segunda-feira, 3 de abril de 2017

O peixe e a peixinha




O peixe disse para a peixinha:

– Peixe-me, eu estou apeixonado por você...

– Jamais! Você jamais será meu marisco! Eu sei que você tem ostra! E, depois, o que é que o polvo vai falar?

– Não se faça de engrasardinha! Todo o mar sabe que você traíra o seu outro namorado!

– Ah é? Pois fique sabendo que eu já fui a Garoupa de Ipanema!

– Traíra uma coisa em que eu não havia pensado. Só que corre pela arraia miúda que você tá meio baiacu. Sereia melhor que você se cuidasse!

– Com essa, eu levei um bagre! Nunca poderia pensar que você diria isso!

– Bem, eu anchova melhor a gente depor as armas... Espadas baixas... OK?

– OK. Eu também fui meio cavalinha. Sabe, a mamãe está fazendo o meu anchoval. Já começou a minha concha de retalhos.

– E você não a ajuda?

– Não dá. Elagosta de fazer tudo sozinha. Mas eu já vi como vai ficar. Tem duas partes. A de lá é verde, e a de cá marão.

– Mas deve haver alga que você possa fazer.

– Ela não sabe, mas eu já bordei atum-alha de mesa.

– Ah bom! Então posso crer que tatuíndo de acordo com os nossos planos?

– Nem tanto ao mar, nem tanto à terra!

– Lembre-se: quem siri por último, siri melhor!

– Acho melhor rever tudo para que não haja enganos. Na última hora é um tal de mexilhão na papelada, você sabe como é...

– Você vai querer que na Igreja se faça algum salmão?

– Não será preciso. Você sabia que o salão foi todo pintado?

– De que cor?

– De dourado!

– E as corvinas? Estão com os babados que eu pedi?

– Está tudo como você pediu. Tudo certo então?

– Tudo bem. Vamos passear um pouco. Vamos no seu caracol, você enguia...


(Autor Desconhecido)





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