quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A partideira Jovelina Pérola Negra



Luz do Repente

Arlindo Cruz - Franco - Marquinhos PQD

Deixa comigo, deixa comigo,
Eu seguro o pagode e não deixo cair é é é,
Sem vacilar é é é,
Sem me exibir,
Só vim mostrar, é é é,
O que aprendi.

Eu sou partideira da pele mais negra,
Que venho e que chego para improvisar,
Já vi partideiro que nunca vacila
entrando na fila querendo versar,
Mas dou um aviso que o meu improviso
É sério, é ciso, não é de brincar.
Otário com aço eu mando pro espaço,
Versando eu faço o bicho pegar.

É sem vacilar, é é é,
sem me exibir,é é é,
só vim mostrar
o que aprendi.

A luz do repente, a estrela cadente
Chega, de repente, não dá pra sentir.
Na lei do pagode, só versa quem pode,
Quem sabe somar e não subtrair.
Não sou diamante, safira, esmeralda.
Não sou turmalina nem mesmo rubi,
Por onde eu passo eu deixo a saudade:
A Pérola Negra passou por aqui!


Uma história engraçada de Jovelina

Essa mesma onda de pagode, que veio a reboque do Plano Cruzado, no ano de 1986, revelou a figura da partideira Jovelina Pérola Negra.

Acostumada a fazer shows em quadras de clubes e escolas de samba, onde o pagamento é feito em espécie antes da apresentação, Jovelina estranhou que ninguém falasse em dinheiro antes de seu primeiro show em teatro. Tratava-se de uma espécie de temporada de revezamento dos pagodeiros emergentes, em um teatro de Bonsucesso, subúrbio do Rio.

Depois de cantar, chamou o produtor da série a seu camarim e perguntou pelo “faz-me rir”. O rapaz, não entendendo direito o que ocorria, avisou que as contas seriam fechadas ao final da temporada. Diante da cara de contrariedade de Jovelina, resolveu oferecer alguma coisa:

– Se a senhora precisar, nós lhe adiantamos algum e botamos no borderô.

Jovelina se contrariou mais ainda, e, olhando fixamente para o produtor, com o dedo em riste, advertiu:

– Olha aqui, ô rapaz, no meu borderô nem meu marido bota!


(História do livro “Suíte Gargalhadas”, de Henrique Cazes)



*Jovelina Pérola Negra (Rio de Janeiro, 21 de julho de 1944 – Rio de Janeiro, 2 de novembro de 1998), cujo nome de batismo era Jovelina Farias Delford, foi cantora e compositora brasileira e uma das grandes damas do samba. Voz rouca, forte, amarfanhada, de tom popular e força batente. Herdeira do estilo de Clementina de Jesus, foi, como ela, empregada doméstica antes de fazer sucesso no mundo artístico.

Músicas

Filosofia de Bar

Compositor: Everaldo da Viola

Buscando bebida, ele entrou no botequim
e numa plaqueta, estava escrito assim:

“Se você bebe para esquecer,
por favor, pague antes de beber.”

Porque fiado só no amigo do lado.
Bebeu, caiu, levantou, pagou, saiu.

Viu!

Tem um galo de barro,
olha lá está pra comprovar,
estava escrito: “Fiado só se esse galo cantar.”

Moço educado respeita o salão,
não pede fiado e nem diz palavrão.

Até parece que o homem adivinhava a sua intenção.
bebeu, caiu, levantou, pagou, saiu,
bebeu, caiu, levantou, pagou, saiu.


Menina você bebeu

Jovelina Pérola Negra

Menina você bebeu, bebeu demais.
Menina você bebeu, bebeu demais.

Para de beber cachaça
Que a sua desgraça pode estar aí.
Você já está com o seu nome na praça,
Quando você passa todo mundo ri.
Mas você só quer beber e beber até cair
Menina você bebeu, bebeu demais
Menina você bebeu, bebeu demais

Lá na vendinha do Chico,
Eu vi o fuxico que você armou.
Matou três garrafas bebendo no bico,
Depois pagou mico e como vacilou.

Quem mandou você beber
Bebendo se acabou. (bis)

Sai daqui de Madureira para ir beber no Brás.
Tem apenas vinte anos, mas parece muito mais.
Tá perdendo a beleza e até o seu cartaz.
Sempre toma mais de uma, uma só não satisfaz.
Tá bebendo aguardente qualquer dia é aguarrás.



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