sábado, 10 de janeiro de 2015

Trovas de banheiro

Advertência;

Este texto contém expressões escatalógicas e pornográficas.

Leitura só para adultos. 

"Os grafitos de latrinas constituem um ritual de transgressão como o carnaval e tantos outros existentes na nossa e noutras culturas Praticada a orgia, puxa-se a descarga e volta-se à vida normal."

Gustavo Guimarães Barbosa


Poemas variados

Isto não é mictório.
Isto é uma coisa indecente.
A gente não mija nele:
ele é que mija na gente.

Cagar, cagar, cagar!
Cagar, supremo prazer!
Quando é preciso cagar,
até se deixa de foder.

Bravo! A isto se chama cagar,
e não esses cagões de merda,
que dizem vão cagar
e não cagam nenhuma merda.

No final, dei a descarga
o meu troço estremeceu,
deu dois passinhos de valsa,
cumprimentou e desceu.

Até gente fina e altiva
neste cômodo isolado
tem barriga subversiva,
e o cu mal comportado.

Neste lugar mal-cheiroso,
pensando numa buceta,
o cara vibra de gozo
ao terminar uma punheta.

A gente faz o que gosta
e muitos têm a pachorra
de pôr em cima da bosta
um glacezinho de porra.

Aqui fora da privada,
escuto uma peidorrada;
pelo ronco, pelo berro
esse cu já levou ferro.

Cagar é bom, dá prazer
ao pobre cu solitário,
é o mesmo que o ‘bicho’
numa enrabada ao contrário.

Oh dama, por quem me aflijo
vos suplico, consintais
que introduza o com que eu mijo
no por onde vós mijais.

Neste local certa feita
caguei cagalhão tão grosso
que tive a impressão perfeita
de ter cagado o pescoço.

Adeus fazenda da fome,
nunca mais me verás tu:
criei limo nos dentes
e teia de aranha no cu.

Neste mundo não há nada
como dar uma boa cagada.

A besta que isso escreveu
prova que nunca fudeu.

Neste local solitário,
onde a vaidade se apaga,
todo covarde faz força
e todo valente se caga.

Cagaste fora do vaso,
por que não cagaste dentro?
Tens a bunda fora de esquadro
ou o cu fora do centro?

Cagar é lei do mundo,
cagar é lei do universo,
cagou Dom Pedro Segundo,
cagando fiz este verso.

Merda não é tinta,
dedo não é pincel,
quando vier à privada
é favor trazer papel.

Ai, ai, ai
Que boca estreita que o penico tem
Se a gente mija, o cu fica de fora
Se a gente caga, o pau fica também.

Neste mundo fode cabra e fode bode
só não fode quem não pode
e quem não pode é que se fode.

                                            Nesta cabine de tábuas,
                                            Porta de saco de juta.
                                            Entra gente boa e má,
                                            Entra até filho da puta!

                                           Sob o caixão da privada,
                                           Há um montão de material.
                                           Toda a bosta acumulada,
                                           Desde os tempos de Cabral.


Num mictório de botequim recém pintado,
o dono colocou um cartaz com o seguinte aviso:

Por favor deffecar dentro do vaso”

Um gaiato, ao ver no aviso a palavra defecar com dois efes,

fez a seguinte trova:

Quem será o mequetrefe
que escreveu tal maravilha.
Quem defeca com dois efes
limpa o cu com cê cedilha?

Pego o papel higiênico,
passo aquela lixa na bunda,
aperto o botão da descarga,
mas aquela merda não afunda.

Me debruço para a frente
Pra enxergar meu cagalhão,
Pois quem caga acocorado
Caga por dois, meu irmão.

 Frases de mictórios públicos



               “Todo o fino caga grosso e todo o grosso caga fino.”

               “Cague cantando que a merda sai dançando.”

               “Não adianta cagar cantando, pois a merda não sai dançando.”

               “Lá fora você é valentão, aqui dentro você é cagão.”

               “O peido é o grito de liberdade da merda oprimida.”

               “O peido é o suspiro de um cu apaixonado.”

               “Enquanto você está cagando, tem um japonês estudando.”


Algumas frases são do livro “Grafitos de Banheiro”, 
de Gustavo Barbosa, Editora Brasiliense.
Outras são parte do folclore de mictórios públicos.

Caguei

Sei que é mesmo uma agressão
Este ponto a que cheguei,
Andando com um camisolão
Nas costas escrito: Caguei!

Muita gente bem vestida,
Que anda parece um rei,
Quando olha sua vida
Digo pra mim – Caguei!

Para você, meu amigo,
Que sempre cumpriu a lei,
Seria um castigo
Se eu falasse... Caguei!

As cagadas deste mundo,
Que as conheço e bem sei,
O meu desprezo profundo
E mais uma vez... Caguei!

Poema composto numa mesa do Bar Amarelinho, na Cinelândia, RJ,
por Geselyno Leão da Silva.

Um barro em Itapuã

(ao som de Tarde em Itapuã)

O velho calção eu baixo,
Tô com vontade de cagar.
Pego o jornal de anteontem,
Que é pro meu cu se informar.
E sinto a bosta saindo,
Aquele coisa profunda,
A merda bate na água, é bom.
Largar um barro em Itapuã,
Rabo de barro em Itapuã, oi.
Meu cu que arde em Itapuã,
Lá vai cocô em Itapuã.



Nenhum comentário:

Postar um comentário