domingo, 4 de dezembro de 2016

Variações do samba



Afro-Samba → Como as canções praieiras de Caymmi, é um gênero que se encerra nos seus criadores, Baden Powell e Vinicius de Moraes. Com temática de religiões afro-brasileiras e violão percussivo, evocando atabaques, as músicas foram reunidas num disco, “Os afros-sambas”, de 1966.

Partido-Alto → É baseado nos improvisos, feitos a partir de um refrão por dois ou mais cantores, muitas vezes como desafio. Bons partideiros como Aniceto e Marquinho China são das figuras mais respeitadas do samba.

Pagode → No original, era sinônimo de festa com música. Passou a ser usado para definir o samba feito entre os anos de 1970 e 1980, por artistas das rodas no Cacique de Ramos, como Arlindo Cruz e Almir Guineto. Depois, foi apropriado pela geração dos anos 1990, de Raça Negra e Só pra Contrariar.

Samba-Canção → Teve seu apogeu na Era de Ouro, entre 1930 e 1950. Com forte influência do bolero, então bem popular, é caraterizado pelo romantismo “dor de cotovelo” e por interpretações sentidas. Ângela Maria, Orlando Silva, Sílvio Caldas e Maysa são expoentes do gênero.

Samba-Choro → São sambas cantados que têm feitio melódico e andamentos do choro. Surgidos a partir dos anos 1930, têm entre seus representantes “Conversa de botequim”, de Noel Rosa, em linhagem que inclui “Chega de saudade”, de Tom e Vinicius.

Samba de Breque → Samba sincopado com uma pausa na qual o cantor faz comentários falados, marcados pelo humor. Luis Barbosa foi o precursor do gênero popularizado por Moreira da Silva no fim dos anos 1930.

Samba-Enredo → Composição feita para os desfiles das escolas no carnaval, no fim dos 1940. Passou por mudanças nas letras (de samba sobre a História oficial do Brasil, até os enredos patrocinados) e na música (hoje mais acelerada e incorporando elementos como funk carioca).

Samba-Funk → Nascido ao incorporar a influência do soul e do funk a partir do início dos anos 1970. Dom Salvador e Abolição e, posteriormente, a Banda Black Rio, consolidaram o estilo. Tim Maia e Jorge Bem Jor também trafegaram pelo gênero, hoje popular com Seu Jorge.

Bossa Nova/Samba-Jazz → Sua representação máxima é o violão e o canto de João Gilberto, a poesia de Vinicius de Moraes e a música de Tom Jobim. Com artistas como Nara Leão, Roberto Menescal e Carlos Lyra, ganhou o sotaque da classe média carioca. Sua vertente instrumental foi o samba-jazz, cujo habitat era o Beco das Garrafas.

Samba-Rock → Jackson do Pandeiro usou o termo em “Cliclete com banana”, no fim dos anos 1950. Na época, o violonista Bola Sete experimentava a mistura. Mas a vertente se anunciou mais claramente depois com Ed Lincoln, Durval Ferreira e Orlandivo, popularizando-se a partir de Jorge Bem Jor. Dos anos 1970 em diante, Bebeto e Marku Ribas reforçaram a linguagem.


(Do Segundo Caderno de O Globo, de 27.11.2016)



Um comentário:

  1. Independente de suas variações, o SAMBA veio pra ficar, prova disso este ano comemoramos cem anos. Ah! Quem não se ALEGRA dançando ao seu ritmo

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