segunda-feira, 28 de abril de 2014

Dois sonetos militares



Infantaria

Não sabes quem sou? Fita-me de frente!
Olha meus trapos rotos por metralhas,
Mira meu corpo cansado e doente...
Sente em meu rosto o canto da batalhas!

Fantasma? Não... Apenas combatente...
Transpus montanhas, desprezei muralhas...
Não vês o maior prêmio de um valente?
São as feridas à guisa de medalhas...

Escuta... O rouco gargalhar da Morte...
Que gargalhe!Também meu riso é forte...
Missão cumprida!... Pátria triunfante!...

À baioneta escrevi a minha história;
Fiz com sangue escada para a glória...
Tombo feliz!... Eu soube ser infante...



Últimas palavras


De onde vens tu, meu filho, assim tão alquebrado,
Tão cheio de cansaço e sangue pelo rosto?
Por que trazes no olhar tristeza e desgosto,
Coisa que se não viu jamais em um soldado?

O que é feito das rosas do teu meigo rosto?
Eram pétalas lindas de um jardim bordado...
Que é feito do luzir do teu olhar cerrado,            
Que tinha a luz de sol em tarde de sol posto?

Lutei sob o calor tremendo e cruciante;
Lutei, como combate o audacioso infante,
Debaixo da granada, ao som da Artilharia.

Bem sabes, minha mãe, não sou um cavaleiro;
Não tive uma couraça, a guarda do artilheiro,
Lutei de peito aberto... Eu sou de Infantaria.


                                           

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