terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Mensagens de Boas Festas


De um meteorologista:

                    “Espero que o Ano Novo seja caracterizado por tempo bom, temperatura estável, ventos soprando de quadrantes apropriados, fracos ou moderados, mas trazendo sempre bons augúrios.”

De um economista:

                   “Que haja uma inflação de bons sentimentos, demanda não reprimida de carinho por parte de amigos e familiares, liquidez de afetos e alta acentuada em sua cotação pessoal.”

De um filósofo:

                   “Considerando os dilemas da existência, a angústia que caracteriza a condição humana, a incerteza que pesa sobre nosso destino desde que o homem passou a exercer sua suprema faculdade de pensar – será que podemos, sem ultrapassar os limites da lógica cartesiana, desejar a outrem Boas Festas e um feliz Ano Novo? Se o podemos, é o que desejamos.”

De um estatístico:

                   “Desejo que os valores numéricos consignados na coluna denominada Felicidade superem os valores da coluna de Frustrações; mais que isto, que esta diferença seja estatisticamente significativa, e que a alegria do amigo represente uma amostra válida do que ocorre com sua família.”

De um geógrafo:

                   “Desejo ao amigo que, ao percorrer sua trajetória no Ano Novo, evite a Serra do Desânimo, avance pela Península do Arrojo, atravesse o Oceano da Prosperidade e chegue em paz ao Arquipélago do Sucesso.”

De um geômetra:

                   “Seja A o ponto em que o amigo se encontra, no presente estágio de sua existência, e  B um ponto hipotético situado em alguma parte do ano vindouro. Desejo que a linha capaz de unir A e B seja, como se espera, a linha reta, e que o comprimento da referida linha não ultrapasse, em unidades métricas, a quantidade equivalente em energia disponível para qualquer ser humano que chega ao final do Ano velho.”

De um biólogo:

                   “Que o Ano Novo que aí vem, comporte-se como uma célula que traz em seu código genético uma mensagem completa de felicidade e uma capacidade inesgotável  de reprodução.”

De um ficcionista:

                   “Era uma vez um Ano Velho. Sentindo que seus dias estavam chegando ao fim, ele chamou o Ano Novo, e disse: Escuta, por que não vais procurar aquele meu amigo e dá a ele um abraço por mim? O Ano Novo aceitou muito contente a incumbência e lá se foi, cantando: pela estrada afora, eu vou bem sozinho, etc. Aí apareceu o lobo...”



(Moacyr Scliar)




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