho no olho. Boa sorte!
  
(Da revista Galileu – Editora Globo – março de 2015)


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Como envelhecer sem ficar velho



Pode-se nascer velho, como se pode morrer jovem.»
(Jean Cocteau)

 «A idade não é um pretexto para que se fique velho.»
(G. Slatery)
  
«O meu sonho é morrer jovem com uma idade muito avançada.»
(Jeanson)
  
«Envelhecer é maçante, mas é a única forma de se viver muito tempo.»
(Saite Beuve)

«Devemo-nos preocupar mais em juntar vida aos anos do que anos à vida.»
(Victor Hugo de Lemos)

«O bom lado das coisas: Por mais velho que se seja pode-se ser mais jovem do que nunca!»
(Albert Einstein)

«Um homem só é velho quando os seus desgostos tomaram o lugar dos seus sonhos.»
(John Barrymore)

«Envelhecer é ser-se capaz de se ser mais jovem durante mais tempo do que os outros.».
(Bernard Shaw)

«Envelhecer é organizar a juventude ao longo dos anos.»
(Paul Eluard)

«Pelo fato de se envelhecer não se deixa de rir; mas se se deixar de rir, envelhece-se de fato.»
(Balzac)

«Aos 969 anos, Mathusalem estava tão bem conservado que se lhe davam apenas 345!»
(Tristan Bernard)

 



Histórias do Carnaval

Luís Fernando Veríssimo


Alcebíades compra um pacote de confete e guarda em casa. Passa todo o carnaval na frente da televisão. Dia e noite. Na quarta-feira de cinzas coloca confete em vários e bem escolhidos recessos da sua roupa – bolsos, a bainha das calças – e vai para o trabalho. Na repartição todos notam que seu Alcebíades tem os olhos injetados. E não demora alguém detectar um confete acusador: Seu Alcebíades andou na farra! Ele fecha a cara e diz que não está para brincadeiras. O que pensam que ele é? Todos os anos é a mesma coisa.

° ° ° ° °

O casal chega do baile, sol alto. Ele já está na segunda ressaca, mergulha na cama sem nem tirar o seu tirolês estilizado. Ela começa a tirar o seu sarong. De repente, ele se dá conta.
– Como é que você mudou de fantasia no meio do baile?
– Vá dormir. Você está bêbado.
– Não. Pera um pouquinho. Você estava com um sarong vermelho e agora está com um verde. Pera um pouquinho.
– Que história é essa? Fui e voltei de sarong verde. Vai dizer que você não notou!
Ele geme baixinho e enterra a cara no travesseiro. De quem seria o traseiro vermelho que ele apertou com tanto entusiasmo no melhor do baile, pensando quem fosse a sua mulher? Meu Deus, eu estou comprometido e nem sei com quem.

° ° ° ° °

O casal do baile, sol alto. Ela se deita sem tirar o sarong vermelho. O marido, organizado como sempre, dobra as calças, bota o pijama e escova os dentes antes de deitar também. A mulher, quase dormindo, chega no seu ouvido e diz:
– Como é?
– Como é o quê?
– Ué, no baile não parou de me apertar e agora nem tá?
– Eu não parei de apertar você?!
Mas a mulher já está dormindo. E o homem não consegue dormir. Fica pensando: se não fui eu, então quem foi?

° ° ° ° °

Quinta-feira, depois do carnaval, na repartição, Jorge e Jamir conversam sobre um cafezinho. Jamir se queixa:
– Não tenho mais idade para o carnaval.
Jorge não concorda:
– Pois eu cada ano me animo mais. O baile da terça foi um estouro. Só sinto que o carnaval acabou. Estou pronto para outro.
– As mulheres, parece que gostaram também – diz Jamir, sem olhar para Jorge.
– Gostaram mesmo. Brincaram a noite inteira.
– A Beatriz de verde e a Dalma de vermelho...
Jorge quase se engasga com o cafezinho. Olha rapidamente para Jamir. Então era a Dalma! Mas por que será que fez questão de dizer que a mulher dele estava de vermelho? Uma frase completamente gratuita. É porque ele sabe. É isso. A Dalma contou para ele. (“Olha, bem. Eu sei que ele é seu amigo e colega, mas o Jorge passou toda a noite me apertando o traseiro. Eu sou muito amiga da Beatriz e não posso admitir uma coisa dessas. Tome uma atitude.”) E se eu disser: “Ah, então foi o traseiro da sua mulher que eu apertei por engano?” Fica horrível. Melhor não falar nada.

