terça-feira, 1 de abril de 2014

Menino da sinaleira


Luiz Coronel

Há um menino
na sinaleira.
A idade se conta
nos dedos das mãos.
(E sobram dedos
para apontar os culpados.)
O menino
tem um tribunal às costas.
E um shopping pela frente.
Noite alta
o pisca-pisca amarelo
libera o menino.
Teríamos prantos
de lavar o para-brisas
fosse um só menino
na sinaleira.
Em todas as sinaleiras
há um menino.
O coração petrifica-se.
O menino quer comprar
pão
leite
e cola para cheirar.
Passam doutos
e preclaros.
Telefonia celular
e som digital.
E todos sabem
que não há sinal verde
para este país
enquanto houver
um menino na sinaleira.



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