terça-feira, 19 de setembro de 2017

Etiqueta de voo



Cinco dicas para você não ter problemas na hora de embarcar

01 - Escolha uma roupa confortável, mas não desleixada. Principalmente se for para outro país, uma má aparência pode causar desconfiança nos policiais da alfândega.

02 - Opte uma bolsa ou bagagem de mão do tamanho recomendado pela companhia aérea para não ter problemas na hora de acomodá-la no compartimento acima dos bancos. Leve nela documentos, objetos de valor e uma troca de roupa para o caso da sua bagagem ser extraviada.

03 - Pontualidade é fundamental. Chegue ao aeroporto uma hora antes da partida, para voos nacionais, e duas horas antes, para voos internacionais.

04 - Arrume as malas que serão despachadas de modo que, ao abri-las para uma eventual vistoria, não cause nenhum constrangimento.

05 - Escolha uma poltrona de acordo com a sua inquietação. Se gosta de andar para movimentar as pernas ou se costuma ir ao banheiro, pegue uma do corredor, não da janelinha.

15 dicas de etiqueta para você voar tranquilo
 e sem incomodar ninguém

Camila Sayuri, iG São Paulo


01 - O espaço entre as poltronas é pequeno? Sim, as companhias aéreas preocupam-se cada vez menos com o conforto dos passageiros. Mas isto não lhe dá permissão para invadir o espaço do vizinho, colocando os pés apoiados na cadeira da frente ou dominando os braços da cadeira.

02 - Não está com vontade de papear com o vizinho? Pegue um livro para se distrair e explique delicadamente que precisa terminar de ler até chegar ao destino.

03 - Se estiver a fim de conversar, repare bem se a pessoa ao lado quer mesmo papear. Evite também perguntas muito pessoais.

04 - Controle a afobação. Não ligue o celular até sair da aeronave, desligue os aparelhos eletrônicos ao ser solicitado e espere ser autorizado para tirar as malas de mão do compartimento acima dos bancos. Além de ser falta de educação não cumprir os avisos, tais regras são uma medida de segurança.

05 - Uma boa forma de se distrair durante a viagem é colocar o fone de ouvido para escutar as suas músicas preferidas. Só tome cuidado para não cantar em voz alta sem perceber, nem deixar o som muito alto a ponto de ser ouvido pelos demais passageiros.

06 - Se tiver filhos pequenos, procure um voo noturno para que eles possam dormir a maior parte do tempo. Leve também o máximo de elementos de distração possível, como lápis de cor, revistinhas e videogame. Às crianças mais crescidinhas, explique antes de embarcar que avião não é lugar de correr ou de fazer barulho.

07 - Controle-se ao beber álcool a bordo, pois seus efeitos são mais fortes em altitudes maiores.

08 - Não deixe sujeira em seu lugar ao desembarcar. Durante a viagem, guarde todo o lixo e entregue ao comissário quando possível.

09 - Por que não ser gentil? Se estiver desacompanhado e perceber um casal viajando separadamente, ofereça o seu lugar.

10 - Cumprimente e seja educado com os comissários. Eles estão lá para lhe servir, mas estão trabalhando e merecem ser respeitados. Definitivamente, não passe “cantadas” nas aeromoças.

11 - Não peça a comida que o vizinho não comeu. Se ainda estiver com fome ou sede, pergunte ao comissário se ele pode lhe trazer mais.

12 - Desodorante é bom e o vizinho ao lado gosta, por isso, lembre-se de repassá-lo novamente no banheiro, no caso de percursos longos.

13 - Você pode tirar o sapato no caso de voos longos, só tenha certeza que seus pés não vão cheirar mal.

14 - Evite usar o banheiro da aeronave e, se o fizer, deixe-o limpo e seco ao sair. Procure ir ao banheiro no aeroporto e tente não tomar muitos líquidos a bordo.

15 - Ao dormir, tome muito cuidado para sua cabeça não cair no vizinho. Se tiver problemas com ronco, procure permanecer acordado.
  
Calma e respeito ao desembarcar

01 - Seja paciente ao desembarcar e agradeça a tripulação pelos serviços prestados.

02 - Na hora de pegar a sua mala na esteira, evite aglomeração e aguarde pacientemente a chegada da sua mala. Confira se a mala é mesmo a sua antes de puxá-la.

03 - Por maior que seja a saudade de casa, não saia correndo pela sala ou corredores, principalmente se estiver conduzindo um carrinho de malas. Atropelamentos no fim da viagem não são boas lembranças.

04 - Caso tenha algum problema de extravio de malas, procure um funcionário da companhia aérea e explique o caso educadamente. Gritar e fazer escândalo não ajuda em nada.

05 - Conseguir um táxi no aeroporto das grandes cidades pode não ser tarefa simples. Se houver, respeite a fila de chegada.





As Frases Mais Divertidas e Inteligentes



Esta é uma coleção de pensamentos, citações, provérbios, frases famosas, interessantes e engraçadas. Temos as melhores frases e pensamentos da Internet. Humor, ironia e sarcasmo para divertir todo mundo.

