quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Dez curiosidades sobre os hinos do futebol carioca



O professor e músico Bruno Castro uniu as duas paixões brasileiras, música e futebol, em livro que revela fatos curiosos sobre os hinos dos clubes cariocas


Você pode até entender tudo sobre futebol, ser capaz de descrever os melhores lances e ter na cabeça de cor e salteado a escalação dos times cariocas, mas o difícil é saber mais do que o professor e músico Bruno Castro sobre os hinos de cada um deles - tanto os oficiais quanto os populares. Aliás, você sabia que os não-oficiais do América, Flamengo, Fluminense e Vasco foram todos compostos na década de 40 pelo compositor popular brasileiro Lamartine Babo (que torcia pelo primeiro) em ritmo de marchinha? Castro conta essas e outras curiosidades no livro-CD Os Hinos do Futebol Carioca – de Coelho Neto a Lamartine Babo.


01 - Com exceção do Flamengo, que tem um hino oficial e um popular, Vasco, Fluminense, América e Botafogo possuem dois hinos oficiais e um popular.

02 - Todos os hinos não-oficiais - entoados pelos torcedores até hoje - foram escritos na década de 40 por Lamartine Babo em ritmo de marchinha carnavalesca. Americano fanático, o compositor protagonizou cenas memoráveis como a vez em que desfilou em carro aberto pelas ruas do centro do Rio, fantasiado de diabo, para comemorar o último campeonato do América em 1960.

03 - Ao contrário do que muitos pensam e é dito, os hinos populares de Babo não foram escritos todos de uma vez só, em um único dia. O primeiro foi o do Flamengo em 1945, depois o do América em 1947 e, em 1949, foram feitos os do Vasco, Fluminense e Botafogo.

04 - O Fluminense é o único time que não teve o hino extra-oficial composto exclusivamente por Babo. O compositor teve como parceiro o maestro Lírio Panicalli, encarregado da melodia para a letra que diz “sou tricolor de coração”.

05 - Já os hinos oficias dos clubes, extremamente rebuscados, são da década de 1910. De difícil execução, refletem um período em que o futebol ainda era bastante elitizado.

06 - O primeiro hino oficial do Vasco foi composto em 1918 por Joaquim Barros Ferreira da Silva e sua gravação original tem uma interpretação com sotaque luso bastante carregado.

07 - O Botafogo de Futebol e Regatas é o único clube que tem no estatuto a presença completa de seu hinário: primeiro hino oficial (Hino do Remo do Club de Regatas Botafogo), segundo hino oficial (Glorioso Hymno do Botafogo Football Club) e o hino popular de Lamartine Babo escrito em 1949, período da fusão das duas agremiações alvinegras.

08 - Uma grande mágoa de Babo foi ter sido acusado de plagiar o hino do América, que teria sido criado, supostamente, em cima da canção norte-americana Row, Row, Row (1912), de Willian Jerome e James Monaco.

09 - O hino popular do Botafogo, chamado 1907, teve o título oficialmente reconhecido em 1989 pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro depois de conturbadas brigas judiciais.

10 - Ouça a seguir os primeiros hinos oficiais de cada time, tocados por Bruno Castro e um time de músicos. Uma provinha do CD que acompanha o livro. A obra reúne os 14 hinos oficiais e populares do América, Flamengo, Fluminense e Vasco, sendo que cindo deles permaneciam inéditos até então.


Músico resgata hinos de Lamartine Babo 
feitos para “nanicos” do Rio

Sérgio Rangel, da Folha de S.Paulo, no Rio.


Autor dos mais famosos hinos do futebol brasileiro, Lamartine Babo compôs também uma série de “marchas” esquecidas de times pequenos do Rio.

São Cristóvão, Bonsucesso, Madureira, Olaria, Bangu e até o desaparecido Canto do Rio, de Niterói, ganharam hinos de um dos mais notáveis nomes do carnaval brasileiro.

As músicas originais praticamente perdidas pelo tempo foram resgatadas pelo músico e pesquisador Alfredo Del-Penho.

As raras gravações podem ser ouvidas no site da Folha Online.

Os hinos dos clubes "nanicos" são preciosidades e crônicas do Rio antigo.

O do Bangu, por exemplo, tem a grandiosidade dos hinos dos clubes grandes – “a torcida reunida/até parece a do Fla-Flu” – e lembra algo que não acontece mais na cidade, como o comércio fechado por causa da vitória do clube.

Atualmente, o time, que já teve como patrono o bicheiro Castor de Andrade, disputa a segunda divisão do Estadual do Rio e não conquista o título há mais de 40 anos. A última vez que o Bangu levantou o troféu do campeonato foi em 1966.

A pretensa grandiosidade dos clubes também é destaque nos hinos do Olaria – “Teu esforço e tua glória/estão crescendo dia-a-dia” – e do Bonsucesso, que tem Leônidas da Silva, um dos poucos jogadores revelados pelo clube, citado na letra. Os dois times nunca conquistaram o Estadual e amargam a periferia do futebol do Rio.

Os hinos que nasceram como marchas foram escritos e apresentados por Babo no programa de rádio “Trem da Alegria”, na Rádio Mayrink Veiga, no Rio, nos anos 40.

