quarta-feira, 30 de abril de 2014

Parabéns a você



Não mais do que cinco minutos foi o tempo que Bertha Celeste Homem de Melo levou para fazer a versão brasileira de Happy Birthday em 1940. Bertha morreu em agosto de 1999, aos 97 anos, vítima de infecção pulmonar, em Jacareí, no Vale do Paraíba (SP). A professora morava na cidade havia 40 anos, mas foi enterrada em Pindamonhangaba, onde nasceu em 21 de março de 1902. Ela criou Parabéns a Você, cantada até então apenas em inglês, para disputar a concurso de quadrinhas promovido pelo Programa do Almirante, da Rádio Tupi do Rio de Janeiro, para escolher a melhor tradução da trilha sonora mais famosa dos aniversários brasileiros.

A forma correta de cantar:

Parabéns a você,
Nesta data querida,
Muita felicidade,
Muitos anos de vida.


Obs.: Muitos cantam, no primeiro verso, parabéns pra você, e, no terceiro, cantam muitas felicidades, mas a felicidade é única e os anos podem ser muitos.


Com a encantadora forma “parabéns!” expressamos precisamente isto: que o bem conquistado, a meta atingida, seja usada “para bens”. A aglutinação da preposição “para” com o substantivo “bem” é confirmada, por exemplo, por Antônio Geraldo da Cunha, em seu Dicionário Etimológico. Em nossa herança cultural, do cristianismo medieval, o mal não tem existência própria, por si: ele é antes uma distorção do bem. E, como se sabe, qualquer bem obtido pode ser usado “para bens” ou “para males”, pode contribuir para a auto-realização ou para autodestruição. Pensemos nos casos de um amigo que ganha a medalha de ouro, ou se elege deputado ou tira a carta de motorista, ou obtém o diploma de advogado... É evidente que essas conquistas – em si boas – podem também ser para males. Por isso, o dom fundamental da vida é celebrado com votos de parabéns...

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O peso dos “pêsames”


“Carregava uma tristeza...”, diz o antigo samba de Paulinho da Viola: a tristeza é – evidente – um peso, os famosos pesares...! E, para carregar o peso da dor, da tristeza, nada melhor – ensina Santo Tomás – do que a ajuda dos amigos: “Porque a tristeza é como um fardo pesado que se torna mais leve para carregar quando compartilhado por muitos: daí que a presença dos amigos seja tão apreciada nos momentos de dor.”

Compreende-se, assim, imediatamente, eu a expressão de condolências (“doer-se com”) seja pêsames, literalmente: pesa-me (“eu te ajudo a carregar o peso desta tua tristeza”). O étimo é confirmado por Antônio Geraldo da Cunha, em seu Dicionário Etimológico (Nova Fronteira), segundo quem “pêsame” vem de peso, resultado da ação que a gravidade exerce num corpo, daí “pesa-me”.

(Da Revista Língua Portuguesa – número 4)


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