- A abstinência é uma boa coisa, desde que praticada com moderação. (Anônimo)

- Não se ama duas vezes a mesma mulher. (Machado de Assis)

- O carro que mais vende no Brasil é o carro usado. Por que as montadoras não passam a fabricar carros de segunda mão? (Carlito Maia)

- É claro que uma relação platônica é possível; mas só entre marido e mulher. (Anônimo)

- O homem casado que não transar com as amigas da mulher, vai transar com quem? (Eduardo Mascarenhas)

- Os baianos invadiram o Rio para cantar "Ó que saudade da Bahia...". Bem se é por falta de adeus, PT saudações. (Paulo Francis)

- O casamento é o preço que os homens pagam pelo sexo; o sexo é o preço que as mulheres pagam pelo casamento. (Anônimo)

- Errar é humano, mas para se fazer uma monstruosa cagada é preciso um computador. (Anônimo)

- Não confio em produto local. Sempre que viajo, levo meu uísque e minha mulher. (Fernando Sabino)

- Mulher só é fiel à moda. (Justino Martins)

- Política tem esta desvantagem: de vez em quando o sujeito vai preso em nome da liberdade. (Stanislaw Ponte Preta)

- Muitas mulheres consideram os homens perfeitamente dispensáveis no mundo, a não ser naquelas profissões reconhecidamente masculinas, como as de costureiro, cozinheiro, cabeleireiro, decorador de interiores e estivador. (Luís Fernando Veríssimo)

- Alguns livros são do tipo que, quando você os larga, não consegue pegar mais. (Millôr Fernandes)

- Um filho, numa mulher, é uma transformação. Até uma cretina quando tem um filho melhora. (Nelson Rodrigues)

- Democracia neste país é relativa, mas corrupção é absoluta. (Paulo Brossard)

- A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa. (Jô Soares)

- Nunca se ache demais, pois tudo o que é demais sobra, tudo o que sobra é resto e tudo o que é resto vai para o lixo. (Anônimo)

- Fuja das tentações, mas devagar, para que elas possam te alcançar... (Anônimo)

- O homem é um ser tão dependente que até pra ser corno precisa da ajuda da mulher. (Anônimo)

- O pai moderno deve sempre estar junto dos filhos e, principalmente, das filhas: elas têm cada amiguinha gostosa... (Anônimo)

- Depois de uma sexta-feira da Paixão sempre vem um sábado de pé na bunda. (Anônimo)

- O brasileiro no trânsito é omisso. Até na hora de ser atropelado ele tenta tirar o corpo fora. (Anônimo)

- Não ligue se todos vivem fazendo piadas e tentando te rebaixar só porque você é gorda. Lembre-se: você é muito maior do que isso tudo. (Anônimo)

- Preserve os gatos pingados. Afinal, eles são só meia dúzia. (Anônimo)

- Aprenda uma coisa: o mundo não gira em torno de você... Só quando você bebe demais. (Anônimo)

- O primeiro sentimento de quem está de dieta é o de revolta. Dá vontade de acabar com tudo, a começar pelo que tem na geladeira. (Anônimo)

- A Suíça é um mundo de faz-de-conta numerada. (Anônimo)

- Prestígio só dá dinheiro pra Nestlé! (Anônimo)

- O isopor é meu pastor e a cerveja não faltará. (Anônimo)

- Existem três tipos de mulher: as bonitas, as inteligentes e a maioria. (Anônimo)

- Se eu fosse um passarinho, te levaria voando. Mas como eu não sou, acorda e vai andando. (Anônimo)

- É graças a Deus que o Brasil tem saído de situações difíceis. Mas, graças ao diabo, é que se mete em outras. (Mário Quintana)

- Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra. (Mário Lago)

- Época triste a nossa... mais fácil quebrar um átomo do que o preconceito! (A. Einstein)

- Há duas coisas infinitas: o Universo e a tolice dos homens. (Albert Einstein)

- Uma mentira pode dar a volta ao mundo... enquanto a verdade ainda calça seus sapatos. (Mark Twain)

- Triste não é mudar de ideia. Triste é não ter ideia para mudar. (Francis Bacon)

- A família é como a varíola: a gente tem quando criança e fica marcado para o resto da vida. (Jean Paul Sartre)

- Nunca se explique. Seus amigos não precisam, e seus inimigos não vão acreditar. (Anônimo)

- Quando um homem diz que o dinheiro não resolve nada, fica claro: ele é um duro. (E. W. Hoower)

- O pior casamento é o que dá certo. (Millôr Fernandes)

- Quanto mais conheço os homens, mais gosto das mulheres! (Anônimo)

- Dívida pra mim é sagrada! Que Deus lhe pague! (Anônimo)


Olha o olho da menina


Texto de Marisa Prado


Menina crescia escutando que não adiantava mentir  porque mãe sempre sabia.

Mãe dizia que lia na testa da Menina, e que só Mãe sabia ler testa.

Menina tentava tapar a testa com a mão na hora de mentir. Mãe achava graça. Muita graça. E continuava lendo assim mesmo.

Menina precisava entender como essa coisa misteriosa acontecia. No espelho do banheiro, mentia muito em silêncio. E na testa, nada escrito!

Aí, Menina descobriu que Mãe também mentia. E que então não era testa - era o olho, com um brilho diferente - que entregava a mentira.

Menina então tentava fechar o olho com força, para esconder a Mentira. Mas nem isso resolvia, pois Mãe sempre adivinhava.

Menina tinha era que aprender a fingir de olho aberto que mentira era verdade. Menina tentou, tentou... e aprendeu. Era essa a solução.

Mas, de noite, Menina ficava apertada por dentro. Assim meio sufocada, não podia nem piscar. Com o olho muito aberto, não conseguia dormir. Faltava ar pra Menina. Igual quando a gente fica quase sem respirar rindo de uma cosquinha. Só que não tinha graça.

Menina – sem querer - tinha descoberto a Consciência, uma coisa que toma conta da gente mesmo quando Mãe não está lendo testa, nem adivinhando olho.

Menina tinha aprendido que ter que fingir doía. E que desse jeito ia ficar muito sem graça ser gente grande. Menina desistiu de crescer. Mas não adiantava. Menina via que agora já estava quase da altura do móvel da sala da vovó. E ficava muito triste, o aperto apertando mais.

E de tanto que o aperto apertava, Menina achou que fingir só podia doer tanto porque era dor sozinha.

Menina teve uma ideia, e ainda não sabia se era ideia brilhante. Mas sabia - isso sim - que precisava testar, pra conseguir descobrir. A ideia da Menina foi dizer para Mãe que era difícil fingir. Menina achava ruim aprender montes de coisas sem dividir com ninguém.

