segunda-feira, 3 de agosto de 2015

“Agora Inês é morta!”



“Aconteceu da mísera e mesquinha, que depois de ser morta foi rainha”

(Luís de Camões)


Quem nunca ouviu a expressão “agora Inês é morta”, que se diz quando queremos expressar que já é tarde demais? Muitos são os que a dizem, mas são poucos os que conhecem sua origem. Ela vem da triste história da dona Inês de Castro, que viveu em Castela, Portugal, muitos anos atrás…

Inês, camponesa, estava apaixonada por D. Pedro I, príncipe herdeiro do trono, e ele por ela. O príncipe sabia que o pai nunca aprovaria esse amor, então eles o mantinham em sigilo e ninguém sabia explicar como Inês arranjava tantos filhos, mesmo sem ter se casado.

Um dia, o rei Afonso IV chamou o filho ao seu quarto para uma conversa. Disse-lhe que estava na hora dele se casar, pois em breve assumiria o trono. Pedro disse que já tinha um amor, e que só se casaria se fosse com Inês de Castro, a plebeia. Ao ouvir esse nome, o rei disse que seria melhor um reino sem rei, do que uma rainha camponesa, e ambos saíram do quarto ”batendo pé”.

O rei, percebendo que o amor de seu filho era verdadeiro e difícil de se romper, arquitetou um plano em segredo: forjou um crime para Inês e ela foi levada a julgamento com seus filhos agarrados na barra de sua saia, justamente no dia em que D. Pedro viajava. Inês suplicou, usou do argumento de que até aves de rapina têm piedade com suas presas quando são envolvidas as crias, mas não teve súplica que adiantasse, Inês foi condenada à morte. Ali mesmo, dois carrascos enfiaram uma espada em seu pescoço, na frente de seus filhos. Quando o príncipe retornou de sua viagem, encontrou sua amada morta, e esperou paciente o dia em que se tornaria rei…

 Dois anos depois, Afonso IV morreu, vítima de uma doença. Pedro assumiu o trono e sua primeira ordem foi que mandassem retirar do túmulo a ossada de Inês, limpassem-na, remontassem-na, e a colocassem no trono, alegando que os dois haviam se casado em segredo antes da morte dela. Se é verdade, não se sabe, mas o fato é que Inês foi colocada no trono e considerada a primeira rainha que o foi depois de morta. Todo súdito de Castela foi obrigado a beijar a mão do esqueleto. Após isso, a falecida foi enterrada novamente. Agora poderia finalmente descansar em paz.

A segunda grande ordem que Pedro deu após se tornar rei foi que perseguissem os carrascos de sua amada até que eles fossem mortos. Mas não morreriam de qualquer modo. Um deles teria seu coração arrancado pelo peito, e o outro, pelas costas. E assim foi feito. Um deles o rei quis ter a “honra” de matar pessoalmente. Olhou no fundo dos seus olhos e ergueu a espada na mesma hora em que o condenado começava a suplicar: “Não me mate, eu só estava cumprindo ordens! Me perdoe!” D. Pedro apenas disse: “Agora é tarde, Inês é morta”.

E essa é a história da expressão “Agora Inês é morta”. Ela tem muitas versões, inclusive uma delas foi escrita por Camões em seu famoso livro “Os Lusíadas” e você pode lê-la. Procure por “Canto III” e vá para a linha 118.

Resumindo:

Forma de se expressar para a pessoa que virá com uma provável solução quando já se está liquidado a questão. Tarde demais. A Inês é morta!



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