sábado, 12 de setembro de 2015

A passagem estreita

Dom Dadeus Grings*




São Paulo, há dois mil anos, garantia que se fosse só para este mundo que tivéssemos colocado nossa esperança em Jesus Cristo, seríamos de todos os homens os mais dignos de lástima. A morte constitui o último baluarte da vida. Cristo garante uma morada eterna no céu.

Para entrar nesta morada é preciso desvencilhar-se de muitos apegos. Jesus garantiu ser mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha que um rico entrar no Reino dos céus. Na sua época as cidades tinham portões bem guarnecidos. Fechavam à noite e em tempos de guerra. Ficava então disponível para os cidadãos apenas uma pequena porta, chamada de “buraco da agulha”. Não conseguindo passar pelo portão, era necessário passar por este “buraco”, o que requeria certos cuidados.

Como o “buraco” era pequeno, tornava-se difícil passar com um camelo, que era o veículo daquela época. Em primeiro lugar tinha que se apear. Além disso descarregar tudo o que se tinha em cima. Depois era preciso baixar o camelo: sua cabeça e dobrar os joelhos. Era necessário que alguém o puxasse e outro o empurrasse, para assim atravessar o orifício das muralhas da cidade. Este trabalho levava bastante tempo e exigia muito esforço. É o símbolo que Cristo encontrou para ensinar como entrar no Reino de Deus: apear do orgulho, descarregar os fardos da vida e contar com a ajuda dos outros: de Maria, dos santos e amigos que, com sua oração, possibilitarão atravessar esta porta apertada para ingressar no céu.



*Ex-arcebispo da Catedral Metropolitana de Porto Alegre.


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