Menina falou pra Mãe que era muito complicado e que não era nada bom ter que crescer sozinha.

Mãe abraçou muito apertado a Menina. E, no colo tão esperado, Menina estava sendo mãe da Mãe. Menina sentiu que Mãe estava chorando. E que Mãe ainda não tinha aprendido tudo. Mãe não falava nada, mas uma e outra sabiam naquele abraço apertado que em Mãe também doía ser gente grande sozinha. Nessa hora, Menina entendeu tudinho. Descobriu que só carinho é que espanta a solidão. E que dor, se dividida, fica dor menos doída. E que aí, dá até vontade de continuar a crescer pra descobrir o resto das coisas.


Morte por honra da vida


Escrito por Joel Rufino dos Santos


Os dois escritores ficaram em lados opostos. Bilac era civilista e neoliberal (diríamos hoje). O Brasil só iria pra frente se o Estado não se metesse, se tratássemos bem o capital estrangeiro etc. Pompeia, ao contrário, era jacobino: só o nacionalismo nos salvaria através de um Estado forte que controlasse o capital estrangeiro etc.


Em abril de 1892, estava marcado um duelo no Rio Comprido, zona norte do Rio de Janeiro. Raul Pompeia se bateria com um poeta cujo nome é um verso de 12 sílabas, alexandrino perfeito, Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac. Motivo: Bilac insinuou, na imprensa, que o autor de O Ateneu se masturbava toda noite. Pompeia, em resposta, insinuou que Bilac era filho de um incesto.


De fato, a briga era mais séria e antiga. Ex-colegas na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, São Paulo, os dois divergiam politicamente. Com o governo Floriano Peixoto (1892-94), a opinião pública chegou àquele ponto em que os nós não se desamarram mais: cortam-se. Os dois escritores ficaram em lados opostos. Bilac era civilista e neoliberal (diríamos hoje). O Brasil só iria pra frente se o Estado não se metesse, se tratássemos bem o capital estrangeiro etc. Pompéia, ao contrário, era jacobino: só o nacionalismo nos salvaria através de um Estado forte que controlasse o capital estrangeiro etc.

Escreviam em jornais inimigos e, com pouco, partiram para ofensas pessoais. Estas levaram ao duelo. Pediram a Pompeia que escolhesse as armas. “Tanto faz. Nunca usei nenhuma.” A polícia soube e chegou a tempo. Marcaram uma segunda vez, agora no ateliê do escultor Bernadelli, na Lapa. Sacaram os floretes, depois de desinfetados, mas os padrinhos decidiram dar por encerrado o desafio.

Honras lavadas, os amigos de outrora se apertaram as mãos, meio sem jeito. A briga, porém, não acabou. Pompeia era diretor da Biblioteca Nacional. Floriano morreu e seus restos iam ser trasladados. No cemitério São João Batista, Pompeia fez um discurso vermelho. A oligarquia latifundiária e o imperialismo iam acabar com o Brasil etc. A polícia do governo Prudente de Morais, que era o contrário de Floriano, acabou com o comício fúnebre. Bilac aprovou, pediu a demissão de Pompeia. Prudente o demitiu.

Outra vez, desmanchar o nó era tarde, só cortando. Dias depois, Pompeia tirou férias da imprensa. Enquanto isso, outro adversário, Luís Mürat, continuou a desancá-lo. Pompeia soube um mês depois, se queimou. Que pensariam os amigos e leitores? Que não respondeu por covardia.

O Natal de 1895 chega um pouco nublado. No palacete número 116 da Rua São Clemente, em Botafogo, o único homem da família está inquieto e sozinho. Não quer conversa com a mãe nem com a irmã. Três dias antes, disse a um amigo:

“No Brasil, só há um ato digno para um homem honesto: pegar de um revólver e salpicar com os miolos esta terra sinistra e ao mesmo tempo pulha.” Por volta do meio-dia, ouviram um estampido num dos quartos que dava para a rua. Acharam agonizante o autor de O Ateneu, o filho querido daquela abastada família de Jacuecanga, em Angra dos Reis. Não estourou os miolos. Deu um tiro na altura do coração. Deixou um bilhete:

“À Notícia e ao Brasil declaro que sou um homem de honra”. 


Poeta anônimo fez galhofa com o excelso monarca



Escrito por Juliana Winkel

Escritor aprontou no dia do aniversário de Pedro II.

(O bobo do rei faz annos)

Oh! excelso monarca, eu vos saúdo!
Bem como vos saúda o mundo inteiro,
O mundo que conhece as vossas glórias.
Brasileiros, erguei-vos e de um brado.
O monarca saudai, saudai com hinos.
Do dia de dezembro o dois faustoso,
O dia que nos trouxe mil venturas!
Ribomba ao nascer d'alva a artilharia.
E parece dizer em tom festivo:
Império do Brasil, cantai, cantai!
Festival harmonia reine em todos;
As glórias do monarca, as vãs virtudes.
Zelemos decantando-as sem cessar.
A excelsa imperatriz, a mãe dos pobres.
Não olvidemos também de festejar.
Neste dia imortal que é para ela
O dia venturoso em que nascera
Sempre grande e imortal, Pedro II.


Esse poema, publicado na imprensa carioca no aniversário de Pedro II, em 2 de dezembro, foi um dos precursores da literatura panfletária. O ano e o jornal de sua publicação são dúvidas, assim como seu autor, embora um forte candidato seja o escritor Fagundes Varella. Pode parecer exaltação, mas trata-se de um acróstico - no qual as letras iniciais dos versos compõem uma frase. Releia. Galhofa da boa.


Um Outro Varella, de Leonardo Fróes (Rocco, 1990).


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Alceu Wamosy



Um poeta esquecido

(Alcy Cheuiche)*

Depois que perdemos Rodrigues Till, ninguém mais, que eu saiba, escreveu sobre Alceu Wamosy. E como se aproxima o centenário da morte do poeta (seis anos não são nada), vamos recordar um pouco da sua vida e obra.

