sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Sobre o Canto Alegretense


Em homenagem a Antonio Augusto Fagundes, falecido em 24 de junho de 2015, elaborei coluna especial com uma pesquisa sobre a letra do “Canto Alegretense”.

Professor Ari Riboldi


Antônio Augusto Fagundes

O objetivo é decodificar termos e expressões típicas da linguagem regionalista e da campanha gaúcha que constam dessa música que se tornou o segundo hino do Rio Grande do Sul.

Convido os leitores a fazerem uma leitura inicial do poema e, após acompanhar a pesquisa, relerem o texto para se apropriarem de seu conteúdo com maior profundidade.

Canto Alegretense

Letra de Antonio Augusto Fagundes e melodia de Bagre Fagundes


Não me perguntes onde fica o alegrete,
Segue o rumo do teu próprio coração.
Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e de violão.

Pra quem chega de Rosário ao fim da tarde,
Ou quem vem de Uruguaiana de manhã,
Tem o sol como uma brasa que ainda arde,
Mergulhado no rio Ibirapuitã.

Ouve o canto gauchesco e brasileiro,
Desta terra que eu amei desde guri.
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro,
Pedra moura das quebradas do Inhanduí. (bis)

E na hora derradeira que eu mereça
Ver o sol alegretense entardecer,
Como os potros vou virar minha cabeça,
Para os pagos no momento de morrer.

E nos olhos vou levar o encantamento,
Desta terra que eu amei com devoção,
Cada verso que eu componho é um pagamento
De uma dívida de amor e gratidão.

Ouve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri.
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro,
Pedra moura das quebradas do Inhanduí. (bis)


Alegrete - Cidade que está localizada nas terras que foram doadas por Antônio José Vargas, um senhor de sesmaria. O nome Alegrete vem do V Marquês de Alegrete, Dom Luís Teles da Silva Caminha e Meneses, nomeado comandante militar, em 1816, e, dessa forma, representante oficial do Rei Dom João VI. É o maior município do Rio Grande do Sul em área territorial, com mais de 7.800 metros quadrados, na região Oeste do Estado, a 506 quilômetros de distância de Porto Alegre.

Camoatim - De origem obscura, possivelmente do tupi. Também se usa camoati. Pequena vespa muito agressiva, com 11 milímetros e comprimento, preta, com dois traços amarelados transversais. Faz um ninho (colmeia) esférico e recoberto de processos espinhosos, geralmente nos beirais das casas das áreas rurais, também em árvores e pedras. Fabrica um mel muito apreciado, porém em pequena quantidade.

Ginete - Do árabe zenêti, indivíduo dos zênetas, tribo afamada por sua cavalaria ligeira. Cavaleiro bom, ágil, firme nas rédeas; indivíduo que monta cavalo de corrida; jóquei. Montar à gineta, ou seja, à moda gineta é um modo de equitação em que o cavaleiro monta com os estribos curtos, o que lhe permite deslocar o corpo com facilidade e agir sobre o equino para que acelere a marcha. É o método usado nas corridas de cavalos.

Guri - Do tupi gwi'ri, bagre novo. Na linguagem regional, criança, piá, menino.

Ibirapuitã - Provavelmente do tupi, arroio da madeira vermelha. Rio que nasce em Santana do Livramento e passa por Alegrete até desembocar no rio Ibicuí e este deságua no Rio Uruguai.

Inhanduí - Nome do rio às margens do qual foram erguidas as primeiras casas da povoação de Alegrete. Provavelmente de origem tupi, com o significado de "rio das emas".

Pago - Substantivo, do latim pagus, pau, marca, baliza metida na terra para fazer a demarcação; território rural limitado por marcos; aldeia, povoação. Pequena povoação, aldeia. Na linguagem regional gauchesca, município de origem, cidade de nascimento, querência, rincão, povoado, lar. Geralmente é empregado no plural. É um dos termos mais usados pelo gaúcho: ‘os pagos onde eu nasci’.

Pedra moura - pedra preta. Do latim maurus, a um, relativo à Mauritânia; antigo habitante árabe do Norte da África, cuja tez era escura. Como adjetivo, designa a cor negra salpicada de branco da pelagem de animal. Assemelha-se à cor do granito e da ardósia. A pedra moura é comum na região da campanha, na beira dos rios ou em áreas em que foram abertas estradas.

Potro - Do latim medieval pullitus, depois pullus, filhote ou cria de animal, poldro. Cavalo novo; cavalo chucro - que ainda não domado.

Quebrada - Do verbo latino crepare, estalar, rebentar, fender-se, rachar-se. Depressão em terreno; declive de montanha, encosta, brecha, cavado, depressão funda e pouca longa numa crista de rochas.

Quebradas do Inhanduí - Subdistrito de Alegrete, às margens do rio Inhanduí, localidade onde morava a família Fagundes.

Tuna - Do espanhol tuna, figo da figueira-da-índia. Cacto comum na região da campanha com flores avermelhadas, de aroma suave, cujo fruto - espécie de figo - é considerado emoliente e calmante para a tosse.



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