segunda-feira, 16 de maio de 2016

A morte de um expedicionário brasileiro



Max Wolff Filho poucas horas antes de tombar em ação.


Max Wolff Filho nasceu em Rio Negro (PR), a 29 de julho de 1912. Alistou-se, aos 18 anos, no 15º Batalhão de Caçadores, unidade extinta cujas instalações são hoje ocupadas pelo 20º BIB. No ano de 1944, apresentou-se voluntariamente para compor a Força Expedicionária Brasileira, integrando a então 1ª Companhia do 11º Regimento de Infantaria (11º RI), de São João del Rey (MG). Destacou-se por sua bravura no decorrer da Guerra, tornando-se conhecido pelo seu destemor, intrepidez e abnegação. Suas façanhas eram proclamadas pelas partes de combate e por vários correspondentes de guerra das imprensas nacional e estrangeira.

No dia 12 de abril de 1945, o 11º RI recebeu a missão de reconhecer a região de Monte Forte e Biscaia, a denominada “terra de ninguém”. O sargento Wolff foi voluntário para comandar a patrulha de reconhecimento, que foi constituída por 19 militares que se haviam destacado por competência e bravura em outros combates. Nessa missão, foi fatalmente atingido por uma rajada de metralhadora alemã, que o atingiu na altura do peito.

Somente vários dias após seu passamento, o corpo do sargento Max Wolff Filho foi encontrado. Foi agraciado post mortem com as medalhas de Campanha de Sangue e Cruz de Combate, do Brasil; e com a medalha Bronze Star, dos Estados Unidos da América. Foi sepultado no Cemitério Militar Brasileiro, em Pistóia, na Itália; posteriormente, seus restos mortais foram trasladados para o Brasil.



Joel Silveira, em seu livro, narra assim a morte de Sargento Max Wolff:


“Vi quando a rajada da metralhadora alemã rasgou o peito dele. Instintivamente, caiu de bruços”, revela. “O Tenente Otávio Costa, que estava do meu lado, no Posto de Observação, apertou os dentes com força, mas não disse uma palavra. Quando lhe perguntei se o homem que havia tombado era o sargento Wolff, ele balançou afirmativamente com a cabeça. Menos de uma hora antes eu estivera conversando com ele. Creio que foi a mim que ele fez as suas últimas confidências. Falou-me de sua filha, uma menina de 10 anos de idade que deixara em Curitiba. E como eu estivesse recolhendo mensagens entre os homens do seu Pelotão de Choque, já alinhados para a patrulha, o Sargento Wolff pediu-me que também enviasse a sua. Estão comigo as poucas linhas que sua letra fina e desenhada escreveu no meu caderno de notas: “Aos parentes e amigos, estou bem. À minha querida filhinha: papai vai bem e voltará brevemente”.

Adendo

Lembro-me muito bem de uma reportagem maravilhosa que foi ao ar no programa “Fantástico” há uns 20 anos, em que o Joel Silveira vai à casa da filha do Sargento Max Wolff, e entrega a carta que o pai havia escrito à menina pouco antes de tombar em combate. Nesse caso, a filha já estava com seus trinta e poucos anos, e o Joel nunca antes havia tido coragem de encarar aquela missão. Foi um comovente encontro que não fez somente os dois chorarem, mas também a muitos que testemunharam pela televisão este memorável fato.

Mais um brioso homem brasileiro se vai para junto do nosso Grande Mestre do Universo.

 Ricardo Freire

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