Napoleão dizia que a pessoa que não entra na lenda, não merece estar na História. Eu penso assim a respeito da sátira, principalmente a que nasce espontânea da palavra popular. Pois houve um tempo, quando eu era criança, em que o poema “Duas Almas”, de Alceu Wamosy, era tão declamado que brotaram do nada os seguintes versos:

“Ó tu que vens de longe,
ó tu que vens cansada,
por que não vieste de bonde,
desgraçada?”

Eu não me ofenderia se fizessem algo parecido com um poema meu... O triste é que talvez alguém se lembre da sátira (esteja rindo, neste momento), mas duvido que seja capaz de dizer o poema inteiro:

Ó tu que vens de longe, ó tu que vens cansada,
entra, sob este teto encontrarás carinho,
eu nunca fui amado e vivo tão sozinho,
vives sozinha também, e nunca foste amada.

A neve anda a branquear lividamente a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho,
entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar radiosa
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só nem irás tão sozinha.
Há de ficar comigo uma saudade tua,
hás de levar contigo uma saudade minha.

Um soneto com 103 anos de idade, pois foi escrito em 1914 quando Wamosy tinha 19 anos. E escrito em Alegrete, onde, sob o olhar desconfiado da tia e o olhar confiante do cão, um menino inventava poesia. Sim, Mário Quintana tinha oito anos quando “Duas Almas” foi escrito e, como desde criança era alimentado com versos, seguramente o leu ainda úmido de tinta no jornal “A Cidade”, fundado por José Afonso Wamosy, o pai do poeta.

Mas, vamos com calma. Antes que meus amigos de Uruguaiana comecem a reclamar, vamos dizer logo: Alceu Wamosy nasceu naquela linda cidade, junto ao Rio Uruguai, “um cielo azul que viaja”, como disse o poeta Aníbal Sampayo.

Nasceu no dia 14 de fevereiro de 1895 e ficou sem nome de batismo por muitos meses. Isso porque seu pai, orgulhosos do varão primogênito, decidiu escrever a Guerra Junqueiro, lá no longínquo Portugal, pedindo-lhe para escolher o nome do menino. É certo que a carta tardou bastante em sua viagem de navio, e a resposta outro tanto. Assim, aquele que o poeta lusitano nomeou Alceu, por pouco não entrou na História com o prosaico apelido de “Nenê”.

Recebida a resposta, seguramente José Afonso Wamosy foi consultar o Larousse e vibrou ainda mais de alegria. Ali estava o verbete Alcée, identificando o poeta grego do século VII a.C., nascido na Ilha de Lesbos. E a premonição de Guerra Junqueiro até hoje encanta os amantes da poesia.

Alceu Wamosy amealhou precocemente uma invejável cultura. O Ginásio de Uruguaiana explica esse fenômeno (para os dias atuais), da mesma forma que a qualificação do Ginásio da Bahia foi fundamental para despertar o humanismo em Castro Alves. A verdade é que o ensino secundário, após a reforma feita por Dom Pedro II, inspirada no liceu francês, oferecia amplos conhecimentos universais, transparentes na poesia e prosa de Alceu Wamosy desde a adolescência.

José Afonso Wamosy criava e fechava jornais, iniciando muito cedo o filho na arte da tipografia. Em Uruguaiana, fundou e afundou “O Povo” (homônimo do célebre jornal farroupilha) e “O Democrata”. Em Alegrete, para onde se transferiu com a família em 1909, fundou o jornal “A Cidade”, que Alceu passou a dirigir em 1911, com apenas 16 anos. E foi exatamente no segundo aniversário desse jornal (exemplar n° 152, de 14 de julho de 1911) que o jornalista/poeta escreveu estas palavras, certamente inspiradas na Queda da Bastilha:

“A independência de tudo e de todos tem sido o nosso apanágio; e até o fim da vida há de, como uma sombra, nos seguir os passos”.

Foi na tipografia do mesmo jornal que Alceu compôs, letra por letra, os 20 poemas do livro “Flâmulas”, o seu primeiro “solo”. E que começo para um jovem de 18 anos, vivendo tão distante dos grandes centros culturais. Poemas de alto valor simbolista que merecerão de Quintana esta preciosidade de comentário, muitos anos mais tarde:

“Alceu Wamosy, desde sua estreia, foi um dos poucos poetas que soube ser popular e requintado ao mesmo tempo”.

Sem saber que ainda será obcecado pelo tema, Alceu fala da vida e da morte, num belo jogo de luz e sombra:

Se ela é tão linda assim,
se a vida é tão formosa,
se há tanta paz cá dentro,
e tanto sol lá fora,
se o céu é o nosso teto
e a nossa luz é a aurora,
por que hei de pensar
na morte tenebrosa?

Um gosto do “Mal Secreto”, como se o poeta começasse no mesmo patamar em que outro terminara: Raimundo Correia morreu em Paris, em 1911, dois anos antes da publicação de “Flâmulas”.
  
(...)

Plágio foi o que fez um tal de Evaristo de Paula publicando, em seu nome, na revista carioca “Fon-Fon” (uma das mais lidas no Brasil de 1914) o poema “Duas Almas”. Desmascarado, só ajudou a tornar conhecido o nome de Wamosy no Rio de Janeiro.

Nessa época, Alceu começou a movimentar-se, indo viver em Porto Alegre, voltando a Alegrete e, finalmente, fixando residência em Livramento. As cartas escritas aos amigos são testemunhas de suas inquietações. Apaixonado por várias mulheres ao mesmo tempo, deslocado nos empregos que obtinha, postergava a publicação do seu livro “Coroa de Sonhos”. Temendo que se perdessem, mandou os originais ao amigo João Pinto da Silva, com uma pequena carta datada de 6 de fevereiro de 1920, em que se confessava “comercialmente burro” e dizia textualmente: “Ando com palpite de que vão me matar, de um momento para outro, e não quero que os fariseus matem também, pelo extravio e pelo esquecimento, o que pode perdurar de mim”. Profecia que se cumprirá três anos depois.