E o Jamir pensa: Foi ele. Claro que foi ele. Ou será que não foi? Eu posso cometer uma injustiça. Se eu disser: “Pô, Jorge, logo com a minha mulher”, ele pode se insultar. E é claro que eu não posso perguntar: “Escuta aqui: você apertou ou não o traseiro da Dalma?” Fica horrível. Melhor não falar nada.

Os dois terminam o cafezinho e vão ver por que o pessoal na outra sala está rindo tanto. Ah, é o Alcebíades.
– Então, na farra, hein, malandro?
– Olha o respeito.


O meu carnaval

Lima Barreto


(Carnaval por Liberati)


– Mas foste mesmo recrutado?
– Fui; e comi fogo que não foi graça.
– Como foi a história?
– Aproximava-se o carnaval. Como era meu costume, vim para a oficina, onde trabalhava. Eu morava em Santa Alexandrina, pelas bandas do Largo do Rio Comprido. Ao chegar à oficina, na Rua dos Inválidos, o mestre me disse: “Valentim, você hoje tem um serviço externo. Você vai até Caxambi, no Méier, para assentar as caixas d’água de um prédio novo.” Deu-me o dinheiro das passagens e parti. Conhecia aquela zona e, a fim de poupar níqueis, desprezei o bonde e fui a pé. Passava eu por uma rua tranversal à Imperial, quando fui abordado por três ou quatro tipos fardados, do mais curioso aspecto. Eram de diversas cores, formando uma escolta, cujo comandante, um cabo, era um preto. E que preto engraçado! Desengonçado, pernas compridas e arqueadas, pés espalhados – era mesmo um macaco. A farda, blusa e calça, estava toda pingada; o cinturão subira-lhe até quase ao peito... Enfim, era um verdadeiro jagodes, um “Judas”.
– Que é que eles te disseram?
– O cabo veio direito a mim e perguntou-me com toda a empáfia: “Onde é que você vai?” Disse-lhe; mas a feroz autoridade parecia ter implicado comigo, tanto que me intimou: “Você vai à presença do senhor capitão Lulu.” “Mas não fiz nada”, objetei. Ele foi inabalável e não quis atender os meus rogos. Chorei, roguei, mas nada! Num dado momento, um dos soldados disse: “Seu cabo está com muitos luxos. Se fosse comigo, esse paisano ia já.” E fez menção de desembainhar um enorme sabre de cavalaria que tinha à cinta.
– Mas que soldados eram estes?
– Não estás vendo logo? Eram guardas nacionais.
– Percebo. Foste?
– Fui. Que remédio?
– Que te fizeram?
– Vou contar-te tintim por tintim. Levaram-me a presença do oficial. Era um mulato forte, simpático, e o seria intensamente se não fosse a sua presunção e pernosticidade. Era assim o capitão Lulu. Muito apurado no seu uniforme, disse-me num tom imperativo: “Você é um reles desertor. É um ignóbil brasileiro que recusa servir a sua pátria.” Objetei-lhe cheio de susto: “Mas, senhor capitão, nunca fui soldado, como posso ser desertor?” O capitão Lulu não respondeu diretamente à minha interrogativa, mas perguntou-me: “Como é que você se chama?” Disse-lhe. Indagou ainda: “Onde é que você mora.” Indiquei: “Rua tal, em Santa Alexandrina.” Isto pareceu-lhe contrariar; mas nada disse. Pôs-se a escriturar num livro e, por fim, falou-me: “Encontrei os seus assentamentos. Você está há muito tempo qualificado neste batalhão – 01.723.436. regimento de cavalaria da Guarda Nacional. Apesar de reiteradas intimações, você não se tem apresentado. Está preso disciplinarmente por oito dias.” Fiquei tonto, atordoado: “Mas senhor”, fiz eu, a tremer. “Cabo”, gritou o Lulu, “cumpra as ordens. Já sabe!”
