domingo, 25 de dezembro de 2016

A milenar tradição do Natal


Por: Ricardo Chaves

O primeiro registro da comemoração se encontra no calendário romano Filocaliano, no ano de 354 d.C


No Império Romano, o culto ao deus solar Mitra disputava, no século 2, adeptos com o cristianismo. Ambos tinham em comum a defesa e a preocupação com os oprimidos. No dia 25 de dezembro – data máxima de reverenciar o Sol Invicto, ocorriam festas, cantos e oferendas. Estudiosos afirmam que a Igreja, incapaz de banir o culto de Mitra, já arraigado entre a população, apropriou-se do aniversário do deus pagão, associando este ao nascimento de Jesus Cristo. A data de 25 de dezembro também nos remete ao término das Saturnálias, quando, durante sete dias, ocorria, em Roma, um festival pagão, cuja finalidade era celebrar o solstício de inverno, em honra a Saturno, que, além de reger o tempo, também era um deus ligado à agricultura. Na realidade, o Natal cristão, durante os três primeiros séculos após a morte de Jesus, não tinha uma data oficial de celebração.


A primeira referência se encontra no calendário romano Filocaliano no ano de 354 d.C., no qual há registro de que havia comemoração, em Roma, desde o ano de 336 d.C. À medida que o cristianismo avançava, em direção ao norte da Europa, o Natal foi incorporando tradições pagãs presentes no solstício do inverno, a exemplo do uso simbólico da neve como característica do período natalino. Já a lenda de Papai Noel tem sua origem na Ásia Menor, no século 3, onde viveu o bispo São Nicolau.

Nascido na cidade portuária de Patara, ele tinha por hábito presentear as crianças e ajudar os pobres. Por outro lado, a imagem que se universalizou do bom velhinho foi criada em 1886, por Thomas Nast (1840-1902). No ano de 1931, uma campanha publicitária de Natal, liderada pela Coca-Cola, fez um enorme sucesso, divulgando Santa Claus (Papai Noel) com o figurino criado por Nast.


Thomas Nast criou, em 1886, a atual imagem do Papai Noel.

As igrejas cristãs celebram o Natal no dia 25 de dezembro, porém há uma exceção: a Igreja da Armênia. Esta comemora a festa do Natal no dia 6 de janeiro, pois seus seguidores acreditam que Cristo teria sido batizado nessa data. Entre tantos acontecimentos ligados à história do Natal, um em especial, devido ao seu caráter inusitado, merece registro: há 102 anos, em 1914, durante a I Guerra Mundial (1914-1918), o espírito natalino de paz superou o bélico. Desafiando as vozes de comando de ambos os exércitos, naquele 24 de dezembro, soldados alemães e ingleses realizaram uma trégua, com direito a troca de presentes e até uma partida de futebol, na região de Ypres, na Bélgica.


Trégua na I Guerra Mundial,
com uma partida de futebol entre soldados alemães e ingleses, em 1914


Colaboração de Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite,
pesquisador e coordenador do setor de Imprensa / Musecom.


(Do Almanaque Gaúcho de Zero Hora)



Papai Noel de Thoma Nast


A origem do Papai Noel

Durante a desintegração do Império Romano, notamos que muitas das populações bárbaras que chegam até a Europa trouxeram consigo uma série de tradições que definiam a sua própria identidade religiosa. Nesse mesmo período, a expansão do cristianismo foi marcada por uma série de adaptações em que as divindades, festas e mitos das religiões pagãs foram incorporados ao universo cristão.

Entre outros exemplos, podemos falar sobre a figura do Papai Noel, que para os cristãos de hoje representa o altruísmo, a bondade e alegria que permeia a celebração no nascimento de Cristo. Contudo, poucos sabem de onde essa figura barbuda e rechonchuda surgiu. É justamente aí que as tradições religiosas pagãs nos indicam a origem do famoso e celebrado “bom velhinho”.

No tempo em que os bárbaros tomavam conta do Velho Mundo, existia uma série de celebrações que tentavam amenizar as rigorosas temperaturas e a falta de comida que tomavam a Europa nos fins de dezembro. Foi nessa situação em que apareceu a lenda do “Velho Inverno”, um senhor que batia na casa das pessoas pedindo por comida e bebida. Segundo o mito, quem o atendesse com generosidade desfrutaria de um inverno mais ameno.

A associação entre o Velho Inverno e São Nicolau apareceu muitas décadas depois. De acordo com os relatos históricos, São Nicolau foi um monge turco que viveu durante o século IV. Conta a tradição cristã que este clérigo teria ajudado a uma jovem a não ser vendida pelo pai, jogando um saco cheio de moedas de ouro que poderiam pagar o dote de casamento da garota. Somente cinco séculos mais tarde, São Nicolau foi reconhecido pela Igreja como um santo.

A partir desse momento, o dia 6 dezembro passou a ser celebrado como o dia de São Nicolau. Nesta data, as crianças aguardavam ansiosamente pelos presentes distribuídos por um homem velho que usava os trajes de um bispo. Foi a partir de então que a ideia do “bom velhinho” começava a dar os seus primeiros passos. Do “velho filão”, conhecido nos últimos séculos da Antiguidade, passava-se a reconhecer a figura de um homem generoso.

Nos fins do século XIX, o desenhista alemão Thomas Nast teve a ideia de incorporar novos elementos à imagem do bom velhinho. Para tanto, publicou na revista norte-americana “Harper’s Weekly” o desenho de um Papai Noel que, para os dias atuais, mais se assemelhava a um gnomo da floresta. Com o passar dos outros natais, ele foi melhorando seu projeto original até que o velhinho ganhou uma barriga protuberante, boa estatura e abundante barba branca.

Apesar das grandes contribuições oriundas do experimentalismo de Nast, temos ainda que desvendar a origem da sua roupa avermelhada. De fato, vários desenhos já haviam retratado o Papai Noel com trajes das mais variadas formas e cores. Contudo, foi em 1931 que Haddon Sundblom, contratado pela empresa de refrigerantes “Coca-Cola”, bolou o padrão rubro das vestimentas do bom velhinho. Com passar do tempo, a popularização das campanhas publicitárias da marca acabaram instituído o padrão.

(Do Blog História do Mundo)



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