No livro de memórias “A Campanha de 23”, Flores da Cunha, comandante da Brigada do Oeste, narra que, no início do mês de setembro, mandou construir uma balsa para suas tropas atravessarem o rio Santa Maria, na altura de Rosário do Sul. Ordenou também aos coronéis Nepomuceno Saraiva e Sinhô Cunha, junto aos quais combatia o alferes Alceu Wamosy, para subirem pela margem esquerda do rio, que estava muito cheio. Ao chegar junto ao Serro do Batovi, o General Flores envia uma contraordem aos dois coronéis para que passem também para a margem direita, “pois seus efetivos não alcançavam trezentos homens e não dispunham de armas automáticas”. Nepomuceno e Sinhô Cunha ignoraram a ordem, prosseguiram e foram batidos pelos maragatos de Honório Lemes no combate de Ponche Verde, em Dom Pedrito.

Ferido no peito, Alceu Wamosy foi recolhido pelos inimigos e levado para um local chamado “Três Vendas”, junto com outros feridos, entre eles um semidegolado. Em depoimento de David Barros Cassal, consta que os maragatos deram garantia de vida a Wamosy, mas Honório o teria admoestado, dizendo que gostava dos seus versos, mas “aquele não era o lugar para um intelectual”. O que honra as leituras do “Tropeiro da Liberdade”, mas expõe uma incoerência. Esqueceu-se Honório (personagem ímpar da nossa História) que outro intelectual, seu ghostwriter, aquele para quem ditava cartas e ordens militares, o médico e advogado Batista Luzardo, comandara a carga de cavalaria que decidiu o combate de Ponche Verde.

Seja como for, Honório Lemes mandou que Alceu Wamosy fosse libertado e “posto num auto de praça que o levou ao hospital de Livramento”. E foi ali que morreu, dez dias após o combate, a 13 de setembro de 1923.

Discute-se se teria ou não casado in extremis com sua enfermeira Maria Bellaguarda (nome perfeito para o último amor do poeta...).

“Si non è vero, è ben trovato”.


*Escritor


(Caderno de Sábado, do Correio do Povo, 16 de setembro de 2017)


Cultura inútil



Você não poderá morrer sem saber as curiosidades abaixo:
   
Þ Mark Twain nasceu no dia em que apareceu no céu o Cometa Halley. E morreu setenta e cinco anos depois, na noite em que o Cometa – que aparece justo de setenta em setenta cinco anos.

Þ Não existe um só selo na França com a efígie de Napoleão Bonaparte.

Þ Rodrigo Marques, o crioulo que trabalha com Marlon Brando no filme Queimada, é brasileiro e jogou no juvenil do Botafogo.

Þ O verdadeiro nome de Bob Dylan é Robert Zimmerman.

Þ Noel Rosa, quando estava tuberculoso, só tomava cerveja quente. A marca que ele gostava era Cascatinha.

Þ Ari Barroso aprendeu a tocar piano com uma tia que botava um pires nas costas de cada mão dele. Se um pires caísse enquanto tocava, Ari levava um cascudo.

Þ Graciliano Ramos tinha horror de poesia e filosofia.

Þ Há apenas, que se saiba, uma estátua de figura humana, em mármore, com pestanas. É a Ariadna Adormecida, encontra-se no Museu do Vaticano e foi descoberta em 1503.

Þ Em proporção ao seu tamanho, a pulga pula 40 vezes mais alto do que um canguru.

Þ Nas estátuas equestres, quando o cavalo está com uma pata no ar, o herói em questão morreu de ferimentos oriundos do campo de batalha. Quando o cavalo está com as duas patas no ar o herói morreu no campo de batalha. Quando o cavalo está com as quatro patas no solo o cavaleiro morreu na cama.

Þ Libertas quae sera tamen – é uma frase gramaticalmente errada e não tem sentido algum.

Þ Também a frase “Obra de Santa Engrácia” que quer dizer obra interminável, não tem mais nenhum sentido. Santa Engrácia é uma igreja em Lisboa que vinha sendo construída há séculos, tendo dado origem à frase popular. Mas como foi terminada, a frase perdeu o sentido.

Þ Conan Doyle iniciou duas histórias diferentes de Sherlock Holmes da mesma maneira.

Þ O Flamengo era tricolor que nem o Fluminense. Com a guerra de 14, tiraram a faixa branca, para não ficar igual às cores da bandeira alemã.

Þ O Pará é muito maior que a França.

Þ Cleópatra era manca.

Þ Urubu quando nasce é branco.

Þ Nas festas gregas, Sófocles dançava nu, com o corpo untado de óleo.

Þ Baleias ficam menstruadas de acordo com a Lua.

Þ Quem conversa com o guarda-freio torna-se moralmente responsável pelos desastres causados por distração (dos bondes de Lisboa).

Þ Cuspir no chão é atentar contra a vida alheia. (Dos cartazes nas paredes de Lisboa)

Þ Romi-Isetta foi o primeiro carro brasileiro: parecia um ovo e tinha três rodas.

Þ Kingston foi o primeiro cigarro brasileiro com filtro.

Þ O alfabeto de voo usado para o maior entendimento entre a torre de aeroporto e o avião é o seguinte: Alfa – Bravo – Charles – Delta – Eco – Fox – Golf – Hotel – Índia – Julieta – Kilo – Lima – Mike – Néctar – Oscar – papa – Quebec – Romeo – Sierra – tango – Uniform – Victor – Whisky – Ex-Rei – Yankee – Zulu.

Þ Adolph Hitler era austríaco.

Þ Jesus Cristo nasceu na Jordânia.

