segunda-feira, 8 de maio de 2017

A música dos paradoxos


Tô, um dos dois Sambas de Tom Zé e Elton Medeiros

A música cheia de paradoxos* mais incríveis.



Tom Zé e Elton Medeiros

Tô bem de baixo pra poder subir,
Tô bem de cima pra poder cair,
Tô dividindo pra poder faltar,
Desperdiçando pra poder sobrar.
Devagarinho pra poder caber,
Bem de leve pra não perdoar,
Tô estudando pra saber ignorar,
Eu tô aqui comendo para vomitar.

Eu tô te explicando pra te confundir,
Eu tô te confundindo pra te esclarecer,
Tô iluminado pra poder cegar,
Tô ficando cego pra poder guiar. (bis)

Suavemente pra poder rasgar,
Olho fechado pra te ver melhor,
Com alegria pra poder chorar,
Desesperado pra ter paciência,
Carinhoso pra poder ferir,
Lentamente pra não atrasar,
Atrás da vida pra poder morrer,
Eu tô me despedindo pra poder voltar.


“Eu tô te explicando/ Pra te confundir/ Eu tô te confundindo/ Pra te esclarecer/ Tô iluminado/ Pra poder cegar/ Tô ficando cego/ Pra poder guiar”, cantarola Tom Zé (1936) em “Tô”, quarta faixa do álbum Estudando o samba, de 1976. Indiretamente, o refrão do cantor baiano poderia se referir ao impacto da produção musical dos artistas escolhidos pelo historiador Herom Vargas, professor titular do programa de mestrado em comunicação da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) e da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), como foco da pesquisa Experimentalismo e inovação na música popular brasileira nos anos 1970. Além de Tom Zé, Novos Baianos, Walter Franco e Secos & Molhados compõem entre si um apanhado díspar, mas que conta uma história da criatividade e da experimentação da música brasileira num período em que a indústria fonográfica no Brasil passava por um momento de expansão e centralização.

Pesquisa: Coordenador Herom Vargas,
Universidade Metodista de São Paulo.

*O paradoxo é identificado quando uma frase não corresponde à lógica ou ao senso comum. Nele, dois sentidos se fundem numa mesma ideia, criando um efeito de contradição.



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