quarta-feira, 2 de abril de 2014

Pequenos contos

Pequeno conto 1


Ela se deita com um suspiro... E tenta relaxar suas belas pernas e dobrar os joelhos que  tremem. Começa o movimento... Ela tem medo e não para de dizer  a ele que é a primeira vez. Mas ele a conforta, dizendo que será cuidadoso.
Ela está deitada, seus olhos brilham e ela se sente pequena sob o peso dele. Os dedos dele tocam na parte sensível dela...
Ela treme ao ver o instrumento que ele tem na mão! Mas ele mantém a promessa e começa com cuidado e doçura.
Ela se abre o máximo possível para dar espaço a ele. Um arrepio percorre seu corpo e, subitamente, ela grita:
- Não! Não! Eu não posso agüentar mais!
Mas já é tarde... Ela encolhe o corpo, num vão instinto de conservação. E fica deitada, largada, sem mover um músculo sequer.
Foi assim que o dentista arrancou seu primeiro dente.

Pequeno conto 2

O momento no qual estamos juntos é interminável. Nossos corpos estão tão unidos, que posso sentir as batidas do seu  coração! Nossas  respirações  confundem-se... Nossos movimentos são sincronizados... indo e voltando... para frente e para trás...
Às vezes para, e então, quando nos cansamos da mesma posição, nos esforçamos para mudar, mesmo que seja só por pouco tempo.
O suor de nossos corpos começa a fluir sem nada que possamos fazer. Um calor enorme  parece  que nos fará desmaiar... Uma força ainda maior nos faz ficar ainda mais colados um ao outro. E, quando não aguentamos  mais segurar... Uma voz ecoa em nossos ouvidos:
“Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem”...

Pequeno conto 3

Satânico é meu pensamento a teu respeito e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem.
A noite quente e calma chegara a ser angustiosa. Apareces e, nesta cama, foi que aconteceu... Sorrateiramente te aproximaste... Sem o mínimo de pudor... Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu.
Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos até os mais íntimos lugares jamais tocados de meu casto corpo. E adormeci...
Hoje, quando acordei, procurei-te, numa ânsia ardente, mas em vão... Deixaste provas irrefutáveis do que ocorreu na noite que passou. Grandes manchas no meu corpo e o alvo lençol salpicado de sangue...
Esta noite recolho-me mais cedo para, na mesma cama, te esperar. Oh! Quando chegares, nem quero pensar com que perspicácia, e forca eu quero te pegar para que não escapes mais de mim. Em minhas mãos quero apertar-te até o fim.
Não haverá parte do teu corpo que os meus dedos não passarão. Só descansarei quando ver sair o sangue quente de teu corpo. Só assim, livrar-me-ei de ti, pulga maldita!



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