Þ Em japonês au-au (como faz o cachorro) é uan-uan e em polonês pif-pif.

Þ Os líquidos adquirem a forma do vaso que os contém. (Da Física)

Þ Mickey Rooney morria de ciúmes quando Ava Gardner ia bater papo na casa de Greta Garbo.

Þ Em Carnaval no Fogo o papel de Grande Otelo foi feito, do meio pro fim, por Modesto de Souza.

Þ James Dean morreu no dia 30 de setembro de 1955, no cruzamento da estrada 466, Paso Robles-Fresno, quando se dirigia para Salinas, cidade onde foi filmado Vidas Amargas, e onde disputaria uma prova automobilística. Morreu pilotando sua Porshe Spyder prateada. Seu mecânico, que o acompanhava, ficou internado no Hospital de Paso-Robles, e James Dean foi enterrado em Fairmont no dia 8 de outubro.


(Curiosidades tiradas de “O Pasquim” – Antologia – volume I
– 1969-1971)


A definição do Amor


Por Lope de Vega

Félix Lope de Vega, também citado como Félix Lope de Vega Carpio ou Lope Félix de Vega Carpio, (25 de Novembro de 1562 – 27 de Agosto de 1635) foi um dramaturgo, autor de peças teatrais e poeta espanhol.


Definición del Amor

Desmayarse, atreverse, estar furioso,
aspero, tierno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, difunto, vivo,
leal, traidor, cobarde y animoso;

no hallar fuera del bien, centro y reposo,
mostrarse alegre, triste, humilde, altivo,
enojado, valiente, fugitivo,
satisfecho, ofendido, receloso;

huir el rostro al claro desengano,
beber veneno por licor suave,
olvidar el provecho, amar el dano,

creer que un cielo en un infierno cabe,
dar la vida y el alma a un desengano,
esto es amor; quien lo probo, lo sabe.

Definição do Amor

Desmaiar-se, atrever-se, estar furioso,
áspero, terno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, defunto, vivo,
leal, traidor, covarde e valoroso;

não ver, fora do bem, centro e repouso,
mostrar-se alegre, triste, humilde, altivo,
enfadado, valente, fugitivo,
satisfeito, ofendido, receoso;

furtar o rosto ao claro desengano,
beber veneno qual licor suave,
esquecer o proveito, amar o dano;

acreditar que o céu no inferno cabe,
doar sua vida e alma a um desengano,
isto é amor; quem o provou bem o sabe.

(Tradução de José Jeronymo Rivera)

Do livro: "Poetas do Século de Ouro Espanhol" (Ed. Bilíngue),
Embajada da Espanha, 2000, DF

Golpes e Contragolpes



Golpe de mestre

Um rei mau queria condenar à morte injustamente um de seus servos por ele ser mudo. Depois de tê-lo acusado falsamente de traição, anunciou, diante do povo crédulo, que daria a ele a última chance de continuar vivo. Colocou diante dele dois pequenos pedaços de papel dobrados e disse ao povo que neles havia a palavra “vida” em um e a palavra “morte” em outro. O jovem servo deveria escolher um deles e, assim, sua sorte estaria lançada.

Ao jovem, o rei disse em voz baixa que ele não teria chance alguma, pois ambos os papéis tinham a inscrição “morte” e que o papel escolhido seria apresentado diante do povo, ao passo que o outro seria retido. O servo, então, pegou um dos papéis e o levantou para que a multidão percebesse que ele o estava escolhendo.

Tendo feito isso, engoliu o papel, forçando assim o rei apresentar ao povo o outro papel escrito “morte” e fazê-los crer que ele havia escolhido o que estava escrito “vida”, e que, por isso, deveria ser libertado.

O jogo dos dedais


Há alguns anos era muito comum encontrarmos no centro Santa Maria (RS), assim como em tantas outras cidades brasileiras, o jogo dos dedais, onde uns espertalhões tomavam, com muita facilidade e rapidez, o dinheiro dos que se aventuravam em apostas. Cabia aos vigaristas esconder uma bolinha de espuma em um dos três dedais presos aos dedos de uma das suas mãos e ao apostador descobrir em que dedal ela estava. O operador do jogo deslizava as mãos sobre um tabuleiro ao mesmo tempo em que, com uma conversa fácil convincente, desafiava os transeuntes a participarem do jogo. Os desavisados paravam e observavam os movimentos dos dedais sobre a mesa, logo caíam na tentação do dinheiro fácil, pois tinham a certeza de onde estava a bolinha. Não adiantava, naquele jogo nunca se ganhava, sempre se perdia. Lembro-me que um amigo aprendeu este jogo e o fazia, não por dinheiro, mas com brincadeira para divertir os colegas, nunca acertávamos embora sempre tivéssemos certeza de onde a bolinha se encontrava, ele virava o dedal e nada, a bolinha não se encontrava ali, nos dava mais uma chance e mesmo assim nada. Nunca ganhamos, nunca ninguém ganhou. O tempo passou e os tabuleiros de dedais sumiram, meu amigo, como todos nós, ganhou idade, e perdeu a habilidade, nunca mais fez o jogo dos dedais, mas também nunca não contou como nos enganava.

Jackson Sprada

 Mas um dia a sorte virou.

Eu vi...

O garoto que enganou o malandro.


Em toda cidade grande sempre há vigaristas, que trabalham em dupla, enganando pessoas burras e ambiciosas. Eles usam a famosa jogatina de se colocar uma bolinha de espuma dentro de um dedal. O manejador passa, relativamente rápido, três dedais em cima de uma mesa, e uma pessoa da plateia aposta uma certa quantidade de dinheiro, tentando acertar em qual dedal está a bolinha.

“Um homem da plateia”, que, claro, é o seu cúmplice, aposta 10 reais e ganha! Aposta novamente e ganha. Outras pessoas, vendo que o jogo não é tão difícil assim, também começam a apostar e, agora, a perder...