– Puseram-te na cadeia?
– Não. Revistaram-me, tiraram-me as ferramentas e o dinheiro que levava. Isto tudo, na presença do marcial Lulu. Quando este viu os cobres, gritou: “Dá cá! Esses cobres vão para a caixa do regimento.” Após o que, levaram-me para um outro compartimento, onde me fizeram despir a roupa e vestir uma calça e blusa do uniforme. Das peças que lá havia, a única blusa que me chegava, tinha as divisas de cabo. Não quiseram arrancá-las e fui feito cabo de esquadra. Isto não impediu, porém, que me pusessem em serviço árduo.
 – Qual foi?
– Meteram-me uma enxada na mão e fizeram-me capinar a chácara durante quase oito dias, passando fome.
– Como?
– A comida era café ralo e pão duro, pela manhã; e, às duas horas, um ensopado de mamão verde, muito mal feito, no qual encontrar uma pastilha de carne seca era uma raridade de fazer alegria até chorar. Na sexta-feira que precedia o sábado, véspera do carnaval, descansei. Ordenaram-me que lavasse a farda e a roupa branca, o que fiz vestindo em cima do corpo a fatiota com que fora preso. Mandaram passar a roupa lavada a ferro; e, no sábado, ordenaram-me que a envergasse e fosse à presença do comandante. Apresentei-me, fiz a continência que me haviam ensinado e esperei as ordens. O Lulu disse para o superior: “Está aí, coronel, o desertor que capturei.” O comandante recostado na cadeira, acariciou o ventre proeminente com as duas mãos e disse com sotaque italiano: “Que vai ele fare?” O capitão Lulu respondeu: “Vai ser minha ordenança, no patrulhamento do carnaval.” O coronel ítalo-brasileiro só se limitou a dizer: “Bene!” À tarde, no sábado, Lulu, antes de sairmos, mandou-me chamar e aconselhou-me: “Você me parece boa pessoa, disciplinada. Procede muito bem. ‘A submissão é a base do aperfeiçoamento’, disse Victor Hugo. Se sou oficial, se cheguei à posição em que estou, devo, não só ao meu esforço, como também a ser obediente aos meus superiores. Você veio, acompanhou-me; porte-se bem que não terá de arrepender-se.”
– O que era esse tipo, além de guarda nacional?
– Era servente do Senado.
– Que magnata!
– Não te rias. À hora marcada, saímos, eu e Lulu, para a ronda. Deu-me cinco mil-réis, para despesas; mas não os pude gastar em uma feijoada, porque o aguerrido Lulu não me dava tempo. Andamos pelas ruas e, à noite, fomos aos clubes, onde pude beber e comer à vontade. No domingo foi a mesma coisa e já tinha ganho a intimidade de Lulu, a ponto de bebermos os nossos calistos juntos. Na segunda-feira, deu-me licença de ir até em casa; e eu que já estava ensoberbado de ser guarda nacional, fui de farda, facão e tudo! Quando cheguei ao Largo do Rio Comprido, saltei para tomar alguma coisa. Topei logo com um conhecido que, surpreendido e cheio de espanto, me disse: “Valentim! Que é isso? Você pode ser ‘pegado’!” “Por quê?” “Ninguém se pode fantasiar com os trajes militares do país.” Mal tinha dito isto, quando fui preso imediatamente por um polícia que me levou à delegacia onde não me quiseram ouvir e me meteram no xadrez até quarta-feira de cinzas. Está em que deu a Guarda Nacional e como foi o meu carnaval, naquele ano.

