domingo, 21 de setembro de 2014

Histórias do Ciro Monteiro



Ciro Monteiro por Baptistão


O cantor nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro, em 28 de maio de 1913 e faleceu em 13 de julho de 1973.

Era reconhecido como boa praça e extremamente espirituoso. O Formigão, apelido dado pelo compositor e parceiro Eratóstenes Frazão, gozava da admiração de gente como Vinicius de Moraes, Chico Buarque e Paulinho da Viola, que se divertiam das tiradas espirituosas do cantor. Vinicius de Moraes chegou a declarar: “Ciro é um abraço em toda a humanidade”.

O caricaturista e dirigente da Rede Globo, Mauro Borja Lopes, o Borjalo, foi testemunha de uma destas hilárias histórias de Formigão, registrada no livro “À mesa do Vilariño” do jornalista e compositor Fernando Lobo.

Lobo conta que Cyro Monteiro detestava viajar de avião, mas devido aos compromissos profissionais em São Paulo, onde apresentava o programa “Noite de Gala”, tinha que se resignar e enfrentar o pânico de avião, afinal, o salário era compensador.

Em um desses voos, antes da decolagem, Ciro rezou em voz baixa, mas suficiente para os mais próximos ouvirem:

- Meu São Andreatto, protegei o comandante, pai de filhos lindos e marido de uma moça jovem. Protegei toda a tripulação.

A decolagem foi feita sem problema, mas ao ver a aeromoça rindo piedosamente na sua direção, rezou novamente:

“São Andreatto, protegei-nos a todos. Fazei com que cheguemos são e salvos no Rio”.

- Mas quem é São Andreatto?, perguntou o cidadão sentado ao lado.

- São Andreatto? São Andreatto nasceu em Lisboa em 1402. Não é muito divulgado e, portanto, me agarro a ele, pois sendo tão desocupado tem bastante tempo para me atender. Eu sei que São Andreatto está doido para se promover fazendo um milagre. A chance é essa.

Fechou os olhos e dormiu, sem reconhecer Borjalo que estava ao seu lado.

Ciro não deixou de brincar até mesmo a poucos instantes da morte. O pesquisador Jairo Severiano conta em seu livro “Uma história da Música Popular Brasileira – Das origens à modernidade”, que o cantor, pouco antes de morrer, declarou à apresentadora de televisão Edna Savaget:

- Leve um recado para os amigos Vinicius de Moraes, Fernando Lobo e Reinaldo Dias Leme: diga para não chorar, porque tenho encontro marcado com Pixinguinha, Stanislaw Ponte Preta e Benedito Lacerda. Não bebo há dois anos e agora vou tomar o maior pileque da minha vida.

Outra graça ocorrida, também pouco antes da sua morte, está registrada no livro “Almanaque do Samba – A história do samba, o que ouvir, o que ler, onde curtir”, do pesquisador André Diniz:

Os médicos fizeram um teste de lucidez no cantor, que já estava em estado grave. Perguntaram-lhe seu nome e Ciro, com um riso maroto, respondeu: Roberto Carlos. Foi sua última piada.


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