domingo, 27 de abril de 2014

Oração às árvores




Velhas árvores

Olha estas velhas árvores, ‒ mais belas,
Do que as árvores mais moças, mais amigas;
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera e o inseto à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas...

Não choremos amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! Envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem,

Na glória da alegria e da bondade
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

Olavo Bilac


Tu que passas e levantas contra mim teu braço,
antes de fazer-me mal, olha-me bem.
Eu sou o calor de teu lar nas noites frias de inverno.
Eu sou a sombra amiga que te protege contra o sol.
Meus frutos saciam tua fome e acalmam tua sede.
Eu sou a viga que suporta o teto de tua casa,
a tábua de tua mesa, a cama em que te descansas.
Eu sou o cabo de tuas ferramentas, a porta de tua casa.
Quando nasces, tenho madeira para teu berço;
quando morres, em forma de ataúde,
ainda te acompanho ao seio da terra.
Eu sou pão de bondade e flor de beleza.
Se me amas como mereço,
defende-me contra os insensatos.





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