Um dia, um garoto de uns 15 anos, de pastinha embaixo do braço e óculos de grau, começou a observar o jogo e viu que o manejador, na sua rapidez, sempre tirava a bolinha de todos os dedais. Ele tinha uma incrível maneabilidade fazendo com que ela ora aparecesse, ora desaparecesse conforme a sua agilidade. Quando o comparsa apostava, havia bolinha no dado apontado e ele, casualmente, sempre acertava. Quando alguém da plateia apostava, ele, sutilmente, retirava a bolinha e, em qualquer dedal apontado, nunca haveria prêmio, perdendo sempre.

Então, o garoto, largou a pasta no chão, tirou 100 reais de sua mesada da carteira e resolveu arriscar. É claro que a cada quantia proposta, o manejador tem que bancar pagando a mesma quantia do apostador. O vigarista mexeu rapidamente os três dedais, deixando-os sobre a mesa para que o garoto dissesse em qual deles estava a bolinha de espuma e perder, pois em nenhuma deles ela estaria. 100 reais em cima de 100 reais. Começou a juntar curiosos de todas as idades torcendo pelo guri corajoso. O garoto olhou fixamente os dedais e antes que o picareta fizesse qualquer gesto ou movimento, levantou os dedais da esquerda e da direita e disse que a bolinha estava no dedal do meio. Pegou os 200 reais e se mandou!


(Esta cena eu vi acontecer no centro de Porto Alegre...)


A paixão que virou canção



Iole e Pedro ainda vivem a “storia d´amore” iniciada em fevereiro de 1945, durante a II Guerra.

Em 21 de fevereiro de 1945, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) na II Guerra Mundial, após três meses de intensos combates, conquistou Monte Castelo, a posição alemã que impedia o avanço do exército aliado no norte da Itália. Menos de três meses depois, houve a rendição alemã naquele país.

Logo após a tomada de Monte Castelo, o soldado gaúcho João Pedro Paz recebeu folga para visitar a cidade de Pescai, onde haveria um baile. Lá conheceu Iole, uma bela italiana de 17 anos. Foi paixão à primeira vista.

O relacionamento durou até junho de 1945, quando as tropas da FEB retornaram ao Brasil, e o casal foi obrigado a se despedir no cais do porto de Nápoles. Já no Brasil, Paz participou de uma grande festa no Cassino da Urca, no Rio de Janeiro, com as presenças do presidente Getúlio Vargas e do cantor Vicente Celestino.

Após ouvir a bela história de amor de Pedro e sua jovem Iole, Celestino, então um dos artistas populares do país, compôs uma das mais importantes canções do pós-guerra, Mia Gioconda. Cantada em português e italiano, a música foi um sucesso na época e já teve diversas regravações, inclusive uma que foi incluída na trilha sonora da novela O Rei do Gado, da Rede Globo.

De volta a Porto Alegre, Paz recebeu uma carta de Iole, na qual ela contava que estava grávida. O pracinha procurou, então, a embaixada da Itália para providenciar o casamento, que foi realizado em julho de 1946, por procuração. Em outubro daquele ano, Iole desembarcou no cais do Guaíba com o filho de três meses de idade.

Hoje, aos 88* anos, além de se dedicar a reunir e divulgar os feitos da FEB, João Pedro Paz ainda vive sua bela storia d´amore com Iole.
  
Cel Leonardo Araújo, historiador do Colégio Militar de Porto Alegre.

(ZH, in Almanaque Gaúcho, de 21.02.2011)

*Ano da matéria em ZH, fevereiro de 2011.

Minha Gioconda

(Vicente Celestino)

Do dia que nascemos e vivemos para o mundo,
Nos falta uma costela que encontramos num segundo.
Às vezes, muito perto desejamos encontrá-la,
No entanto é preciso muito longe ir buscá-la.
Vejamos o destino de um pracinha brasileiro:
Partindo para a Itália transformou-se num guerreiro
E lá, muito distante, despontar o amor sentiu
E disse estas palavras a uma jovem quando a viu:

“Italiana,
La mia vita oggi sei tu!
Io te voglio tanto bene,
Partiremo due insieme.
Ti lasciar non posso più.
Italiana,
Voglio a ti piccola bionda,
Ha il viso degli amori,
La tue lapri son due fiori.
Tu sarai mia Gioconda.”

Vencido o inimigo que antes fora varonil,
Recebeu ordem de embarcar para o Brasil.
Dizia a mesma ordem:
“Quem casou não poderá levar consigo a esposa,
a esposa ficará.”
Prometeu então o bravo, ao dar baixa e ser civil:

“Embarcarás amada, para os céus do meu Brasil!”
E, enquanto ela esperava lá no cais napolitano,
Repetia estas palavras no idioma italiano:

“Brasiliano,
La mia vita oggi sei tu!
Io te voglio tanto bene,
Quiedo a Dio que tu venga.
Ti scordar non posso più!
Brasiliano,
Sono ancora tua bionda!
Mi sposo hai lasciato,
Questo cuore abandonato
Che chiamasti di Gioconda.
Di Gioconda!
Di Gioconda!”


domingo, 17 de setembro de 2017

Histórias de chatos



Encontro de chatos

- Entra o chato no bar e se senta. Vem atendê-lo o garçom chato. Fala o chato:
- Me dá um copo d 'água.
Pergunta o garçom chato:
-  Mineral?
O chato responde:
- Natural!
E o garçom chato, se complicando:
- Natural?
E o outro:
- Natural que é mineral!
- Não entendi – disse o garçom chato. – O senhor quer água mineral ou natural?
- Mineral!
- Ah... mineral?
- Natural!
- Ai, meu Deus... Não entendi. O senhor está dizendo que quer um copo d'água natural, não é?
- Não! Eu quero um copo d'água mineral!
- Ah... O senhor quer um copo d'água mineral, não é isso?
- É natural!
- Natural???
- Chega!!! Não quero mais água nenhuma. O senhor complica tudo!
- Então o senhor quer o quê?
- Me traz um chope.
- Escuro?
- Claro!

