segunda-feira, 28 de abril de 2014

Uma história de Sun Tzu




Esta história é narrada por Su-ma Ch`ien em um dos primeiros textos sobre Sun Tzu a serem traduzidos para o ocidente:

Sun Tzu Wu era nativo do estado de Ch`i. Sua “Arte da guerra” chamou a atenção de Ho Lu, rei de Wu.

Disse-lhe Ho Lu:

- Eu li cuidadosamente seus 13 capítulos. Poderia submeter sua teoria de gerência de soldados a um ligeiro teste?

Sun Tzu respondeu:

- Você pode.

Ho Lu perguntou:

- O teste pode ser aplicado a mulheres?

A resposta foi afirmativa. Arranjos foram feitos para que 180 mulheres fossem trazidas do palácio.

Sun Tzu as dividiu em dois pelotões e colocou uma das concubinas favoritas do rei no comando de cada um deles. Ordenou que todas segurassem lanças e disse a elas:

- Eu imagino que vocês saibam a diferença entre ‘pra frente’, ‘pra trás’, ‘esquerda’ e ‘direita’?

As garotas responderam:

- Sim.

Sun Tzu continuou:

- Quando eu disser: “Olhar pra frente” vocês deverão olhar diretamente para frente. Quando eu disser “esquerda, volver” vocês deverão se virar em direção a sua mão esquerda. Quando eu disser “direita, volver”, vocês deverão se virar em direção à sua mão direita. Quando eu disser “meia-volta, volver” vocês deverão virar para trás.

Novamente, as garotas responderam afirmativamente. Com as palavras de comando devidamente explicadas, ele distribuiu as espadas e machados de batalha para o treinamento. Ao som de tambores, deu a ordem: “Direita, volver!” Mas as garotas apenas gargalharam.

Sun Tzu disse:

- Se as ordens não são claras e diretas, se as ordens não são completamente entendidas, então a culpa é do general.

Então, ele as treinou novamente e dessa vez deu a ordem:

- Esquerda, volver! - E mais uma vez as garotas caíram em gargalhadas.

Sun Tzu:

- Se as ordens não são claras e diretas, se as ordens não são completamente entendidas, o general é o culpado. Mas se suas ordens forem claras e os soldados mesmo assim desobedecerem, então a culpa é de seus oficiais.

Isso dito, ordenou que as líderes dos dois pelotões fossem decapitadas. O rei de Wu estava vendo a cena do alto de um pavilhão elevado; quando viu que suas concubinas favoritas estavam prestes a serem executadas, alarmou-se e enviou a seguinte mensagem: “Estamos bastante satisfeitos com a habilidade de nosso general em comandar tropas. Se formos privados dessas duas concubinas, nossa bebida e refeições perderão seu sabor. É nosso desejo que elas não sejam decapitadas.”

Sun Tzu respondeu: “Tendo recebido a comissão de Sua Majestade para ser o general de suas forças, há certos comandos que, agindo nesse interesse, estou impossibilitado de aceitar.”

As duas líderes foram então decapitadas, e, imediatamente, as duas seguintes foram colocadas como líderes em seus lugares. Os tambores então soaram mais uma vez e as meninas fizeram todas as evoluções, virando para a esquerda e para a direita, marchando para a frente e para trás, ajoelhando e ficando em pé com perfeita sincronia e precisão, sem ousarem emitir um som.

Sun Tzu mandou, então, um mensageiro para o rei dizendo: “Seus soldados, senhor, estão agora propriamente treinados e disciplinados, prontos para a inspeção de vossa majestade. Poderão ser usados para qualquer fim que vossa soberania desejar; ordene que atravessem o fogo e a água e não desobedecerão.”

Mas o rei respondeu: “Que nosso general cesse o treinamento e retorne para o quartel, pois nós não temos o desejo de descer e inspecionar as tropas.”

Ao que Sun Tzu disse: “O rei aprecia palavras, mas não é capaz de transformá-las em atos concretos.”

Ho Lu então viu que Sun Tzu era alguém que sabia como lidar com um exército e finalmente o nomeou general. No Oeste, ele derrotou o estado de Ch`u e avançou até Ying, a capital; ao norte ele espalhou o medo pelos estados de Ch`i e Chin e sua fama entre os príncipes feudais. E Sun Tzu compartilhou do poder do rei


Do livro "A Arte da Guerra",
Adaptação e Prefácio de James Clavell


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