“Existem algumas versões sobre a composição destas músicas. Anos antes, ele tinha feito o hino do Flamengo, que faz sucesso até hoje. Por isto, uns dizem que ele foi desafiado pelos seus companheiros de programa a compor as marchas restantes. Outros dizem que ele fez essas músicas incentivado por um patrocinador. Ninguém sabe ao certo como começou esta história”, disse o músico e produtor Luís Filipe de Lima.

O hino do Canto do Rio é o que mais chama a atenção. Nele, Babo deixa o futebol praticamente de lado para enaltecer uma “morena do Canto do Rio”. Segundo pesquisadores, a homenageada era sua namorada na época.

 “As marchas destes times não têm o mesmo nível dos hinos eternizados pelos grandes clubes, mas mostra toda a genialidade do Lamartine de fazer boas letras de temas difíceis”, disse o cantor Pedro Paulo Malta.


Lamartine Babo por Baptistão

Hinos desconhecidos

Hino do Bangu

O Bangu tem também
A sua história, sua glória,
Enchendo seus fãs de alegria.
De lá pra cá,
Surgiu o Domingos da Guia.
Em Bangu se o clube vence
Há, na certa, um feriado,
Comércio fechado,
A torcida reunida
Até parece a do Fla-Flu.
Bangu! Bangu! Bangu!

Em Bangu se o clube vence,
Há, na certa, um feriado.
Comércio fechdo,
A torcida reunida
Até parece a do Fla-Flu.
Bangu! Bangu! Bangu!

O Bangu tem também,
Como divisa na camisa,
O vermelho sangue a brilhar
E faz cartaz,
Estouram foguetes no ar.

Hino do Canto do Rio

Aquela morena
Do Canto do Rio,
Que torce e faz cena
E causa arrepio.
Queimada da praia,
Na hora do jogo,
Ela desmaia e pega fogo. (oi!)

Aquela morena,
Do Canto do Rio,
Que torce e se agita,
Garota bonita.
Basta o clube empatar,
Ela chora que dói,
Foge de Niterói.

No estádio formoso
De Caio Martins,
Há dias de gozo,
Foguetes, clarins.
De noite e de dia
A turma sorri,
Enche de alegria
Icaraí. (oi!)

Hino do Bonsucesso

Para a torcida rubro-anil
Palmas eu peço (clap! clap!)
Na Leopoldina em cada esquina
Quem domina é o Bonsucesso.
Lá surgiu um jogador sensacional
Surgiu Leônidas, o maioral!

Quando a turma joga em casa
A
linha arrasa.
Que baile! Que troça!
A torcida grita em coro:
Não há choro! A vitória hoje é nossa!

Hino do Madureira

Nosso ideal é lutar.
Lutar por ti, Madureira.
Queremos ver tua bandeira
A tremular... pelo ar.
E assim queridos, unidos,
Seremos dez, vinte mil.
Em cada glória que temos
Daremos pujança ao esporte do Brasil.

És, Madureira,
Nosso castelo,
A nossa catedral... ideal,
O sol de muitos anos
Dos tricolores suburbanos.

Hino do Olaria

Olaria,
Teu esforço e tua glória
Estão crescendo dia-a-dia.
Olaria,
Tua pujança, tua vida
Envaidecem tua torcida.
Olaria,
Tua camisa azul e branca
Tem um quê de simpatia,
Realizando sonhos mil.
Tu serás um pioneiro
Dos esportes do Brasil.

Clube da faixa azul celeste
Tu vieste da zona norte.
Clube da faixa azul celeste
És o esporte pelo esporte.

             Hino do São Cristóvão

São Cristóvão, São Cristóvão, 
Teu passado é tão belo.
Quantas vitórias em Figueira de Melo.
Quando vences outro clube,
Oh, São Cristóvão, pertences
Aos corações são-cristovenses.

Estimulam a tua fibra extraordinária
Os grandes feitos do saudoso Cantuária. 
Avante, São Cristóvão,
Por teu bem, por nosso bem,
Pela grandeza dos esportes
Que esta terra tem.

És de um bairro cuja história
Tem valor profundo. 
Bairro ditoso de D. Pedro II.
Quando vais à zona sul,
Jogar com um clube bem forte,
Tens a torcida da zona norte.

São Cristóvão, São Cristóvão, 
Teu passado é tão cheio,
Aos teus rivais inspiras sempre receio.
Avante, São Cristóvão,
Por teu bem, por nosso bem,
Pela grandeza dos esportes
Que esta terra tem.


Hino do América

(Clube do coração de Lamartine Babo)

Hei de torcer, torcer, torcer...
Hei de torcer até morrer, morrer, morrer...
Pois a torcida americana é toda assim
A começar por mim,
A cor do pavilhão é a cor do nosso coração.
Em nossos dias de emoção,
Toda torcida cantará esta canção:
Tra-la-la-la...
Tra-la-la-la...
Tra-la-la-la...

Campeões de 13, 16 e 22,
Tra-la-la... 
Temos muitas glórias
E surgirão outras depois,
Tra-la-la...

Campeões com a pelota nos pés,
Fabricamos aos montes, aos dez.
Nós ainda queremos muito mais,
América, unido vencerás!




Lamartine Babo por Nássara



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