sábado, 22 de julho de 2017

Duas Histórias da Vida Real

Lógica impecável


Wendel Phillips

Wendel Phillips, famosos líder abolicionista americano, viajou certa vez de trem por Ohio e encontrou-se no carro com um grupo de ministros da Igreja Protestante em regresso de uma convenção. Um ministro do Sul, obviamente hostil a Phillips por causa das ideias abolicionistas deste, começou a conversa:

- O senhor é Wendel Phillips, não é?

- Sou, sim, senhor.

- O senhor é o homem que pretende libertar os negros?

- Sim senhor.

- Então, por que prega por aqui em vez de ir para Kentucky, onde estão os negros?

Phillips silenciou por um momento. Depois disse:

- O senhor é ministro, não é?

- Sim, sim, senhor.

- E o senhor pretende salvar as almas do fogo do inferno, não é?

- Pretendo, sim, senhor.

- Então – prosseguiu Phillips com sua lógica impecável – Por que o senhor não vai para o inferno?


Viver de Letras
  

  Alexandre Dumas

Alexandre Dumas, nome ignorado até então, chegou a Paris e apresentou-se ao general Fay a quem fora recomendado. O velho militar indagou:

- Que sabe o meu amigo? Estudou Matemática?

- Não, general.

- Mas tem, talvez, algumas noções de Geometria, de Física?

- Desconheço inteiramente tais matérias.

- E alguns rudimentos de Direito?

- Também não, general.

- E Latim ou Grego?

- Muito menos.

- Tem, acaso, prática de escritório comercial?

- Nenhuma.

  Disse-lhe, então o general, compadecido já de tanta ignorância:

- Dê-me o seu endereço. Pensarei, oportunamente, num meio de ajudá-lo. Por enquanto não vejo nenhuma possibilidade a seu favor, tamanho é o desconhecimento que revela sobre todos os assuntos essenciais ao desempenho de uma profissão qualificada.

 Num recorte de papel estendido pelo general, Alexandre Dumas escreveu o seu endereço:

- Estamos salvos! – exclamou o general. Tem, pelo menos, uma linda letra. Vamos aproveitá-lo como copista de textos na Biblioteca Nacional.

Após iniciar o trabalho, Dumas foi agradecer ao general o emprego que lhe destinara. E disse-lhe:

- Vou viver da minha “letra”, general; mas asseguro-lhe que, um dia, hei de viver das letras...




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