quinta-feira, 31 de março de 2016

A viagem de Vasco da Gama




Os navios que constituíam a frota de Vasco da Gama – São Gabriel, São Rafael, Berrio e São Miguel – estavam prontos para a viagem maravilhosa que permitiria encontrar o caminho para a Índia.

A beira do rio, enorme multidão aguardava, naquela luminosa manhã de julho de 1497, a hora da partida. Soou o sinal, e logo os marinheiros, cheios de fé e entusiasmo, levantaram ferro e içaram as velas.

Passado o Equador, os navegantes portugueses tudo observam: “trovoadas temerosas, negros chuveiros, noites tenebrosas”, o Fogo de Santelmo e Tromba marítima. Chegam a Sofala, Moçambique, Mombaça e Melinde. Guiados por hábil piloto mouro, Vasco da Gama e sua gente navegam direto a Calicut (Calcutá). Por erro do piloto, a frota surge diante de Capocate, pequeno porto situado duas léguas ao sul da cidade que procuram. Aparecem muitos e ligeiros barcos da terra, e logo o engano se torna evidente.

Após a viagem de dez meses e duas semanas, Vasco da Gama chega a Calicut, na Índia, e o Samori recebe-o no palácio. O Rei está em uma camilha coberta de pano de seda e ouro; na cabeça traz em uma espécie de mitra de brocado e cheia de pérolas e pedraria. Um velho, ajoelhado, de quando em quando lhe serve o betel, folha de “erva ardente”, que ele masca e lhe torna a saliva cor de sangue, saliva que um grande cuspidor dourado recolhe sem impedimento de pragmática.

Decorridos dois anos de viagem, a armada regressa a Lisboa, com as tripulações reduzidas por doenças várias: de 170 homens que partiram da praia do Restelo, em julho de 1497, apenas 55 voltam para narrar as suas aventuras através de mares e terras desconhecidos.

A ciência e a audácia dos Portugueses realiza o mais grandioso cometimento dos tempos modernos!


(Do Almanaque do Diário de Notícias – 1956)



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