(Careta, Rio, 8-1-1921)

Os quatro ladrões



Diz que era uma vez quatro ladrões muito sabidos e finos. Num domingo de manhã estavam deitados, gozando a sombra de uma árvore, quando viram passar na estrada um homem levando um carneiro grande e gordo. Palpitaram furtar o carneiro e comê-lo assado. Acertaram um plano e se espalharam por dentro do mato.

O primeiro ladrão foi para o caminho, encontrando o homem do carneiro e salvou-o:

– Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

– Para sempre seja louvado!

– O senhor, que mal pergunto, para onde leva este cachorrinho?

– Que cachorrinho?

– Esse aí que está amarrado numa corda! Bem bonitinho!

– Isso não é cachorro. É carneiro. Repare direito.

– Estou reparando, mas é cachorro inteiro. Vigie o focinho, as patas, o pelo. É cachorro e dos bons.

Separaram-se e o dono do carneiro ficou olhando o animal meio desconfiado. Adiante saiu o segundo ladrão, deu as horas, e foi logo entrando na conversa:

– Cachorro bonito! Esse dá para tatu e cutia. Focinho fino, bom para farejar. Perna fina corredeira. É capaz de correr veado. Onde comprou o bicho?

– O senhor repare que não é cachorro. É um carneiro. Já outro cidadão ali atrás veio com essa palúxia para meu lado. Bote os olhos direito no bicho.

– Homem, desde que nasci que conheço cachorro e carneiro. Se esse aí não é o cachorro eu ando espritado. Deixar de conhecer cachorro?

O homem seguiu sozinho, mas não tirava os olhos do carneiro, quase convencido de que comprara o bicho errado. O outro ladrão apareceu e fez a mesma conversa, misturando os dois animais, e ficando espantado quando o dono dizia que era um carneiro. Discutiram um bom pedaço e o terceiro ladrão espirrou para dentro do marmeleiro.

O quarto camarada veio e puxou conversa, oferecendo preço para o cachorro que dizia ser bom caçador de preás. Deu os sinais de cachorro de faro e todos encontravam no bicho que o homem ia levando.

Assim que despediu, o dono do carneiro, que ia comendo o animal com os olhos, parou, desatou o laço da corda e soltou o carneiro, certo e mais que certo que o carneiro era cachorro. Os quatro ladrões que vinham acompanhando por dentro da capoeira agarraram o carneiro e fizeram dele um almoço especial.

 *****

Luís da Câmara Cascudo:

Contos tradicionais do Brasil”. São Paulo: Global, 2009.


domingo, 13 de agosto de 2017

Para mentes brilhantes



Dizem que quem consegue ler este texto, tem uma mente brilhante! 

3M UM D14 D3 V3R40, 3574V4 N4 PR414, 0853RV4ND0 DU45 CR14NC45 8R1NC4ND0 N4 4R314.  3L45  7R484LH4V4M  MU170  C0N57RU1ND0  UM  C4573L0  D3 4R314, C0M 70RR35, P4554R3L45 3 P4554G3NS 1N73RN45.

QU4ND0 3575V4M QU453 4C484ND0, V310 UM4 0ND4 3 D357RU1U 7UD0, R3DU21ND0 0 C4573L0 4 UM M0N73 D3 4R314 3 35PUM4. 4CH31 QU3, D3P015 D3 74N70 35F0RC0 3 CU1D4D0, 45 CR14NC45 C41R14M N0 CH0R0; C0RR3R4M P3L4 PR414,  FUG1ND0  D4  4GU4,  R1ND0  D3  M405  D4D45  3  C0M3C4R4M  4 C0N57RU1R 0U7R0 C4573L0.

C0MPR33ND1 QU3 H4V14 4PR3ND1D0 UM4 GR4ND3 L1C40; G4574M05 MU170 73MP0 D4 N0554 V1D4 C0N57RU1ND0 4LGUM4 C0154 3 M415 C3D0 0U M415 74RD3, UM4  0ND4  P0D3R4  V1R 3  D357RU1R  7UD0  0  QU3  L3V4M05  74N70  73MP0  P4R4 C0N57RU1R.

M45 QU4ND0 1550 4C0N73C3R, 50M3N73 4QU3L3 QU3 73M 45 M405 D3 4LGU3M P4R4 53GUR4R, 53R4 C4P42 D3 50RR1R! S0 0 QU3 P3RM4N3C3 3 4M124D3, 0 4M0R 3 C4R1NH0. 0 R3570 3 F3170 D3 4R314. 


Se conseguir ler...
Parabéns sua mente é... maravilhosa!


Tradução:
  
Em um dia de verão, estava na praia, observando duas crianças brincando na areia. Elas trabalhavam muito construindo um castelo de areia, com torres, passarelas e passagens internas.

Quando estavam quase acabando, veio, uma onda e destruiu tudo, reduzindo o castelo a um monte de areia e espuma. Achei que, depois de tanto esforço e cuidado, as crianças cairiam no choro; correram pela praia, fugindo da água, rindo de mãos dadas e começaram a construir outro castelo.

Compreendi que havia aprendido uma grande lição; gastamos muito tempo de nossa vida construindo alguma coisa e mais cedo ou mais tarde, uma onda pode vir e destruir tudo que levamos tanto tempo para construir.

Mas quando isso acontece, somente aquele tem as mãos de alguém para segurar, será capaz de sorrir! Só o que permanece é amizade, o amor e carinho. O resto é feito de areia.