terça-feira, 10 de julho de 2018

Zeferino Brasil

(1870-1942)



Poeta jovem

Nasceu em Taquari, Rio Grande do Sul. Foi poeta parnasiano e simbolista. Foi membro fundador da Academia Rio-Grandense de Letras. “Foi o maior poeta parnasiano do sul do país”, segundo Manuelito de Ornelas, embora sua arte tenha tido muito de simbolista. Recebeu a láurea de “príncipe dos poetas do Rio Grande do Sul”.

Obras publicadas: Alegros e Surdinas, 1890; Traços Cor de Rosa, 1892; Comédia da Vida, 1896; O Sul na Ponta, 1897; Juca, o Letrado, 1900; Na Vida e na Morte, 1901; Ester, 1902; Vovó Musa, 1903; Amores de Velho, 1903; O Outro, 1904; Visão do Ópio, 1906; Na Torre de Marfim, 1910; O Beijo, 1922; Meio, 1922; Teias de Luar, 1924 ; Boêmia da Pena, 1932; Alma Gaúcha, 1935; Hino ao Padre João Cacique de Barros; O Carneiro.


Poeta na velhice

Sonetos de Zeferino Brasil

Zelos

De leve, beijo as suas mãos pequenas,
Alvas, de neve, e, logo, um doce, um breve,
Fino rubor lhe tinge a face, apenas
De leve beijo as suas mãos de neve.

Ela vive entre lírios e açucenas,
E o vento a beija, e, corno o vento, deve
Ser o meu beijo em suas mãos serenas,
- Tão leve o beijo, como o vento é leve.. .

Que essa divina flor, que é tão suave,
Ama o que é leve, como um leve adejo
De vento ou como um garganteio de ave,

E já me basta, para meu tormento,
Saber que o vento a beija, e que o meu beijo
Nunca será tão leve como o vento...

Formosura Ideal

Esta visão que em sonhos me aparece,
e que, mesmo sonhando, me resiste,
por que foge, por que desaparece,
mal eu desperto, apaixonado e triste?

Por que, branca e formosa resplandece
como uma estrela, e a torturar-me insiste,
se é certo, - oh! dor cruel que me enlouquece!...
que ela somente no meu sonho existe?

Cheia de luz e de pureza e graça,
- alma de flor e coração de estrela -
ela, sorrindo, nos meus sonhos passa...

E sempre a mesma angústia dolorida:
branca e formosa dentro d´alma tê-la,
sem poder dar-lhe forma e dar-lhe vida!

Na Alcova

Formosa e diáfana visão de lenda,
Elsa, subindo o leito de escarlata,
o cortinado cerra, e a rir, desvenda
a alva nudez escultural e exata.

Antes que o fino laço se desprenda,
a loura coma em ondas se desata,
e a moça esconde em flóculos de renda
o régio corpo modelado em prata.

Doce perfume o colo lhe embalsama...
Abrindo as asas de rubi e lhama,
olha-a, entre flores, um cupido louro...

Cerra, afinal, as pálpebras de neve,
e o sonho desce, e estende, leve, leve,
sobre o leito o estrelado manto de ouro...

De Leve Beijo As Suas Mãos Pequenas

De leve, beijo as suas mãos pequenas,
Alvas, de neve, e, logo, um doce, um breve,
Fino rubor lhe tinge a face, apenas
De leve beijo as suas mãos de neve.

Ela vive entre lírios e açucenas,
E o vento a beija, e, corno o vento, deve
Ser o meu beijo em suas mãos serenas,
- Tão leve o beijo, como o vento é leve...

Que essa divina flor, que é tão suave,
Ama o que é leve, como um leve adejo
De vento ou como um garganteio de ave,

E já me basta, para meu tormento,
Saber que o vento a beija, e que o meu beijo
Nunca será tão leve como o vento...


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