terça-feira, 30 de setembro de 2014

A Segunda Guerra Mundial e a música popular


Batendo em Hitler

A guerra constitui-se em grande tema para os compositores da primeira metade de década de 40. Ubirajara Nesdan e Afonso Teixeira ironizavam a figura de Adolf Hitler, principal liderança do nazismo:


Hitler por David Levine

Quem é o tal?

(Ubirajara Nesdan – Affonso Teixeira)
1942

Quem é que usa cabelinho na testa
e um bigodinho que parece mosca?
Só cumprimenta levantando o braço.
Ê, ê, ê, palhaço!

Quem tem o “G” que representa a glória?
Quem tem o “V” que ficará na história?
Com seu sorriso que nos dá prazer.
Ê, ê, ê, vitória!

*"G" Getúlio *"V" Vargas

Marchinha de carnaval brasileira de 1943 (contexto da Segunda Guerra Mundial, último anos da Era Vargas) ridiculariza a marcha das tropas hitleristas. Autor: Haroldo Lobo e Roberto Roberti, Intérprete: Aracy de Almeida. Gênero: Marcha, Gravadora: Odeon.

Que passo é esse, Adolfo?

Que passo é esse, Adolfo?
Que dói a sola do pé?
É o passo do gato, não é?
É o passo do rato, não é?
É o passo do ganso.
Qué, qué, qué...

Esse passo muita gente já dançou, ô, ô, ô
Mas a dança não pegou, ô, ô, ô
Ô Adolfo, a cigana te enganou, ô, ô, ô
Sai pra outra que a turma não gostou.

As referências a touros, toureiros e bandarilhas lembram o papel desempenhado pelas tropas e pela aviação de Hitler na luta contra a República durante a Guerra Civil Espanhola. Mas, agora, ele teria se metido com um inimigo bem mais indigesto: o touro de uma certa ilha (John Bull, um dos símbolos do Império Britânico). A marchinha aposta que ele será soprado pelas gaitas de foles (outro símbolo britânico) para bem longe.

Adolfito mata-mouros

(João de Barro e Alberto Ribeiro)
1943

.A los toros,
A los toros,
A los toros, Adolfito mata-mouros
(bis)

Adolfito bigodinho era um toureiro
Que dizia que vencia o mundo inteiro
E num touro que morava em certa ilha*
Quis espetar sua bandarilha.

Mas o touro não gostou da patuscada
Pregou-lhe uma chifrada.
Tadinho do rapaz!
E agora o Adolfito, caracoles,
Soprado pelos foles,
Perdeu o seu cartaz.

* Inglaterra
Abaixa o braço

(Elpídio Viana e Nelson Trigueiro)
1944

Abaixa o braço,
Deixa de cena,
Lugar de palhaçada é no cinema.
Seu Adolfito, pra que tanta valentia
Se nós queremos a democracia?
Dona Cecília já se convenceu
Que os aliados estão no apogeu.
Vocês do Eixo muito breve saberão
Que as Américas unidas vencerão.
Que bão! (breque)

A RAF em Berlim

(Benedito Lacerda e Darci de Oliveira)
1943

Ouvi um chefe nazista
Cantando numa emissora de Berlim
Uma marchinha muito engraçadinha
E a letra era mais ou menos assim:
RAF, RAF, RAF
Vê se tem compaixão de mim,
RAF, RAF, RAF,
Por que motivos destruístes o meu Berlim?
Estás estragando o meu cartaz.
Se assim continuares,
Este ano eu peço paz.

Calma no Brasil

(Nássara e Frazão)
1940

Nós vivemos no melhor pedaço da Terra,
calma no Brasil que a Europa está em guerra...
Nós vivemos no melhor pedaço da Terra,
calma no Brasil que a Europa está em guerra...

Neste Brasil é bem pacata a mocidade,
não anda armada nem sequer de canivete,
enquanto os outros tem batalhas de verdade,
nossas batalhas são batalhas de confete...

E não nos digam que nós somos teóricos,
pelo contrário somos muito práticos.
Nós combatemos com os carros alegóricos:
Fenianos, Tenentes, Democráticos.

Espera, Maria

(Custódio Mesquita e René Bittencourt)
1942

Se eu for para a guerra, Maria,
Amor, não fique triste não!
Eu volto, Maria, eu volto,
Eu volto pra pedir a sua mão.
Maria, deixa a porta aberta,
Espera que a vitória é certa.

Mais tarde vai ser pra nós dois,
Virão garotinhos depois
Se um dia, Maria, a pátria precisar,
Nós temos soldados pra dar.


Hitler por Vicarra





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