sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A letra e a paródia de Nervos de Aço



Gênero de larga aceitação popular desde os primórdios da música brasileira, a paródia não poupou o samba-canção Nervos de Aço. O humorista Carlos Nobre* chegou a publicar, em um dos jornais do final da década de 1950, uma gozadíssima versão, para deleite da gurizada marota.

Nervos de aço

Lupicínio Rodrigues

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor?
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor, meu senhor,
Ao lado de um tipo qualquer?

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
E por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço,
Que nem um pedaço do seu pode ser?

Há pessoas de nervos de aço,
Sem sangue nas veias e sem coração,
Mas não sei se passando o que eu passo
Talvez não lhes venha qualquer reação.

Eu não sei se o que trago no peito
É ciúme, é despeito, amizade ou horror.
Eu só sei é que quando a vejo
Me dá um desejo de morte ou de dor.

O grande embaraço**

Carlos Nobre

Você sabe o que é ter uma dor, meu senhor,
Dessas tais, que nos fazem correr.
E entrar por qualquer corredor, meu senhor,
Sem saber o que se há de fazer?

Você sabe o que é ter uma dor, meu senhor,
Dessas tais que nos dão de repente.
E no fundo do tal corredor, meu senhor,
Ouvir uma voz dizendo “Tem gente”?

Há pessoa com nervos de aço,
Que enfrentam sorrindo qualquer confusão.
Mas duvido que nesse embaraço
Não fique apertado com a situação!

Eu um dia já tive uma dor, meu senhor,
E não queiram saber que horror!
E não gosto nem de lembrar como foi
Que cheguei ao fim do corredor...


(Do Almanaque do Lupi 100 anos, de Marcello Campos
 – Editora da Cidade)


*Carlos Nobre, foto acima, (José Evaristo Villalobos Júnior, 07 de abril de 1929 – 16 de dezembro de 1985, foi um humorista e cronista gaúcho.

**Na verdade, essa paródia não tinha título, o posto acima seria, na minha opinião, o mais apropriado.

Há uma outra paródia de "Nervos de aço", de Lupicínio Rodrigues, satirizando a queda de Getúlio Margas, em 1945.

Você sabe o que é ser ditador,
Meu senhor,
Quinze anos detendo o poder.
E depois um golpe traidor,
Meu senhor,
Pôr o belo prazer a perder.

Alvarenga


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