sábado, 26 de abril de 2014

Fábulas fúteis

J.P. Handelsman

Tradução de Ivan Lessa


O litígio canino


Dois cachorros não conseguiram chegar a um acordo quanto ao uso de uma manjedoura. Contrataram, portanto, dois advogados para representar as duas partes em litígio. Os advogados entraram em conferência.
- Os direitos de ex posto facto devem ser respeitados – disse o primeiro -, como no caso da Raposa contra o Boi.
- Mas de mortis nil nisis bonum - retrucou o segundo advogado -, como no caso do Burro contra a Macieira.
Chegaram, finalmente, a um acordo. Só que o acordo contrariava os interesses dos cachorros e dos animais que viviam na manjedoura, embora fosse da maior conveniência para os advogados.

Moral: Não é só a justiça que é cega. Todo mundo é cego.


O gato velho e débil



Um gato velho e caindo aos pedaços tentou apanhar um rato. Não conseguiu. Há já algum tempo que o gato não vinha conseguido apanhar nada...
- Meus reflexos já eram - disse o gato. - Vou tentar uma nova estratégia.
E o gato fingiu que estava morto. Só que o rato não tinha menor interesse num gato morto e preferia muito mais queijos e outras iguarias.
Já as moscas se interessaram muito pelo gato.

Moral: Não existe o chamado “prejuízo total”.


A cobra doente



Sentindo-se muito mal, a cobra mandou chamar o médico.
- O caso é muito sério - diagnosticou o médico. - Você está com forte febre. É melhor nem tentar fica em pé por uns dias.
- Mas, doutor, eu não tenho pé - objetou a cobra.
- Neste caso, você terá de ficar em silêncio absoluto num quarto escuro - respondeu o médico. - A doença já progrediu mais do que eu esperava.

Moral: Médico é fogo.






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