Chato na rua...

Eu encontro um chato na rua, que eu nunca vi na minha vida, e ele me cutuca:
- E daí, cara, tu não és o Jorge Ivan, que todos conheciam como Fuca, lá de Uruguaiana?
- Não, meu amigo, não me chamo Jorge Ivan e sou de Santa Maria.
- Mas tu não ias nos bailes de carnaval do Gaúcho, ali na Praia de Belas...
- Não, meu amigo, carnaval eu só gosto de assistir na avenida, não sou de bailes...
- Mas tu não te formaste em Direito?
- Não, formei-me em Letras, fui professor...
- Quer dizer que não és o Jorge Ivan e não te formaste em Direito?
- É isso mesmo. Sou o Nilo Moraes e não me formei em Direto.
- Tu és o Nilo Moraes?
- Sou sim...
- Então é contigo mesmo que eu quero falar!

Copiando uma historinha do Álvaro Moreyra...

Vou caminhado pela Rua da Praia, quando alguém me cutuca, logo vi que se tratava de um chato, pois todo chato cutuca:
- E daí, meu irmão, o que há de novo?
- A nossa intimidade...

Chato em parada de lotação

Tarde da noite, estou esperando, cansado, o meu lotação para ir para o meu bairro, Ipanema, quando um chato puxa conversa:
- E daí, companheiro, o que tu esperas do novo prefeito?
- É cedo ainda para se esperar alguma coisa...
- E do governo do gringo de Caxias?
- Não espero nada ainda...
- Esperas alguma novidade neste verão?
- Não.
- Esperas alguma coisa do Trump.
- Nada.
- Esperas ir para o céu.
- Nunca.
- Afinal, o que o tu esperas com ardor nesta vida?
- A única coisa que espero nesta vida é que o lotação venha logo...

Mas o chato não desistiu:

- Tu és capaz de guardar um segredo?
Claro.
- Bem, estou precisando de cinquenta reais emprestados...
- Podes ficar tranquilo... Vou fazer de conta que nem ouvi...
Mas, mesmo assim, emprestei dinheiro e nunca mais o vi. E quer saber? Valeu a pena.
  
O pedido de um chato preciosista


O chato preciosista chegou na confeitaria e mandou fazer um bolo confeitado. Bem bonito, pedindo ao confeiteiro:

- Eu quero um bolo de aniversário. Escreve em cima: “Feliz Aniversário” . Fica pronto a que horas?

- Daqui a uns vinte minutos o senhor pode vir buscar.

Ele voltou vinte minutos depois. O bolo estava pronto. Ele olhou bem o bolo, examinou bem, afastou-se um pouco para olhar bem a obra de arte do confeiteiro e falou:

- Olha, eu queria mais bonito. Mais enfeitado, sabe, mais colorido. E olha: em vez de “Feliz Aniversário”, escreve: “Felicidades mil!” O senhor não acha que fica melhor?

- É, fica – disse o confeiteiro meio desanimado. Mas pode passar daqui a meia hora que estará pronto.

Meia hora depois, o chato voltou:

- Como é? Gostou? – perguntou o confeiteiro.

O chato examinou o bolo longamente, fechou os olhos, coçou o queixo, releu a frase:

- Faz o seguinte: bota mais umas flores em volta do bolo, mais cor. E aumenta aí a frase. O senhor não acha que pode ser uma frase mais expressiva?

- É... pode ser...

- Pois é. Põe aí: “Felicidades mil! Parabéns! Muito amor!” Isso: “Muito amor”, põe aí!

O confeiteiro conformou-se e fez todas as modificações. Algum tempo depois, o chato voltou.

- Ah, sim. Agora está lindo!

- Posso embrulhar? – perguntou o confeiteiro.

- Não, não precisa não. Eu vou comer aqui mesmo!

Barbeiro chato

Vou cortar o cabelo com um barbeiro terrivelmente chato. Ele corta e chateia o freguês o tempo todo. Sento na sua cadeira e ele me  pergunta:
- Como o senhor vai querer que eu corte o seu cabelo?
E eu, baixinho no seu ouvido
- Em silêncio...

Considerações sobre o chato:
   

Aquele chato era tão alienado que, quando caía em si, tirava o corpo fora.

Era um chato metido a intelectual tão colonizado que nos restaurantes da moda só pedia caldo de cultura.

O chato encontrou o teatro de portas fechadas: pregaram-lhe uma peça.

A notícia da morte daquele chato causou grande surpresa. Ninguém lembrava que ainda estava vivo.

Aquele chato era um jogador sem sorte. Em toda sua vida só acertou uma vez. Na roleta russa.

E aquele outro chato era considerado gente fina porque sempre fazia vista grossa.

O chato é o inteligente que não deu certo.

Nunca mande texto a um chato gramatical – ele procura e vê erro em tudo que é escrito e falado.

Há muitos tipos de chatos, sendo o mais famoso o chato-de-galochas, cujo nome provém do sujeito que calçava as galochas e saía de casa com chuva torrencial para atormentar alguém a domicílio. Hoje, seria o chato “on delivery”.

Há o chato autocrítico. Este chega com um sorriso constrangido e confessa: “Eu sei que sou chato... Mas dá pra levar um papo...”.

Notícia boa sobre chato: “Sabe do fulano? Que chato, morreu...”

Quando o chato chega em casa, a família dele finge que já está dormindo.

O Tom Jobim, uma das maiores autoridades em chatos, ensinou um truque que proclamava infalível: “Use óculos escuros. O chato fica desorientado, pois ele adora ver o próprio rosto refletido em seus olhos desesperados.”

Quando vamos ao cinema
Assistir a um filme lindo,
Um chato, na nossa frente,
Fica o tempo todo tossindo