terça-feira, 8 de novembro de 2016

Ele e Ela


A obra prima de Bernard Shaw

  
  

Bernard Shaw, certa vez, convocou os jornalistas para lhes dar conhecimento de sua última obra teatral.

À hora marcada, compareceram os rapazes da imprensa à residência do célebre comediógrafo.

- Quero mostrar-lhes a minha última produção teatral. Trata-se de um trabalho que considero ser minha obra prima.

E, abrindo uma pasta, tirou de dentro uma folha datilografada que passou a ler:

I ATO

(Ela e ele, ternamente abraçados.)

Ela:
- Adoro-te, meu único e grande amor! Serei tua, só tua, até a morte!

(Cai o pano lentamente)

II ATO

(Passam-se três anos. Sobe o pano. Ela e ele abraçam-se com ternura.)

Ela:
- Adoro-te, meu grande e único amor! Serei tua até o último alento da minha vida!

(Cai o pano devagar)

III ATO

(Passam-se cinco anos.
Os mesmos móveis, os mesmos quadros,
com algumas modificações no ambiente. Mas não muitas.
Ela e ele apaixonadamente abraçados no mesmo sofá.)

Ela:
- Adoro-te, meu único e inigualável amor! Sou toda tua, agora e sempre!

- Que tal acharam esta peça? – perguntou Shaw aos críticos ali reunidos, enquanto metia o papel novamente na pasta.

Um deles mais corajoso observou:

- Se é só isso, considero uma peça muito monótona. Só aparecer duas personagens e, demais, a que fala repete mais ou menos as mesmas frases.

- De fato, na peça só entram Ela e Ele. Ela é a mesma mulher. Com a mesma sinceridade, dizendo as mesmas frases. Mas Ele, que está calado, em cada ato é um homem diferente! E isto quebra a monotonia...


(Do Almanhaque do Barão de Itararé)




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